Peixes - PIRANHA
PIRANHA
A piranha (Serrasalmus nattereri) faz parte de uma família (Caracídeos) que abrange diversas espécies encontradas em diferentes partes do Brasil, bem como nos países vizinhos. Elas são famosas por sua ferocidade, embora algumas sejam inofensivas. No entanto, na maior parte esses peixes justificam a fama terrível que possuem. Andam em cardumes que atacam qualquer animal que se arrisque a penetrar na água do rio ou lago por eles habitado, investindo, também, contra outros peixes e até mesmo lutando entre si e devorando-se uns aos outros, o que não chega a ser um acontecimento raro. O cheiro de sangue humano ou de animal, inclusive o da sua própria espécie, os torna extremamente violentos. Uma piranha fraca ou ferida é geralmente devorada em instantes pelas demais componentes do cardume.
Embora feroz e por isso mesmo bem mais perigosa do que se possa imaginar, a piranha não aparenta, à primeira vista, ser um peixe com o qual não se deva facilitar. De cor azulada, seu tamanho varia conforme as espécies, não passando a maior dos 43 centímetros de comprimento por 23 de largura, ficando a menor entre os 18 e 9 centímetros, respectivamente. Sua carne é comestível, mas as espinhas abundantes não a tornam apetecível para a maioria dos consumidores. No entanto, apesar do seu apetite voraz é difícil capturá-la com anzol, pois ela corta facilmente com os dentes qualquer linha de pesca, mesmo as de aço fino.
De corpo deprimido lateralmente, tem dentadura que apresenta uma carreira de dentes triangulares afiados como navalha, próprios para cortar e dilacerar, e mandíbula inferior saliente que lhe dá uma aparência semelhante à do buldogue. Isso permite que ela, a cada dentada, arranque grandes pedaços de carne da presa e os engula por inteiro. O dois orifícios para respiração e os olhos grandes localizados lateralmente na face, aumentam ainda mais a frieza e aparência temível de sua expressão.
Quando os boiadeiros das Américas do Sul e Central vão atravessar certos rios com seu gado, precisam sacrificar um boi para salvar os outros. Eles ferem ligeiramente o animal e o colocam no rio um pouco abaixo do lugar onde o resto do gado vai atravessar. O cheiro do sangue atrai um número grande de peixes pequenos e vorazes: as piranhas. A água parece ferver e fica vermelha.
Depois de alguns minutos tudo o que resta do boi é seu esqueleto completamente liso. Enquanto isso, o resto do gado passa em segurança. É daí que vem a expressão popular “boi de piranha”.
Apesar de habitarem águas calmas e conviverem em cardume (algumas espécies), as piranhas são traiçoeiras, vorazes e fatais, tendo se tornado bem conhecidas e temidas no Brasil desde a época do descobrimento, quando os bandeirantes começaram a desbravar nossos sertões. O simples cheiro de sangue e/ou movimentos imprevistos na água, faz com que elas se reúnam às dezenas, sendo prudente que nos rios habitados por elas sejam tomados cuidados necessários durante a lavagem de carcaças, couro ou animais com sangramento. Isso porque as piranhas atacam frequentemente as mãos, pés ou lábios de pessoas ou animais que ali vão apanhar água ou somente bebê-la. Elas costumam permanecer nesses locais longos espaços de tempo, dispersando-se posteriormente e voltando ao seu comportamento normal.
Pesquisa realizada por Mariana Aprile, na época estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, e publicada em 2004, mostrou que o aumento do ataque de piranhas aos banhistas tinha relação com a construção de represas que diminuem a vazão dos rios. Piranhas preferem se reproduzir em águas mais calmas e por isso houve um aumento em sua população. Outro estudo foi realizado pelo médico Vidal Haddad Júnior e pelo zoólogo Ivan Sazima, da Unicamp, sobre os ataques de piranhas a pessoas, em Santa Cruz da Conceição, São Paulo. Os pesquisadores constataram que após o represamento do Mogi Guaçu, rio da região, foram registrados 38 ataques a banhistas em cinco finais de semana.
Segundo Sazima, represar um rio pode aumentar em dez vezes a população de piranhas nele existente. Mas os ataques também aumentam no verão, quando acontece o ciclo reprodutivo desses peixes carnívoros. É a mesma época em que aumenta o número de banhistas nas praias dos rios. Para proteger seus filhotes os machos e as fêmeas da espécie mordem os intrusos, dando-lhes um sinal de alerta. "As piranhas estão dizendo: afaste-se de meu ninho", afirma o pesquisador da Unicamp.
As piranhas, como todos os predadores, são importantes para o equilíbrio ecológico do ambiente. Elas contribuem para a limpeza das águas, pois devoram carcaças que, de outra forma, apodreceriam nos rios. Seus dentes afiados são utilizados como pontas de flechas pelas tribos indígenas da Amazônia. O valor nutritivo desse peixe como alimento é aproveitado para a produção da sopa de piranha em pó, realizada por Edson Lessi, do Instituto de Pesquisas da Amazônia, em Manaus. "É uma forma de aproveitar um recurso abundante, mas pouco valorizado", diz Lessi. Essa sopa foi desenvolvida a partir de um projeto de pesquisa para combater a fome, de maneira barata e acessível, entre as populações carentes.
As piranhas pertencem a cinco gêneros da subfamília Serrasalminae, que também inclui peixes como pacus e os dourados.





