Cidades - PEDRAS DE MARIA DA CRUZ - Minas Gerais

PEDRAS DE MARIA DA CRUZ

Minas Gerais

 

Nas primeiras décadas do século 16 não havia homens brancos nas margens do rio São Francisco. Como as embarcações marítimas não eram apropriadas para a navegação fluvial em águas correntes, foi necessário um longo processo de adaptação, inclusive assimilação de técnicas indígenas, como a confecção de canoas feitas dos troncos das árvores. Com o aperfeiçoamento das embarcações, missionários e portugueses espalharam-se pelos afluentes do São Francisco iniciando sua colonização, datada dos primórdios da mineração do ouro e do diamante (início do século 18).

 

Nessa época os chamados cristãos novos ocuparam o norte de Minas com fazendas agropecuárias nas quais realizavam diversos ofícios: tecelagem, artefatos de couro, móveis e utensílios de madeira e taquara, doces, queijos, farinhas e uma produção agrícola que englobava milho, feijão, arroz, mandioca e frutas. Esse foi o marco inicial na colonização do norte de Minas, onde surgiram várias comunidades ao longo do São Francisco. Inclusive Pedras de Maria da Cruz, cuja história é exemplo disso.

 

E essa história foi contada por Maria Coeli Simões Pires, Secretária de Estado da Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas Gerais, que em 05/12/2011, ao receber a Medalha das Gerais – Matias Cardoso e Maria da Cruz, incluiu em seu discurso de agradecimento o seguinte trecho: “Descendente de nobre família, Isabel Maria da Cruz Porto Carrero desde cedo mostrou real interesse em participar da vida pública, tendo se dedicado à formação educacional das pessoas, principalmente daqueles de classes menos favorecidas. Casando-se com Pedro Cardoso de Oliveira, um sobrinho do bandeirante Mathias Cardoso de Almeida, que havia fixado residência na região, enviuvou ainda nova, com três filhos, assumindo, então, a administração da Fazenda do Capão, imenso latifúndio que se perdia no sertão do rio São Francisco. Ela ali se instalou, destacando-se em pouco tempo por suas ações políticas e influência junto às comunidades, conquistando facilmente a consideração e amizade de todos. Liderou os moradores do Brejo do Salgado, hoje Januária, que ao serem instados para o pagamento do “quinto”, se amotinaram e tomaram o arraial de São Romão em 14 de junho de 1736. Sob o comando de Maria da Cruz, de seu filho Pedro Cardoso de Oliveira, e de seu cunhado, Domingos Prado de Oliveira, os revolucionários destituíram os governantes, constituindo novas autoridades. Derrotada a insurreição, Maria da Cruz foi presa e conduzida para interrogatório na Bahia. Foi finalmente salva pelas próprias obras sociais que realizava e pela ação educadora que desenvolvia junto às camadas mais pobres da população. Como o Vigário Geral da Bahia tinha conhecimento das ações sociais desenvolvidas por Maria da Cruz, intercedeu junto às autoridades para conseguir a sua libertação, que lhe foi afinal concedida pelo então governador Martinho Mendonça. Mas a mesma graça não foi estendida a seu filho Pedro,  degredado pela Coroa portuguesa”.

 

Foi em terras da fazenda de Maria da Cruz que surgiu, em data incerta, o povoado de Pedras de Baixo, elevado à condição de distrito pela Lei Estadual 556 de 30/08/1911, com o nome de Pedras de Maria da Cruz, subordinado ao município de Januária. Sua emancipado ocorreu em 27/04/1992 pela Lei Estadual 10704, e a instalação ocorreu em 01/01/1993. A divisão territorial datada de 1997 esclarece que o município é constituído de dois distritos - Pedras de Maria da Cruz e São Pedro das Tabocas -  assim permanecendo até agora.

 

O município de Pedras de Maria da Cruz, inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco, tem área total de 1.520km2, e sua população, de acordo com o Censo do IBGE, de 2010, é de 10.976 pessoas, sendo 4.633 homens e 6.343 mulheres. Desses, 6.146 residem na zona urbana, e 4.830 na rural. A densidade demográfica do município é, portanto, de 7,22 habitantes/km2. Sua altitude máxima é de 776 metros, e a mínima, 476 metros.

 

O Jornal O Globo, em sua edição de 02/03/2009, informou que o Brasil ganhara 1.296 novas cidades em apenas oito anos. Uma delas era Pedras de Maria da Cruz, em Minas, “que se separou de Januária e virou uma cidadezinha pobre, sem indústria e com agricultura só familiar”. O texto diz, ainda, que “Os poucos turistas que aparecem para pescar no Rio São Francisco se hospedam em um hotelzinho modesto, onde a água falta religiosamente cinco dias por semana (...).  Não há delegacia, agências bancárias nem calçamento nas ruas de Pedras de Maria da Cruz. Dezesseis anos depois da emancipação, só o que melhorou na cidade foi o número de moradores: passou de 8 mil para 12 mil. Não sobra dinheiro dos cofres públicos nem para construir a sede própria da prefeitura, que ainda funciona em um hospital desativado. E tem mais. O esgoto corre a céu aberto. E a frota escolar está em péssimo estado”.

 

E o jornal prossegue: “A história de Pedras de Maria da Cruz começou a ser contada em Brasília, quando a Constituição "cidadã" permitiu a criação de novos municípios. De consulta em consulta, de votação em votação, o país ganhou 1.296 novas cidades em apenas oito anos. Uma nova cidade quer dizer uma nova prefeitura (e seus 300 funcionários, no caso em questão), novas secretarias, uma nova Câmara Municipal e um prefeito, secretários, vereadores e, para cada um deles, cargos de confiança. E salários para todo mundo. Sem contar as verbas de gabinete, os carros oficiais, a gasolina. (...).Quem não tem base econômica, passa o chapéu em Brasília. É o Fundo de Participação dos Municípios, que garante os poucos recursos de um lugar como Pedras de Maria da Cruz, onde nem o IPTU é cobrado porque as construções são quase todas clandestinas. A cidade vive com pouco menos de R$ 500 mil reais por mês. Desse total, R$ 400 mil são repasses do FPM, 80% da renda da cidade. (...).Pedras de Maria da Cruz se emancipou e não depende mais de Januária, mas, como toda adolescente, há 16 anos a cidade vive da mesada de Brasília para pagar as contas”.


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