Moluscos - LULA-COLOSSAL

A lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) é provavelmente a maior espécie de lula existente, e o único membro do seu gênero. Estima-se que possa ultrapassar os 14 metros de comprimento, podendo, por isso, ser considerada como o maior invertebrado conhecido do planeta.

 

O Mesonychoteuthis hamiltoni possui a maior cabeça de todos os tipos de lulas, excedendo até o do Architeuthis spp (lula-gigante) no tamanho e na robustez. Ela também possui os maiores olhos no reino animal, chegando estes ao tamanho de um prato. Dispõe de dois bicos enormes e afiados, além de garras giratórias em forma de ganchos que se encontram profundamente fixadas em seus tentáculos.

 

Ela habita somente as profundezas do Oceano Antártico, entre mil e 2,5 mil metros de profundidade, tendo sido descoberta em 1925, quando dois tentáculos de um exemplar seu foram encontrados no estômago de uma baleia cachalote. Apesar disso, apenas em 2003 um animal completo de sua espécie foi capturado. Mesmo com comprimento praticamente igual ao da conhecida "lula gigante", identificada desde 1857, a lula-colossal pesa três vezes mais que sua parenta.

 

Pouca coisa se conhece sobre a vida e costumes dessa criatura, a não ser que é hábil caçadora, como acontece com todas as outras lulas, e que se utiliza da bioluminescência para encontrar a presa no mar profundo. Bioluminescência é o processo bioquímico utilizado por muitos animais e algas marinhas para produzir luz. Ele é feito através da oxidação de uma proteína chamada Luciferina por uma enzima chamada Luciferase.

 

Baseado na captação do bico das lulas em estômagos de cachalotes, tornou-se possível estimar o tamanho desses animais quando adultos (já que poucos deles foram capturados). Além disso, alguns de seus hábitos comportamentais também se tornaram conhecidos, como a vida na profundidade de pelo menos 2200 metros, no caso de adultos, ou de cerca de 1000 metros, em relação aos mais jovens.

 

A lula-colossal, que possui em suas ventosas ganchos capazes de causar feridas profundas em qualquer predador que a ataque, é uma das principais presas dos cachalotes que se alimentam no Oceano Antártico. Por isso muitos deles trazem ao redor da boca cicatrizes causadas pelos tentáculos de suas vítimas.

 

Os biólogos que estudam a vida e comportamento desses moluscos ressaltam que é importante diferenciar o tamanho total da lula e o do seu manto. Esse total refere-se à altura do manto, que é a "cabeça" da lula, acrescido do comprimento dos tentáculos. Embora essa medida não seja das melhores, porque o animal pode ser esticado e com isso o resultado verdadeiro será alterado. Tal possibilidade é tão verdadeira que há notícia de que a primeira Architeuthys spp descrita, encontrada encalhada numa determinada praia do Oceano Pacífico, tinha 22 metros de comprimento, exatamente pela elasticidade dos tentáculos. Por isso é importante que as informações sobre animais desse tipo não sejam analisadas parcialmente. A medida do manto deverá ser sempre considerada como a melhor de todas, pois se refere apenas à "cabeça" da lula.

 

Que ao contrário do que acontece com as lulas-gigantes, vai adquirindo na lula-colossal uma forma arredondada durante o crescimento corporal. Seus tentáculos são grandes para lhe permitir agarrar as presas com maior facilidade, no gélido Mar de Ross. Durante as horas de caçada, seu corpo apenas flutua ao sabor das correntes marinhas, enquanto os tentáculos permanecem ativos na busca de uma presa que lhe sacie o apetite. É por esta capacidade de flutuação que esses animais, quando moribundos, sobem naturalmente à superfície.

 

Em fevereiro de 2007 jornais brasileiros noticiaram que pescadores neozelandeses poderiam ter capturado a maior lula-colossal já vista. Com 14 metros de comprimento e 450 quilos, o animal foi pego no Mar da Antártida ainda com vida e içado a bordo por uma rede de carga de um pesqueiro. Segundo essas informações, a tripulação do barco pescava merluzas quando a lula-colossal, cuja dieta inclui o pequeno peixe, ficou presa. A tripulação parou de içar a linha durante duas horas, enquanto a lula era conduzida até uma rede de carga e puxada para bordo, esclareceu Jim Anderton, o ministro neozelandês da Pesca.

 

Os jornais esclarecem que a lula estava quase morta quando chegou à superfície, mas o trabalho cuidadoso da tripulação foi essencial para colocar esse espécime a bordo e em boas condições. Apesar do cuidado, conclui a matéria, ele será congelado e levado para o museu nacional Te Papa, na capital da Nova Zelândia, Wellington, para ser usado em estudo científico.

 

Como curiosidade resta acrescentar que tentáculos de lula são bastante apreciados em todo o mundo, como petiscos. “Se com essa lula fossem feitos calamari rings (tentáculos fritos), certamente eles teriam o tamanho de rodas de tratores", disse um especialista com um tom de gulodice na voz, quando consultado a respeito.

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