Doenças - COMPLICAÇÕES DE FERIMENTOS INFECTADOS
Os ferimentos são lesões resultantes de uma causa externa (traumatismos) e podem ser classificados, de acordo com a integridade da pele, em fechados e abertos. Os ferimentos fechados não apresentam descontinuidade da pele e, geralmente, são decorrentes de contusões e compressões, que lesam os tecidos e podem provocar rompimento de vasos sangüíneos. Dependendo da intensidade do trauma, outras estruturas mais profundas, como músculos, ossos e órgãos, podem ser lesados junto com a pele. As manifestações clínicas mais freqüentes são edema (inchação), aparecimento de equimose (mancha arroxeada) e dor no local. Nos ferimentos abertos ocorre a ruptura da pele, sangramento e o acometimento subjacente pode ser superficial (escoriações) ou com graus variáveis de profundidade e extensão (cortes, lacerações, esmagamentos). Como a pele é um importante mecanismo de defesa contra agentes infecciosos, o rompimento desta barreira favorece o aparecimento de infecções secundárias, principalmente se a lesão não for adequadamente tratada logo após o trauma.
Os ferimentos fechados, embora apresentem menor risco de infecção secundária, podem estar relacionados com desconforto local e incapacidade funcional da região afetada. Além disso, podem ser um sinal importante da presença de lesões internas graves concomitantes. Os indivíduos vítimas de contusões abdominais e torácicas devem procurar assistência médica, mesmo se não apresentarem manifestações locais. A aplicação de compressas geladas no local da contusão alivia a dor e reduz o edema (inchação).
Quando o germe produtor de uma infecção não supurada se acha no sangue e nele se multiplica, diz-se que há septicemia. Diz-se que há bacteremia quando um germe passa momentaneamente pelo sangue, sem nele desenvolver-se. Sob o nome de piemia designam-se os casos em que os germes de uma infecção supurada passam por via sanguínea para localizar-se em diversas partes do corpo (vísceras, serosas, tecido celular, etc.) produzindo nelas focos de supuração. Nos casos em que além de septicemia se observa a formação de focos supurados em diversas partes do corpo, recebem o nome de septicopiemia. Diz-se que há toxemia quando o germe fica localizado em uma parte do organismo, mas suas toxinas passam para o sangue.
Os germes que se acham com maior freqüência são as diversas variedades de estreptococos e estafilococos. Tem-se observado que amiúde as piemias são produzidas pelo estafilococo, e que ao contrário o Streptococcus viridans praticamente nunca produz focos de supuração. Seguem-nos por ordem de freqüência a Escherichia coli, o gonococo, o meningococo, etc. A porta de entrada destes germes para o organismo pode ser um ferimento infectado da pele ou das mucosas, uma infecção posterior ao parto ou aborto, ou outra infecção (antraz, furúnculo, blenorragia, amigdalite, tétano, etc.). Em alguns casos não se pode achar a porta de entrada, e fala-se então de uma septicemia criptogenética (de causa oculta). Com certa freqüência tem-se observado que uma piemia ou septicemia cessa ao ligar uma veia afetada de tromboflebite (infecção da veia com formação de coágulos em seu interior).
Predispõem para a septicemia as que, debilitando o organismo, lhe diminuem as defesas, tais como: cansaço excessivo, fome ou alimentação muito incorreta, sede, debilidade por enfermidades anteriores, etc.
É preciso suspeitar a possibilidade de uma septicemia quando, existindo uma possível fonte de entrada do germe, aparecem sintomas graves: calafrios com temperatura de 40 a 41º, dor de cabeça, delírio, pulso e respiração acelerados, pele seca, náuseas e vômitos, inapetência, sede intensa, língua saburrosa, coloração amarelada da pele e das mucosas, etc. Às vezes a pele está muito pálida. Há acentuado emagrecimento. Podem observar-se hemorragias em diversas partes do corpo (nariz, estômago, pele, etc.). Às vezes ao final aparece diarréia. A confirmação da suspeita de septicemia se fará pela chamada hemocultura, que consiste em semear pequena quantidade de sangue do enfermo em diversos meios de cultura de micróbios, que se mantêm à temperatura de 37º. Desta maneira se multiplicam os germes que se acham no sangue, podendo identificar-se o agente causal, o que torna possível usar no tratamento o antibiótico ativo nesse caso.
Quando há piemia ou septicemia, os sintomas mais característicos são: a violência e freqüências dos calafrios, a intensidade dos sintomas tóxicos (face amarelo-terrosa, língua seca e saburrosa, pulso rápido e fraco, respiração acelerada, inapetência acentuada, diarréia, etc.), e a aparição de focos de supuração em diversas partes do corpo.
Muito melhorou o prognóstico destas graves infecções desde que se utilizam os modernos antibióticos. O uso de doses adequadas de alguns dos antibióticos (a escolha depende do germe causal) é o mais importante do tratamento. Quanto aos cuidados gerais (habitação, ventilação, alimentação, cuidado do intestino, hidroterapia) são os mesmos do doente infectado. É preciso tratar o foco que causou a infecção (ferimento infectado, furúnculo, etc.). Uma infecção tão grave pode, segundo o caso, produzir danos a diversos órgãos (fígado, coração, etc.), e o médico indicará o tratamento que julgue ser mais adequado para cada uma destas complicações.
Fonte: Técnica Moderna de Primeiros Socorros – Dr. Marcelo A. Hammerly e www.cives.ufrj.br
Ilustrações:www.coladaweb.com/medicina.htm e manoelgsilva2009.blogspot.com





