Desertos - DESERTO DA PATAGÔNIA - Argentina

 

A Patagônia é uma região do extremo meridional da América do Sul, pertencente ao Chile e Argentina. Com área de quase 700.000km2 constituindo uma meseta estéril entre a Cordilheira dos Andes e o oceano Atlântico, ela foi avistada pela primeira vez em 1520, pelo navegador  Fernão de Magalhães, mas permaneceu praticamente inexplorada (salvo em 1839, quando Charles Darwin a visitou) até 1869. Após essa data, vários cientistas de diversos países lá estiveram.  

 

Segundo a tradição, seu nome teria sido dado por Fernão de Magalhães, que ao ver seus habitantes vestidos de peles, com cabelos hirsutos e pintura no rosto, estes teriam lhe lembrado Patagón, monstro com cabeça de cão citado no romance espanhol Amadís de Gaula, do século XVI. Ao longo dos séculos 17 e 18, ingleses e espanhóis disputaram a posse da Patagônia, que foi anexada à Argentina em 1884, após a Guerra do Deserto, contenda militar travada entre Peru, Bolívia e Chile, de 1879 a 1884. motivada pela posse de um território inabitado no norte do deserto do Atacama. Esta zona era bastante cobiçada por ser rico em nitrato de potássio, além de outros minerais como o cobre.

 

A Patagônia compreende as províncias argentinas de Neuquén, Río Negro, Chubut e Santa Cruz, que têm Comodoro Rivadavia, Puerto Deseado, Santa Cruz e Río  Gallegos entre suas cidades principais. Nela se encontra o maior deserto das Américas, que passou a ter maior importância econômica no século 19, quando pesquisadores descobriram abundantes recursos minerais em suas terras. Extenso e com  clima variado de semi-árido a glacial, a área é ocupada por população reduzida e esparsa. Os nativos são pouco numerosos e a colonização européia, iniciada no século 19, foi pouco significativa. No século 20 cresceu o número de imigrantes, sobretudo chilenos, atraídos por trabalhos temporários. A pecuária e a agricultura de cereais são suas atividades econômicas tradicionais, mas a maior riqueza é o petróleo, explorado nos campos de Comodoro Rivadavia, Plaza Huincul e Cartriel. O subsolo também é rico em ferro, cobre, urânio e manganês. Há quatro linhas ferroviárias de leste a oeste e uma rodovia federal litorânea até Buenos Aires, capital argentina.

 

Em seu livro Na Patagônia, Bruce Charles Chatwin (1940-1989), romancista e escritor de viagens inglês, relata que “O Deserto da Patagônia não é feito de areia ou pedregulhos, mas de moitas rasteiras, espinhentas, com folhas cinza, que exalam um cheiro amargo quando esmagadas. Diferentemente dos desertos da Arábia, não acarretou nenhum excesso dramático do espírito, mas ocupa um lugar no registro da experiência humana. Charles Darwin achou irresistíveis suas qualidades negativas. Ao recapitular a viagem do Beagle, tentou, infrutiferamente, explicar por que, mais do que qualquer uma das maravilhas que vira, aquelas ‘extensões áridas’ provocaram tão funda impressão em sua mente. Na década de 1860 W.Hudson veio até Río Negro à procura de aves migratórias que passavam o inverno na região da La Plata, onde ele residia. Anos mais tarde recordou a viagem, filtrada pela pensão em que vivia, em Notting Hill, e escreveu um livro tão plácido e sadio que, perto dele, Thoreau parece um orador exaltado. Hudson dedica um capítulo inteiro de ‘Idle days in Patagonia’ (Dias de lazer na Patagônia) a responder à indagação do senhor Darwin, e chega à conclusão de que as maravilhas do deserto descobrem em si mesmas uma tranqüilidade primordial (também conhecida pelo mais simples dos selvagens), que é talvez idêntica à Paz do Senhor. Na época da visita de Hudson, Río Negro era a fronteira setentrional de um reino inusitado, o qual até hoje mantém uma corte no exílio em Paris”

 

O território do Deserto da Patagônia é formado por um extenso planalto com altitude média de 500 metros, e uma estreita faixa ocidental montanhosa que recebe o nome de Andes Patagônicos. A altitude varia de noventa metros, junto à costa atlântica, a 900 metros nas faldas dos Andes, em elevação gradativa. Seu clima é quente durante o dia e frio à noite, mas seco ao longo do ano. A fauna, escassa, é formada por animais pequenos e outros que com o tempo foram se adaptando ao clima local. Apesar de seca e não ter um índice pluviométrico relevante, a região possui alguns lagos que conservam água durante quase todo o ano, servindo de fonte de vida tanto para os habitantes da região quanto para os animais que lá habitam.

 

Registros antigos dão os tehuelches, também chamados de patagões ou patagônios, como primitivos habitantes da Patagônia. Supõe-se que a história desse povo tenha mais de 14.500 anos, mas seu estilo de vida nômade redundou em escassas evidências arqueológicas de seu passado. É possível que as histórias dos primeiros exploradores europeus sobre o Patagones, uma raça de gigantes na América do Sul, sejam baseados nos Tehuelches, isso porque eles eram muito altos. A primeira menção a essas pessoas veio de Fernão de Magalhães e seus marinheiros, que alegaram tê-los avistado quando exploravam a costa da América do Sul a caminho de sua circunavegação do mundo, em 1520. Antonio Pigafetta, um dos dezoito sobreviventes dessa expedição, escreveu em seu relato sobre o encontro com esses nativos, que eles tinham o dobro da altura de uma pessoa normal:

 

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