E a H - ENCHER LINGUIÇA
ENCHER LINGUIÇA
A linguiça é um enchido (embutido) de carne de porco fresca (ou de vaca, carneiro, ave e até mesmo peixe), picada com gordura e temperada com sal, cebola, alho e especiarias diversas. Ela pode ser consumida fresca, logo após o cozimento do produto, ou depois de sofrer processo de cura e conservação por meio de defumação. Isso não é novidade para ninguém.
Fazê-la em casa também não é difícil, embora seja trabalhoso. Existem muitas receitas publicadas em livros e revistas especializadas na área de alimentação, o que permite a qualquer um prepará-la, caso queira, usando tripa natural ou artificial.
No interior do Brasil de antigamente a carne de animais domésticos para consumo humano, com exceção de frangos e galinhas, não era encontrada com facilidade. Por isso a criação caseira de porcos tornou-se uma alternativa praticamente obrigatória, pois o abate de um deles (o capado, geralmente um macho castrado e destinado à engorda) trazia a abundância de proteína animal e gordura usada na alimentação familiar. Entre as opções de seu consumo e armazenamento estava a lingüiça, para cuja produção eram aproveitadas as carnes de menor valor do porco sacrificado, que misturadas com toucinho enchiam as tripas onde o produto era embalado.
Esse era um procedimento até certo ponto demorado, ao contrário do que acontece modernamente nas indústrias alimentícias que preparam diferentes tipos de lingüiça graças um método de fabricação bastante criterioso e às maquinas embutidoras criadas especialmente para essa finalidade. O que não deixa esquecida a lembrança da espirituosa frase do estadista alemão Otto von Bismarck: "Ah, se as pessoas soubessem como são feitas as leis e as linguiças"..
Como redundância dessa atividade doméstica surgiu a expressão idiomática “encher linguiça”, nascida no Rio de Janeiro e muito usada em outros estados da região Sudeste e no Sul, geralmente quando alguém fica estendendo um assunto com detalhes ou questões sem a menor importância. Segundo Ari Riboldi, professor, escritor e pesquisador de línguas e expressões, “a expressão serve para definir o ato de enrolar, como quando alguém faz um discurso longo e vazio, desprovido de idéias e conteúdo, com o intuito de gastar ou ganhar tempo”. Também serve para o ato de escrever, quando o fazemos de forma redundante, com muitos rodeios e pouco foco. Um dos sinônimos mais famosos dessa frase-feita é a expressão “conversa pra boi dormir”.
Na linguagem popular, “encher lingüiça” traduz, portanto, a intenção de alguém em enganar terceiros valendo-se de manha, astúcia e fala adocicada, para conseguir dos mesmos os agrados e favores que pretende. A expressão também é usada quando alguém fica estendendo um assunto com detalhes ou questões sem importância, ou quando arranja um assunto desinteressante para impressionar alguém.
Os políticos brasileiros de todos os níveis são avaliados pela maioria do público como grandes “enchedores de lingüiça”, embora sejam regiamente recompensados por esse desempenho mostrado a toda hora nos informativos da imprensa. Os leitores porventura interessados em ingressar nessa sinecura podem iniciar seu aprendizado valando-se do manual universal do Discurso Político-Tecnocrático, que há tempos foi publicado originalmente por um governo estrangeiro.
Seu domínio é muito simples. O discurso do candidato a político começa sempre pela 1.ª casa da 1.ª coluna, passando depois, em seqüência, para qualquer outra casa da 2.ª, 3.ª e 4ª colunas. Em seguida, volta para qualquer casa da 1ª coluna (exceto a 1ª casa), e assim por diante, de coluna em coluna, apenas mantendo a ordem I, II, III e IV. Dessa forma consegue-se material para um discurso pomposo e totalmente inócuo, que pode durar um bom tempo.
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I |
II |
III |
IV |
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Caros colegas |
A execução das metas do programa |
nos obriga à análise |
das condições financeiras e administrativas exigidas |
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Por outro lado, |
a complexidade dos estu- dos efetuados |
cumpre um papel essencial na formulação |
das diretrizes de desenvol- vimento para o futuro |
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Assim mesmo, |
a constante expansão de nossa atividade |
exige a precisão e a definição |
do sistema de participação
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No entanto, não podemos nos esquecer que |
a estrutura atual da organização |
auxilia a preparação e a composição |
das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. |
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Do mesmo modo, |
o novo modelo estrutural aqui preconizado |
garante a contribuição de um grupo importante na determinação |
das novas proposições.
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A prática cotidiana prova que |
o desenvolvimento contínuo de distintas formas de atuação |
assume importantes posições no estabelecimento |
das direções preferenciais no sentido do programa. |
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Nunca é demais provar o peso destes problemas, uma vez que |
a constante divulgação de informações |
facilita a criação |
do sistema de formação de quadros que corresponda às necessidades. |
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As experiências acumuladas demonstram que |
a consolidação das estruturas |
obstaculiza a apreciação da importância |
das condições inegavelmente apropriadas. |
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Acima de tudo, é fundamental ressaltar que |
a consulta aos diversos militantes |
oferece uma interessante oportunidade para verificação |
dos índices pretendidos
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O incentivo no avanço tecnológico, assim como
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o início da atividade geral de formação de atitudes |
acarreta um processo de reformulação e modernização |
das formas de ação.
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