N a Q - NÓ GÓRDIO
NÓ GÓRDIO
A expressão “nó górdio” significa dificuldade insuperável, nó que não se consegue desatar, problema difícil de ser resolvido. Sua origem é bem antiga, remonta ao século 8 a.C., época em que o rei da Frigia (situada em terras hoje pertencentes à Turquia, no extremo ocidental da Ásia) era Mita, ou Midas - mas não o que transformava em ouro tudo em que tocava -, que parece ter tido boas relações e laços comerciais estreitos com os gregos, tanto que supostamente casou-se com uma princesa desse povo, de nome Eólias.
A mitologia grega conta que Mita morreu sem deixar herdeiros. Ao ser consultado sobre quem deveria sucedê-lo, um sacerdote do oráculo local esclareceu que este seria aquele que estava para chegar à cidade em seu carro de bois. Essa profecia foi cumprida por um camponês chamado Górdio, homem humilde que trazia para vender produtos colhidos por ele no lugar onde morava, para poder assim adquirir o que precisava levar para casa. Coroado como o novo rei da Frígia, Górdio não renegou o seu passado, e por isso colocou no templo de Zeus a carroça que o trouxera à povoação, amarrando-a a uma das colunas do templo e completando seu trabalho com um nó impossível de ser desatado. O que o deixou famoso.
Górdio reinou por muito tempo, e após sua morte seu filho Midas (na ilustração) assumiu o trono. Sobre este conta-se que o deus Dionísio, em sinal de gratidão pela maneira cordial com que seu mestre Sileno fora tratado pelo soberano, prometeu dar-lhe tudo quanto este pedisse. Midas solicitou-lhe, então, que se transformasse em ouro tudo o que tocasse; mas quando sentou-se à mesa para almoçar, logo compreendeu como fora infeliz na escolha da recompensa. A carne, os frutos, o vinho, tudo em que tocava, ficava duro e rígido, feito do mais puro metal. O pobre do rei, vestido com roupa de ouro, sentado numa cadeira de ouro, e morando num palácio de ouro, não podia, no entanto, alimentar-se. Diante disso, e para não morrer de fome, ele rogou a Dionísio a anulação do pedido que fizera.
Orientado a banhar-se no Pactolo - um rio turco que nasce no monte Tmolus, passa pelas ruínas da antiga cidade de Sardis e funde-se com o rio Gediz, antigo Hermus, acabando por desaguar no mar Egeu -, ele assim o fez, e seu desejo foi então satisfeito. As areias desse rio, contudo, ficaram para sempre cheias de ouro (antigamente o Pactolo possuía as areias auríferas que eram a base da economia do antigo estado da Lídia)
Como Midas faleceu sem deixar herdeiros, o oráculo foi mais uma vez procurado, tendo o sacerdote declarado que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor. Depois disso, quase quinhentos anos se passaram sem ninguém conseguir realizar esse feito, até que em 334 a.C , ao passar pela Frigia, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia e o mais célebre conquistador do mundo antigo, ouviu comentários sobre essa lenda e interessou-se por ela.
Segundo os historiadores, “A poderosa figura de Alexandre (na ilustração) pertence ao reduzido grupo de homens que definiram o curso da história humana. Ele nasceu em 356 a.C. no palácio de Pella, Macedônia. Filho do rei Filipe II, cedo se destacou como um rapaz inteligente e intrépido. Quando o príncipe tinha 13 anos, seu pai incumbiu Aristóteles, um dos homens mais sábios de sua época, de educá-lo. Alexandre aprendeu as mais variadas disciplinas: retórica, política, ciências físicas e naturais, medicina e geografia, interessando também pela história grega e pela obra de autores como Eurípedes e Píndaro. Também se distinguiu de tal forma nas artes marciais e na doma de cavalos, que em poucas horas dominou o Bucéfalo, que viria a ser sua inseparável montaria. Na arte da guerra recebeu todas as lições do pai, militar experiente e corajoso, que lhe transmitiu conhecimentos de estratégia e lhe inculcou dotes de comando”.
“O enérgico e bravo jovem teve oportunidade de demonstrar seu valor aos 18 anos, quando, no comando de um esquadrão de cavalaria, venceu o batalhão sagrado de Tebas na batalha de Queronéia (338 a.C.). Depois do assassinato do pai em 336 a.C.,Alexandre subiu ao trono da Macedônia e se dispôs a iniciar a expansão territorial do reino. Para tão árdua empreitada contou com poderoso e organizado exército, dividido em infantaria, cuja principal arma era a zarissa (lança de grande comprimento), e cavalaria, que constituía a base do ataque”.
Intrigado com o que ouvia, Alexandre foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois. É daí também que deriva a expressão "cortar o nó górdio", que significa resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz.
O Rei Midas realmente existiu. Em 1969, pesquisadores do Museu de Arqueologia e Antropologia da University of Pennsylvania sob a liderança de Rodney Young, após escavações na Turquia, em Gordiom (hoje Yassihüyük) antiga capital da Frígia, localizaram o seu túmulo. O caixão mortuário estava muito bem preservado, era feito de troncos de árvores, e em sua volta havia vasos de cerâmica e metal, taças, bandejas e outros recipientes e objetos. Houve ali, segundo a equipe de arqueólogos, um banquete fúnebre para o Rei e quase todas as iguarias e bebidas puderam ser identificadas. Cem foi a quantidade aproximada de convidados nessa grande refeição, conforme avaliação dos especialistas.





