N a Q - NÃO DAR PÉ
NÃO DAR PÉ
O sentido da expressão “não dar pé” está ligado à capacidade das pessoas conseguirem nadar, uma arte ou técnica que sendo dominada por qualquer um permite ao mesmo boiar na água e avançar em qualquer direção graças ao movimento dos seus braços, pernas e do próprio corpo.
Por isso a informação de dar ou não dar pé é fundamental, já que no primeiro caso, quem quer que esteja dentro do mar, rio, lagoa ou mesmo em alguma piscina, tem condição de manter seus pés apoiados naturalmente no chão e a cabeça fora da água, sem se afogar. Ao contrário do que acontece quando os que não sabem nadar, ou o fazem precariamente, cometem a tolice de mergulhar por qualquer motivo em local que não pé, porque nessa situação eles estarão sujeitos ao risco da morte por afogamento, caso alguém não os socorra prontamente. .
Afogamento é a morte por asfixia, ou seja, o impedimento da chegada de ar aos pulmões, o que se verifica também no enforcamento ou estrangulação, na compressão do tórax e em outros casos. Sobre este tema, matéria publicada na revista Mundo Estranho, assinada pelo jornalista Yuri Vasconcelos (com consultoria de Daniel Muñoz, professor de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), explica o que acontece no corpo humano durante um afogamento.
A pessoa aspira muita água, que encharca os pulmões, causando asfixia, inconsciência e até a morte. O afogamento é a quarta causa de morte acidental em adultos e uma das três principais em crianças. Por ano, acontecem 500 mil afogamentos no mundo. Entre os adultos, metade dos acidentes está relacionada ao consumo de bebida alcoólica, enquanto na infância o afogamento ocorre por falta de vigilância dos pais. Falta de conhecimento do local de mergulho, excesso de confiança e exaustão ao nadar são outros motivos que provocam esse tipo de acidente. No afogamento, água entra pelo nariz, invade os pulmões e detona células do sangue.
1- No início do afogamento, a pessoa se debate, tentando se manter na superfície. Ela prende a respiração o quanto pode e aspira, sem querer, pequenas quantidades de água, o que provoca o fechamento da laringe, órgão situado entre a traquéia e a base da língua. Esse é um mecanismo de defesa do nosso corpo para que a água não inunde os pulmões.
2- Depois de alguns minutos, a laringe relaxa e a pessoa involuntariamente respira debaixo d'água, aspirando e engolindo grande quantidade de água. Parte do líquido vai para o estômago e o restante segue o mesmo caminho do ar: percorre a traquéia e chega aos pulmões, passando por brônquios, bronquíolos e alvéolos.
3- Com o pulmão encharcado, a troca gasosa (entrada de oxigênio e saída de gás carbônico) não funciona mais. A redução da taxa de oxigênio causa danos em todos os tecidos, principalmente nos que precisam de mais ar, como as células nervosas. O cérebro é gravemente lesionado e a pessoa fica inconsciente.
4- Depois de chegar aos alvéolos, a água entra no sangue e penetra nos glóbulos vermelhos, destruindo-os. Com isso, o potássio presente nessas células vaza para o plasma sanguíneo. Em concentração elevada, o potássio é fatal: ele acaba com a diferença de carga dentro e fora da célula, impedindo a transmissão dos impulsos nervosos e, assim, a contração muscular. Com isso, o coração pode parar de bater.
Conclusão inevitável: com água, meu amigo, só facilita quem é doido ou ruim da idéia.
Voltando à expressão, o passar do tempo emprestou a ela um sentido bem mais amplo, abrangendo tudo cuja realização possa ser considerada muito difícil e até mesmo impossível, ou mesmo nas coisas desinteressantes para quem é solicitado a realizá-las.
Como acontece, por exemplo, na frase “Sabe aquele empréstimo que você me pediu? Não vai dar pé”. Ou então: “Ele está querendo que eu lhe arranje qualquer coisa lá na firma, mas não vai dar pé”. E até mesmo no esporte, nas ocasiões em que nosso time de coração só está dando vexame: “Também, pudera! Com essa turma que está jogando, não vai dar pé, mesmo!”.
Por isso a expressão tornou-se extremamente popular, passando a ser usada por todos nós em qualquer situação.





