A a D - CABEÇA-DE-BAGRE

CABEÇA-DE-BAGRE

 

Os bagres são peixes de couro (não têm escamas), com formato alongado e achatado na parte inferior. Deles existem 2.200 espécies agrupadas em quase 40 famílias, das quais somente duas são marinhas. Ao invés de dentes eles têm em sua cavidade bucal placas ósseas providas de pequenos espinhos muito unidos, que funcionam como lima. Por esse motivo são obrigados a alimentar-se de detritos orgânicos que encontram no fundo dos rios e córregos, juntamente com vermes que vivem no lodo. Todavia, alguns desses grupos familiares são carnívoros.  

 

Embora presentes em quase todo o mundo, mais da metade das suas espécies conhecidas são nativas da América do Sul, a maioria com hábitos de vida noturnos, vivendo próximo ao fundo de águas escuras e pouco profundas. Seu tamanho é extremamente variado, indo dos que medem poucos centímetros a outros de tamanho bem maior. Possuem  coloração azul-prateada no dorso, abdômen amarelo ou branco, podendo atingir cerca de 800 gramas de peso, aproximadamente, e tamanho de 25 a 30 centímetros. O corpo alongado é achatado na parte inferior.

 

Nas regiões de cultura norte-americana e demais países anglo-saxões, o termo utilizado para designar esta espécie é catfish (peixe-gato, em português), em decorrência dos bigodinhos de função sensorial que possuem ao redor da boca. Como eles lembram os de um felino, vem daí a origem do nome.

 

O bagre tem uma cabeça grande, desproporcional em relação ao resto do corpo, mas com um cérebro bem diminuto. Dada essa característica foi que surgiu, então, a expressão popular cabeça-de-bagre, aplicada às pessoas dotadas de pouca inteligência, limitadas na execução das tarefas que lhes são atribuídas, dando idéia, portanto, de pessoa sem juízo, tresloucada e sem critério. Em outras palavras, o indivíduo estúpido, idiota, imbecil, o que também equivale ao sujeito incapaz de aprender algo, ou que tem extrema dificuldade para isso. O que, nesse caso, se trata de grande injustiça aos dois animais porque o burro e o bagre pagam o pato e carregam a fama.

 

Em texto publicado na edição de outubro/2011, sobre a “burrice” humana, a revista Super informa que “Cientistas austríacos fizeram perguntas de conhecimentos gerais a 81 voluntários. Metade dessas pessoas tinha acabado de ler um texto que conta a história de um homem burro - e elas se saíram pior no questionário por causa disso. Isso supostamente acontece porque as pessoas se identificam com os personagens que encontram”.


Há algumas dezenas de anos essa expressão foi aproveitada para classificar o jogador de futebol que merece ser chamado de qualquer outra coisa, me nos de praticante desse esporte. Segundo o site www.webgalo. comze.com “Muita gente pensa que o termo “cabeça-de-bagre”, usado no futebol para definir um jogador ruim, sem a menor técnica, tenha sido criado pelo folclórico misto de jornalista e técnico João Saldanha. Mas não foi. A invenção foi de Olavo Leite “Kafunga” Bastos, considerado até hoje o melhor goleiro que vestiu a camisa do Clube Atlético Mineiro, em todos os tempos, apesar de seu 1,75 m. De acordo com o “Aurélio”, “cabeça-de-bagre”, uma gíria antiga, quer dizer indivíduo estúpido, idiota, imbecil. Faz o maior sentido, pois o bagre tem a cabeça oca e não serve para nada”. 

 

Diz o referido texto que “Olavo Leite Bastos(7/8/1914 – 17/11/1991) mais conhecido por seu apelido Kafunga, foi talvez o maior goleiro que o Galo já teve. Seu apelido foi dado pelo tamanho de nariz que o fazia fungar. Daí surgiu Kafunga. A história de Kafunga no Atlético começou em um jogo em que ele tomou 10 gols! Isso mesmo, Kafunga levou 10 gols em um jogo em que a Seleção Mineira derrotou a Seleção do Estado do Rio. Mesmo assim o goleiro se destacou fazendo grandes defesas. No ano de 1933 o Atlético pagou 80 mil-réis e fez com que o goleiro se mudasse para Minas Gerais para sempre. Quando parou de jogar, “Kafunga” não conseguiu ficar fora do futebol, e por isso foi gerente e técnico (1961) do Atlético e depois comentarista esportivo de rádio, jornal e TV em Belo Horizonte. Dono de grande popularidade, não teve dificuldade para se eleger vereador por quatro mandatos e depois deputado estadual. Inteligente e mordaz soube criar muitas expressões que entraram para o vocabulário futebolístico nacional”.

 

“Além do cabeça-de-bagre, achou inspiração para muitas outras frases que são repetidas até hoje; No Brasil o errado é que está certo, para criticar algumas coisas do esporte ou fora dele; Não tem corê-corê; gol barra limpa ou barra suja, quando o lance era legal ou não; Isso é lá dos tempos de mil e novecentos e Kafunga, quando queria dizer que uma coisa era muito velha; vap-vupt , para o que era feito de qualquer jeito; despingolar, sair correndo, evadir-se, desvencilhar-se; tá no filó, gol, bola na rede; e FAO - Força Atleticana de Ocupação.

 

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.