Mamíferos - TATU-CANASTRA

TATU-CANASTRA

 

Nativo do continente americano, onde habita os campos, cerrados, matas ciliares e florestas secas desde a Venezuela e Guianas até a Argentina, o tatu tem cabeça, corpo, cauda e extremidades providas de pequenas placas ósseas dispostas lado a lado (com exceção da barriga). Elas formam uma grande couraça protetora com dois grandes escudos, um no ombro e outro na anca, interligados por um número variável de cintas transversais articuladas no meio do corpo. Suas mãos têm quatro ou cinco dedos guarnecidos de unhas desenvolvidas e robustas.

 

Dele são conhecidas em nosso país quase vinte espécies cujo tamanho médio é de 50 a 60 centímetros. De hábitos diurnos ou noturnos, esses mamíferos se alimentam de formigas, insetos e ervas, embora algumas deles tenham predileção por restos putrefatos de outros animais. Mas a excelência da carne de algumas dessas espécies, que os entendidos julgam extremamente saborosa, sobretudo se for assada dentro da casca, as tornam alvo de uma caçada constante movida pelos interessados em degustá-la, o que vai tornando rara sua presença nos sertões do país. Entre elas incluem-se os conhecidos popularmente como tatu-bola, tatu-galinha, tatu-peba, tatu-de-rabo-mole e  tatu-canastra. 

 

Esta última – Priodontes giganteus – também chamada de tatu-gigante, tatu-açu e tatu-carreta, faz jus ao nome porque é a maior da espécie, podendo alcançar mais de um metro de comprimento (equivalente ao tamanho de um carneiro, aproximadamente), ter o corpo quase desprovido de pêlos (apresentando alguns fios duros e esparsos que aparecem entre as placas do seu revestimento), pesar mais de 50 quilos e apresentar de onze a treze cintas articuladas na parte mediana do corpo. As garras de suas patas dianteiras, com 15 centímetros de comprimento, são as maiores de qualquer animal de nossos tempos (na ilustração acima, um tatu-canastra).

 

Os tatus se escondem em buracos porque essa é a sua única forma de defesa. E ele faz isso muito bem, pois ao cavar joga a terra para trás, entupindo a entrada. O canastra, animal desdentado, possui grandes unhas dianteiras e por isso puxá-lo para trás não é fácil, porque ele não só parece grudar-se no chão com suas garras, como também estufa o corpo e se espreme contra as paredes do buraco (na ilustração, foto de Arnaud Desbiez /via BBC).

 

Notícia publicada nos jornais em 23/09/2011, revela que “Cientistas britânicos conseguiram capturar imagens de um raro tatu gigante no Pantanal brasileiro. As câmaras do zoológico de Chester foram colocadas pelos pesquisadores do Royal Zoological Society, da Escócia, na região de Nhecolândia (uma das oito sub-regiões do Complexo do Pantanal, localizada no Pantanal Sul, Mato Grosso do Sul, e localizada entre os rios Negro e Taquari).e fazem parte do Projeto Tatu Gigante”.

 

Continuando, diz o texto que “Depois de dez semanas de pesquisa de campo, os cientistas conseguiram encontrar e fotografar o animal. As fotos mostram o tatu saindo de uma toca. Apesar de a população de tatus gigantes, ou Priodonte maximus, estarem espalhadas pela maior parte da América do Sul, pouco se sabe sobre este animal devido ao seu comportamento discreto e a pouca densidade das populações, que raramente são vistas. O fato de o animal passar os dias embaixo da terra dificulta a observação, tornando os avistamentos raros. O tatu gigante pode atingir 1,5m de comprimento e pesar até 50 kg”.

 

Já há algum tempo essa espécie noturna de vida solitária é um desafio considerável para os cientistas que desejam estudá-la através da utilização de armadilhas fotográficas automáticas. Com o dobro do tamanho das espécies mais conhecidas, os tatus-gigantes têm uma distribuição desigual e passa o dia em tocas subterrâneas, razão pela qual e visto raramente. A União Internacional para Conservação da Natureza classifica este mamífero como vulnerável, considerando-o ameaçado pela perda de seu habitat e pela caça. Com o uso das câmeras automáticas os pesquisadores poderão estimar a densidade da população, investigar os padrões de suas atividades, além de monitorar o uso de suas tocas por outras espécies e aprender mais sobre seu comportamento social e reprodutivo.

 

Notável furador de buracos, o tatu-canastra escava grandes tocas onde se aloja quando não está andando em busca de comida, conseguindo, dessa forma, descansar e manter-se a salvo dos predadores. Revolvendo o solo com as patas dianteiras ele encontra os insetos, larvas, vermes, aranhas, cobras e cupins que lhe servem de alimento, mas por isso é acusado por produtores rurais de prejudicar suas plantações. A caçada que lhe é feita pelos homens, associada à transformação de seu hábitat natural em terras de aproveitamento agropecuário, colocaram-no na lista dos animais seriamente ameaçados de extinção, tanto que o prognóstico é o de que talvez seja ele um dos primeiros de nossa fauna a desaparecer.

 

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