Rios - DEGRADAÇÃO DOS RIOS
Que seja o Catirina, o Paranaíba, o São Francisco, o Eufrates, o Mississipi ou o Reno. Não importa. A situação está crítica para os rios brasileiros e do mundo todo, com as clássicas exceções daqueles de locais ainda pouco habitados. Cada país tem as suas políticas de preservação do meio ambiente, eficazes em alguns e fora de propósito na maioria. Chegamos ao século XXI com uma inflação tremenda da população mundial, sedenta de água pura e límpida. Eis a questão. Hoje, exceção aos locais praticamente ermos, onde encontrar água pura e límpida no globo terrestre? As reminiscências nos remetem aos desbravadores de terras novas das épocas antigas que, em momentos de sede, bastavam formar uma concha com as mãos e saborear o líquido precioso, puro e límpido, de qualquer curso d’água.
O homem foi à Lua e tem gente vivendo com um coração artificial. Telefone celular faz tanta coisa que o cidadão às vezes esquece que o aparelho também serve para conversar com outra pessoa lá no invés do mundo. É tanta tecnologia em todos os setores que confunde as nossas mentes. Enquanto a nanotecnologia cada vez mais se estabelece os nossos rios estão morrendo, com o desmatamento de suas margens e no entorno das nascentes, e, praticamente na mesma proporção, pelo despejo das porcarias humanas em suas águas.
O desmatamento no entorno das nascentes que compõem o complexo de um rio determinado e denominado (regos, riachos, córregos, ribeirões e rios menores que lhe servem de afluentes contribuindo para seu crescimento de volume hídrico) é o primeiro passo para comprometer sua saúde. Esta pode ir para a UTI a pequeno, médio e longo prazo, dependendo da capacidade de produção de água das nascentes. O desmatamento de suas margens, a chamada mata ciliar, é o segundo passo. O resultado geralmente é o assoreamento provocado pelo desbarrancamento das margens. A retirada excessiva de água para irrigação é um outro fator que contribui para a diminuição do volume corrente de águas. E, para finalizar, o despejo de diversos tipos de poluentes que, além de tornar a água imprópria para consumo, praticamente extermina seus habitantes naturais. É fato que alguns rios que cortam metrópoles não comportam mais do que bactérias anaeróbicas (aquelas que vivem em ambientes isentos de oxigênio).
A demanda de água potável ao redor do mundo cresce dia a dia. E a disponibilidade de água potável ao redor do mundo decresce dia a dia. De acordo com os estudiosos do assunto, as geleiras dos Pólos são as maiores reservas mundiais de água potável. As águas da nossa Bacia Amazônica vêm a seguir. Fora isso, é um caso aqui, outro ali, e num geral a situação não é nada boa. Comenta-se nos bastidores científicos que não muito longe a água será o bem mais valioso do Planeta Terra, surgindo até guerras entre países por causa dela.
É certo que a mata ciliar é fundamental. É certo que a preservação das nascentes é fundamental. E é certíssimo que a pior praga que assola os rios é a poluição. Uma coisa é imaginar o volume das águas dos rios diminuírem pelos fatores comentados, mas sendo potáveis. Outra coisa, fatídica, é imaginar, além dos fatores comentados, estas águas serem impróprias para consumo.
São inúmeras as causas de poluição dos rios. Alguns exemplos:
ESGOTOS – A maior parte do volume recolhido não recebe nenhum tratamento e é despejado in natura nos rios.
RESÍDUOS QUÍMICOS – Descartados por indústrias e pela mineração. São metais pesados que causam sérios danos à saúde, onde o mercúrio é o maior vilão.
ORGANOCLORADOS – Oriundos de processos industriais e usados no meio rural, tanto na pecuária quanto na agricultura para controle de pragas.
CHORUME – Líquido que escorre de aterros sanitários, de currais de criação de gado e até de cemitérios.
NITRATOS – Provenientes do esgoto doméstico, de resíduos industriais e de produtos químicos usados por agropecuaristas no controle de pragas do gado e de culturas.
DETERGENTES – Na composição de produtos usados para lavar principalmente louças e roupas. Invariavelmente, acabam nos rios.
VINHOTO – Resíduos da indústria de açúcar e álcool. São usados para adubação, mas geralmente são despejados nos recursos hídricos.
ÁGUA QUENTE – Usada em indústrias para resfriar equipamentos. Apesar de limpa, quando devolvida ao meio ambiente causa desequilíbrio na fauna e flora aquáticas.
Sobre resíduos, uma monografia de Maria Elisabeth Pereira Kraemer ([email protected] ) destaca: “A indústria elimina resíduo por vários processos. Alguns produtos, principalmente os sólidos, são amontoados em depósitos, enquanto que o resíduo líquido é, geralmente, despejado nos rios e mares, de uma ou de outra forma. Certos resíduos perigosos são jogados no meio ambiente, precisamente por serem tão danosos. Não se sabe como lidar com eles com segurança e espera-se que o ambiente absorva as substâncias tóxicas. Porém, essa não é uma solução segura para o problema. Muitos metais e produtos químicos não são naturais, nem biodegradáveis. Em conseqüência, quanto mais se enterram os resíduos, mais os ciclos naturais são ameaçados, e o ambiente se torna poluído. Desde os anos 50, os resíduos químicos e tóxicos têm causado desastres cada vez mais freqüentes e sérios”.
A mesma monografia destaca a classificação dos resíduos sólidos que são despejados nos rios quanto às características físicas: Seco = papéis, plásticos, metais, couros tratados, tecidos, vidros, madeiras, guardanapos e tolhas de papel, pontas de cigarro, isopor, lâmpadas, parafina, cerâmicas, porcelana, espumas, cortiças. Molhado = restos de comida, cascas e bagaços de frutas e verduras, ovos, legumes, alimentos estragados, etc.
Quanto aos aspectos químicos, Maria Elisabeth cita os seguintes resíduos: comercial, serviços públicos, hospitalar, portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários, industrial, radioativo, agrícola e entulhos.
A monografia apresenta a seguinte conclusão: “Todo processo industrial está caracterizado pelo uso de insumos (matérias-prima, água, energia, etc) que, submetidos a uma transformação, dão lugar a produtos, subprodutos e resíduos. Quando se fala em meio ambiente, no entanto, o empresário imediatamente pensa em custo adicional. Dessa maneira passam despercebidas as oportunidades de uma redução de custos. Sendo o meio ambiente um potencial de recursos ociosos ou mal aproveitados, sua inclusão no horizonte de negócios pode resultar em atividades que proporcionam lucro ou pelo menos se paguem com a poupança de energia ou de outros recursos naturais. Neste sentido, para proporcionar o bem-estar da população, as empresas necessitam empenhar-se na: manutenção de condições saudáveis de trabalho; segurança, treinamento e lazer para seus funcionários e familiares; contenção ou eliminação dos níveis de resíduos tóxicos, decorrentes de seu processo produtivo e do uso ou consumo de seus produtos, de forma a não agredir o meio ambiente de forma geral; elaboração e entrega de produtos ou serviços, de acordo com as condições de qualidade e segurança desejadas pelos consumidores”.





