Período republicano - 1896 - GUERRA DOS CANUDOS - Bahia
1896 - GUERRA DOS CANUDOS
Bahia

A chamada Guerra de Canudos foi o confronto entre um movimento popular de fundo sócio-religioso e o exército da República recém-criada. .Ocorrida em Canudos, no sertão da Bahia, entre novembro de 1896 e outubro de 1897, a guerra foi motivada pela concentração de fanáticos religiosos chefiados por Antônio Conselheiro (na ilustração), em uma antiga fazenda de gado.
Canudos era uma pequena aldeia surgida durante o século 18 às margens do rio Vaza-Barris, que nasce próximo ao município de Uauá, não muito distante, e vai desaguar em Sergipe. Com a chegada de Antônio Conselheiro, em 1893, ela passou a crescer aceleradamente, chegando a contar, em poucos anos, com uma população que se acredita ter beirado os 25 000 habitantes. Antônio Conselheiro rebatizou o local de Belo Monte, apesar de estar situado num vale, entre colinas.
Diante do temor manifestado pela população sertaneja da região, o governo da Bahia enviou em maio de 1895 dois capuchinhos ao núcleo dos seguidores do pretenso milagreiro, na tentativa de resolver o problema por meios persuasivos, mas os religiosos não foram bem sucedidos.
Mais adiante, ao correr o boato de que os jagunços atacariam a cidade baiana de Juazeiro em busca de material para a construção de uma igreja, as autoridades municipais requisitaram a força policial. No dia 12/11/1896 o tenente Manuel da Silva Pires Ferreira chegou à frente de cem praças, tendo sido atacado no arraial de Uauá por mais de 3 mil jagunços de facão em punho.
A segunda expedição seguiu 13 dias depois, comandada pelo major Febrônio de Brito, com 543 praças, 14 oficiais, dois canhões Krupp e duas metralhadoras, mas foi massacrada pelos fanáticos. Diante da repercussão negativa do fato, seguiu-se uma terceira expedição, já agora federal, composta por 1.300 homens bem armados, comandados pelo coronel Moreira César. Após vários combates o próprio Moreira César foi vítima dos rebeldes, que levaram com eles quatro canhões Krupp e muita munição.
O novo desastre de Canudos abalou a nação e resultou numa grande afluência de voluntários dispostos à luta. Constituíram-se numerosos batalhões que foram dispostos em duas colunas, sob o comando do general Cláudio do Amaral Savaget, tendo este iniciado o bombardeio de Canudos em 27/6/1897. A campanha se arrastou por meses, e as forças legalistas, diante dos parcos resultados, começaram a se ressentir das deserções numerosas. Finalmente, uma quinta expedição com 3 mil combatentes,
chefiada pelo ministro da Guerra, general Carlos Machado Bittencourt, partiu para a Bahia. Após a concentração das tropas em Queimados e Monte Santo, finalmente foi ordenado o ataque ao reduto dos jagunços.
No dia 2 de outubro os rebelados encaminharam ao acampamento dos legalistas umas trezentas pessoas, entre mulheres, crianças e velhos, e assim desembaraçados da população não combatente, duplicaram sua resistência. Mas os militares federais estavam dispostos a reduzi-los à impotência pela fome, e por isso apertaram o cerco implacavelmente, até que no dia 5, o arraial caía, colocando ponto final na luta. Mas os vencedores não conseguiram aprisionar um só jagunço, porque eles haviam resistido até o esgotamento absoluto.
A epopéia de Canudos se tornou conhecida em todo o mundo através das páginas de Os Sertões, de Euclides da Cunha. A ilustração acima é uma reprodução de foto tirada por Flávio de Barros, que chegou a Canudos em 1897 e acompanhou a ofensiva final de 1 de outubro. Ela integra o acervo do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (IPHAN/SR – BA)






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