Temperos - GENGIBRE
GENGIBRE
A utilização do gengibre na culinária tem suas origens nas mais antigas civilizações. Os chineses já a usavam no século 6 a.C., e os comerciantes árabes, antes do primeiro da nossa era, introduziram a especiaria na região do Mediterrâneo. O gengibre é originário da ilha de Java - a segunda maior em tamanho, mas a principal ilha da Indonésia porque é nela que se situa Jacarta, a capital do país – e de lê se difundiu pelo mundo. Quando chegou à Europa vindo do Oriente Médio com as Cruzadas, em pouco tempo já era um ingrediente presente em quase todas as receitas de um livro de culinária datado de 1390, da corte da rainha da Inglaterra.
Os colonizadores espanhóis trouxeram o gengibre para o Novo Mundo no século 16, mas hoje ele é cultivado principalmente na faixa litorânea do Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e no sul de São Paulo, em razão das condições de clima e de solo mais adequadas. Trata-se de uma planta perene da Família das Zingiberáceas, que pode atingir mais de 1 m de altura. As folhas verde-escuras nascem a partir de um caule duro, grosso e subterrâneo (rizoma). As flores são tubulares, amarelo-claro e surgem em espigas eretas.
A família das zingiberáceas inclui o gengibre e duas especiarias – o cardamomo e o açafrão-da-Índia - , bem como a banana, uma prima distante. O cardamomo é bastante usado na culinária tropical. Já o açafrão-da-Índia, principal ingrediente do curry em pó, é também utilizado na Ásia para tingir tecidos com uma cor amarelada, e no Ocidente, como corante para algumas margarinas e laticínios.
Aromatizante versátil, o gengibre é delicioso tanto nos pratos picantes do Brasil ou da Ásia, , como nos doces e nas bebidas de outros países. Seu sabor varia conforme o uso. A raiz fresca, chamada rizoma, tem um sabor delicado e leve, enquanto o sabor da raiz cristalizada é mais concentrado. Os pratos com gergelim em pó podem ser levemente ou muito picantes, dependendo da receita.
O gengibre fresco é amplamente utilizado na China, no Japão, na Indonésia, na Índia e na Tailândia. No Japão costuma-se usar o suco (do gengibre espremido) para temperar frango e preparar certo tipo de conservas que têm o nome de. "beni shouga". Já o gengibre cristalizado é um dos confeitos mais consumidos no Sudeste Asiático. Graças ao seu alto poder bactericida, tem-se comprovado que o consumo desta planta crua, por cerca de 30 dias (pode-se moer e acrescentar adoçante, mel, etc.) elimina de vez a bactéria Helicobacter pylori existente em casos de gastrite ou úlceras.
O gengibre é também um ingrediente tradicional na medicina popular, porém ainda são necessárias investigações mais detalhadas que comprovem cientificamente os efeitos dessa raiz. Enquanto isso não acontece, uma boa maneira de aliviar os calafrios e a congestão de um resfriado é preparar um chá de gengibre da seguinte forma: deixe ferver alguns pedaços da raiz por 10 minutos, e para dar um sabor picante coloque uma pitada de canela.
Antes da descoberta dos analgésicos e relaxantes musculares, as mulheres inglesas usavam o vinho de gengibre como remédio para as cólicas menstruais. Contudo, o efeito do vinho pode não estar ligado ao gengibre, mas sim devido ao álcool em que ele foi macerado. O álcool é conhecido como relaxante dos músculos lisos, inclusive da musculatura uterina. No entanto, os efeitos do gengibre sobre os músculos são ainda desconhecidos.
As várias formas de apresentação do gengibre – em bebidas não-alcoólicas, em cápsulas e raízes cristalizadas – são utilizadas para combater as náuseas e vômitos relacionados ao enjôo em viagens, prática muito comum na Alemanha. Uma pesquisa recente mostrou que o gengibre é bastante eficaz nessas situações, e nãom provoca a mesma sonolência que os remédios recomendados para essa finalidade.
O gengibre cristalizado e as bebidas não-alcoólicas à base dessa raiz, aliviam os enjôos típicos da gravidez, a náusea decorrente de intoxicação alimentar, de gastroenterite ou da quimioterapia contra câncer. O gengibre também pode ser encontrado em cápsulas, cuja vantagerm é a de não irritar a mucosa da boca.
Fonte: Alimentos Sadios – Alimentos Perigosos





