Outros - ADIVINHA QUANTO EU TE AMO
Era hora de ir para a cama. O coelhinho agarrou com força as longas orelhas do pai e disse-lhe:
– Papá, adivinha quanto eu te amo!
– Ah! Acho que não consigo adivinhar…
– Tudo isto! – E o coelhinho esticou os braços o mais que podia.
Só que o coelho pai tinha os braços mais compridos, e, imitando-o, retorquiu:
– E eu amo-te tudo isto!
Hum, isso é um bocado, pensou o coelhinho. Mas insistiu:
– Amo-te toda a minha altura!
– E eu amo-te toda a minha altura! – desafiou o coelho pai.
Epa, és mais alto, pensou o coelhinho, mas não desistiu:
– Amo-te até à altura do meu pulo! – e riu, saltando de um lado para outro.
– E eu amo-te até à altura do meu pulo – riu também o coelho pai, e saltou tão alto que as orelhas tocaram os galhos da árvore.
Isso é que é saltar, discorreu o coelhinho. Então, teve uma idéia. Subiu à árvore, suspendeu-se de cabeça para baixo, e gritou:
– Amo-te até à ponta dos dedos dos meus pés, papá!
– E eu amo-te até à ponta dos dedos dos teus pés – disse o coelho pai, lançando o filho no ar.
– Amo-te toda a distância daqui até ao rio! – insistiu no desafio o coelhinho.
– E eu amo-te até às colinas, do lado de lá do rio! – resistiu o coelho pai.
É uma bela distância, matutou o coelhinho. Mas, àquela altura, já estava demasiado sonolento para continuar a pensar. Então, olhou para além das copas das árvores, para a imensa escuridão da noite e concluiu: Nada pode ser maior que o céu.
– Amo-te até a Lua, papá! – disse ele. E adormeceu.
Oh, isso é longe, pensou o coelho pai, muito longe!
Deitou o coelhinho na sua caminha de folhas, inclinou-se e deu-lhe um beijo de boa-noite. Depois, recostou-se ao lado dele e sussurrou, sorrindo:
– E eu amo-te até a Lua... ida e volta!
Já disputaste com os teus pais quem gosta mais um do outro? A vida atarefada, a TV, o computador, por vezes impedem momentos como sentar-se na cama, contar uma história, acariciar ou fazer companhia enquanto o sono não vem.
Fábula de Sam Mc Bratney
Ilustração de Anita Jeram, na capa do livro com o mesmo título.






Texto muito bom! \r\nAtualmente não temos mais tempo e/ou não conseguimos dizer para as pessoas o quanto a amamos.\r\nSe tratando de pai para filho, quando os filhos chegam numa certa idade esquece da bela saudação aos pais: TE AMO.\r\nTalvez seja o momento de refletirmos nosso dia a dia e começarmos a falar dos nossos sentimentos, pois, se deixarmos para amnhã pode ser tarde demais.