Doenças - DOR DE COTOVELO

O cotovelo é a articulação entre o braço e o antebraço. É uma verdadeira dobradiça com três ossos (úmero, rádio e ulna), ligamentos e tendões que também executa o movimento de rotação. Diversos fatores podem causar danos às estruturas articulares do cotovelo, como os exemplos a seguir: tendinites, epicondilites, bursites, lesões ligamentares, compressão de raiz nervosa, doenças da articulação, doenças ósseas, dor irradiada da coluna cervical ou do ombro. Todas estas afecções provocam dor em maior ou menor escala dependendo do grau de comprometimento da estrutura afetada. Existe outro tipo de dor de cotovelo que não tem nada a ver com nenhuma das estruturas articulares. O cotovelo está enxuto, funcionando direitinho, cumprindo rigorosamente a sua função articular, mas, mesmo assim dói, e como dói.

 

A expressão dor-de-cotovelo como caracterização de alguém que sofreu uma decepção amorosa, pode ter sua origem na figura de um desiludido pelo amor sentado em um bar com os cotovelos em cima do balcão e a bebida ao lado. De tão desiludido que está, absorto em pensamentos fica nesta posição horas e horas, só esticando os braços para sorver a bebida. E de tanto tempo com o cotovelo apoiado no balcão, lhe sobrevém uma acentuada dor. Dizem alguns historiadores que foi o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974) o responsável por criar e popularizar a expressão.

 

O término de um relacionamento amoroso pode não afetar alguns, mas, na grande maioria dos casos, causa um desconforto significante. Rainer Souza, graduado em História pela Equipe Brasil Escola, num artigo postado no Portal R7 diz que na história do samba “as relações amorosas eram pintadas por uma frustração ou infortúnio que impedia a consumação de uma relação bem sucedida”. E comenta sobre Lupicínio Rodrigues: “Sendo amante de várias mulheres e, por isso, vivendo muitas desilusões no campo sentimental, Lupicínio chegou a desenvolver uma teoria sobre dor de cotovelo. A dor de cotovelo federal era aquela que só poderia ser curada com embriaguês total. Já a dor de cotovelo estadual era suportável e com o passar do tempo tudo se ajeitava. Por fim, havia a modalidade municipal da dor de cotovelo, que não poderia nem mesmo servir de inspiração para um samba”.

 

Fato consumado é que a dor de cotovelo advinda de desilusões amorosas provoca dores terríveis. Não na articulação em si, mas, como dizem inúmeros afetados, dói profundo na alma, nas entranhas do corpo. Tanto que pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, publicaram em março um estudo que comprova que separação amorosa dói, literalmente. A jornalista Érika Kokay, em artigo publicado na Revista Galileu, edição de agosto de 2011, escreve sobre o assunto: “No experimento, voluntários que tinham acabado de terminar um relacionamento a contragosto foram expostos a fotografias do ex-companheiro. Também foi pedido a eles que pensassem sobre a rejeição. As mesmas áreas responsáveis pela dor física eram então ativadas no cérebro. O que foi demonstrado por ressonâncias eletromagnéticas. Levar um pé na bunda pode não partir, mas aperta o coração.”

 

A seguir, Érika Kokay destaca os principais sintomas da dor de cotovelo em diferentes regiões do corpo.

 

BOCA – Não conseguimos fechá-la. Queremos comer mais e mais. O fim de uma relação faz a dopamina (principal responsável pelo vício em cocaína) secar. Comida (assim como sexo) aciona sua liberação de novo.

CABEÇA – A falta do ex é como a abstinência a uma droga. O amor e a alegria liberam no cérebro dopamina. Pequenas doses de fotos e checagens em redes sociais aliviam.

CORAÇÃO – O aumento da adrenalina e de outros hormônios do estresse pode desorientar os músculos cardíacos, causando dor no peito e falta de ar e, no pior dos casos, um enfarte real.

OLHOS – Desejos intensos aumentam nossa sensibilidade e podem levar ao delírio. Queremos tanto o amado que pensamos vê-lo em toda parte. É como uma miragem para quem tem sede no deserto.

TRONCO – O fim de um amor suprime as outras motivações. Por isso tornamo-nos apáticos: não queremos sair da cama, nem ver pessoas. Não temos força para nada.

 

Caetano Veloso compôs a música Dor de Cotovelo, que diz o seguinte:

 

O ciúme dói nos cotovelos,
na raiz dos cabelos,
gela a sola dos pés.
Faz os músculos ficarem moles,
e o estômago vão e sem fome.
Dói da flor da pele ao pó do osso.
Rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo,
Você ama o inimigo e se torna inimigo do amor.
O ciúme dói do leito à margem,
dói pra fora na paisagem,
arde ao sol do fim do dia.
Corre pelas veias na ramagem,
atravessa a voz e a melodia.

 

Ilustrações: Pensandoemfamília.com.br e Valdireneba.wordpress.com

 

 

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Comentários:

  1.   mel diz:

    muito legal ,parabens gente

  2.   mel diz:

    muito legal ,parabens gente