Bebidas - ABSINTO
ABSINTO
Absinto é uma bebida alcoólica que foi largamente usada na França até o ano de 1915, quando o governo daquele país proibiu a sua fabricação e o seu consumo em virtude dos grandes males - como doenças nervosas, dores de cabeça, etc. - que causava aos que a bebiam. Ela é feita a partir da erva Artemisia absinthium, conhecida popularmente como losna, uma planta herbácea e aromática cujo nome vem do grego e significa “privado de doçura”. E ela é, realmente, tão amarga, que a Bíblia a menciona em diversas passagens como símbolo das dificuldades e tristezas da vida.
Em Deuteronômio (29:18), por exemplo, está escrito que “não haja entre vós, homem ou mulher, família ou tribo, cujo coração se desvie hoje do Senhor, nosso Deus, para oferecer culto aos deuses dessas nações; não haja entre vós raiz que produza cicuta e absinto”. Em Provérbios (5.4), a citação é a seguinte: “No fim, porém, é amarga como o absinto, aguda como a espada dee dois gumes”. O mesmo acontece em Jeremias (9:14): “Eis o motivo pelo qual, disse o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, vou alimentá-lo com absinto, e lhe darei de beber água pestilenta”. Em Apocalipse (8.11): “O nome da estrela era Absinto. Assim, uma terça parte da águas transformou-se em absinto, e muitos homens morreram por ter bebido dessas águas envenenadas”. E outras mais.
A história registra que a bebida transparente e de cor verde pálida, ou castanho claro quando envelhecida, foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet, na Suíça, por volta de 1792. Mas na verdade, as propriedades medicinais da losna já eram conhecidas bem antes disso, nos tempos antigos, pelos moradores das regiões semi–áridas e temperadas de seu habitat. Tanto que essa capacidade foi citada em texto de Dioscórides, autor greco-romano considerado o fundador da Farmacognosia em razão de sua obra De materia medica, que foi, do século 1 ao século 18, a principal fonte de informação sobre drogas medicinais. Farmacognosia é o ramo mais antigo das ciências farmacêuticas, e tem como alvo o estudo dos princípios ativos naturais, sejam animais ou vegetais.
Em virtude de sua graduação alcoólica que varia entre 40% e 85%, ela tornou-se a preferida dos artistas parisienses durante a chamada Belle Époque, um período de cultura cosmopolita na história da Europa que começou no terço final do século 19 e durou até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Ao longo dessa fase de grande consumo, muitos a chamavam de Fada Verde em virtude do suposto efeito alucinógeno que proporcionava aos consumidores, o que lhe acarretou maior popularidade e contribuiu para sua legalização em vários países europeus.
Outro fator que no final do século 19 influenciou o aumento de consumo de absinto surgiu quando a filoxera (Phylloxera vastatrix), um inseto sugador de seiva, destruiu a maior parte dos vinhedos da Europa, abrindo com isso o mercado para as outras bebidas. Mas essa procura maior, associada à potência alcoólica e poder alucinógeno do absinto, levou à proibição de sua venda em diversos países, embora em muitos casos sua graduação alcoólica tenha sido rebaixada para evitar que o produto fosse retirado do mercado.
Além dos males causados à saúde popular, o absinto foi responsável pelo aumento da criminalidade. A conseqüência foi que em 1908, na Suíça, 63,5% dos eleitores votantes aprovaram a proibição de sua venda, sendo a lei nesse sentido aplicada em 1910. Outros países acompanharam essa decisão do povo suíço: primeiramente os Estados Unidos, em 1913, acompanhado em seguida por quase toda Europa. Apenas a Espanha, Portugal, Dinamarca e e Inglaterra mantiveram a permissão para o seu consumo, desde que a bebida fosse produzida com quantidade limitada de thujone, o princípio ativo componente da losna, que leva toda a culpa pela fama de alucinógeno que a acompanha a bebida.
Hoje em dia o absinto tradicional é feito de anis, erva-doce e losna, mas há diversas receitas que acrescentam outras ervas e flores à mistura. Em doses muito altas ele pode ser tóxico, realmente, mas no produto atualmente fabricado não há quantidade suficiente desse composto químico que possa fazer mal a quem o beber. Em 1999 o empresário Lalo Zanini a trouxe para o Brasil, cuidando, porém, de legalizá-la no mesmo ano com o teor alcoólico de 54° GL adaptado à legislação brasileira. De lá para cá, não existem informações disponíveis sobre os números de sua comercialização no país.





