Legumes e Hortaliças - MANDIOCA
MANDIOCA
A mandioca, também conhecida como macaxeira ou aipim, é uma planta perene, arbustiva, pertencente a família das Euforbiáceas. Sua parte mais importante é a raiz, rica em fécula e utilizada na alimentação humana e animal, ou então como matéria prima para diversas indústrias. Originária da América do Sul, já na época do início da colonização européia ela fazia parte da alimentação básica das culturas indígenas.
Quando ainda em seu estado selvagem original, ela foi domesticada pelos indígenas sul-americanos em tempos muito antigos, provavelmente em algum ponto do interior do atual estado brasileiro. Essa domesticação significou o aprendizado de sua técnica de plantio (enterrando pedaços de seu caule no solo). A abundância de carboidratos propiciada pelo seu cultivo possibilitou o surgimento de grandes nações indígenas nas regiões tropicais americanas.
Quando os colonizadores europeus chegaram em terras brasileiros no alvorecer do século 16, aprenderam com os indígenas as técnicas de utilização da mandioca. A "farinha de pau", como era chamada a farinha que se fazia com ela, passou a ser um alimento básico dos marinheiros europeus que viajavam pela costa americana. Os bandeirantes que desbravaram o interior da América do Sul em busca de escravos índios, pedras e metais preciosos entre os séculos 16 e 18, tinham por alimentação básica a farinha de mandioca e a carne-seca. A partir de então, passou a integrar a alimentação diária da maioria dos brasileiros, sobretudo na forma de farinha.
Os navegadores europeus foram responsáveis pela introdução da mandioca no continente africano a partir do século XVI. Encontrando condições climáticas semelhantes às de seu território de origem, a mandioca se espalhou pelo continente africano, tornando-se um ingrediente típico da culinária africana. Com o aumento da imigração européia para o continente americano a partir do século 19, o cultivo e o consumo da mandioca na América foram, em grande parte, substituídos pelos de espécies vegetais importadas, como o trigo e o arroz.
Existem dois tipos de mandioca: a doce, também chamada de mansa e que pode ser consumida cozida, frita ou assada, e a brava, que possui uma grande quantidade de ácido cianídrico, ou cianureto, uma substância tóxica que se ingerida pode até causar a morte. Tanto uma variedade quanto a outra contêm esta substância, e o que as diferencia é apenas a quantidade. Como é muito difícil distingui-las, ao descascar a mandioca é muito importante retirar a parte mais espessa que fica imediatamente abaixo da casca, pois é nessa região do tubérculo que se concentra o cianureto. Geralmente, a mandioca brava é utilizada para fazer farinha porque, dessa forma, como o cianureto é uma substância volátil, se dilui durante o processo de torrefação, deixando de oferecer riscos.
O cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos para milhões de pessoas, essencialmente nos países em desenvolvimento. O Brasil, que possui aproximadamente dois milhões de hectares dessa cultura, é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca. A região Nordeste tradicionalmente caracteriza-se pelo sistema de policultivo, ou seja, mistura de mandioca com outras espécies alimentares de ciclo curto, principalmente feijão, milho e amendoim.
Atualmente a demanda de amido de mandioca (fécula) tem crescido de forma substancial, principalmente pelo setor industrial a exemplo da utilização de fécula na mistura de farinha de trigo para fabricação de pães, objetivando reduzir as importações de trigo, gerando divisas para o país.
A mandioca constitui um alimento energético para milhões de pessoas no mundo inteiro, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde é cultivada por pequenos agricultores em áreas reduzidas e com baixa produtividade. Além do amido, contém razoáveis teores de vitaminas do complexo B, principalmente a Niacina, que estimula o apetite, promove o crescimento e conserva a saúde da pele. Sais minerais como o Cálcio, o Fósforo e o Ferro, que participam da formação dos ossos, dentes e sangue, também estão presentes nessa raiz.
A mandioca apresenta uma série de vantagens em relação a outros cultivos, tais como: fácil propagação, elevada tolerância a longas estiagens, rendimentos satisfatórios mesmo em solos de baixa fertilidade, pouca exigência em insumos modernos, potencial resistência ou tolerância a pragas e doenças, elevado teor de amido nas raízes, boas perspectivas de mecanização, do plantio à colheita, sem grandes perdas na matéria seca. Permite, também, consórcio com inúmeras plantas alimentícias e indústrias
Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor mundial, com 12,7% do total, sua produtividade média é baixa, somando 11,5 t/há. O destaque pertence ao estado de São Paulo, com 23t/ha. Observa-se uma grande diferença no desempenho da cultura entre as regiões brasileiras, o que é explicado, principalmente, pelos sistemas de manejo inadequados, pela pouca orientação para o mercado, e por causa da baixa ou da alta produtividade das variedades cultivadas. A região Nordeste, tradicionalmente, caracteriza-se pelo sistema de policultivo, ou seja, mistura de mandioca com outras espécies alimentares de ciclo curto, principalmente feijão, milho e amendoim.
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