Aves - ARARINHA AZUL

ARARINHA AZUL

 

A ararinha azul, cujo corpo pode medir até 57 centímetros de comprimento, mais 35 centímetros da cauda, é uma ave seriamente ameaçada de extinção. Isso devido à destruição de seu habitat original, bem como, e principalmente, por sua captura por traficantes de animais (para servir como ave ornamental ou de estimação).  Os compradores são atraídos pelo desejo de possuir um exemplar de espécie tão rara, e por isso pagam por ele, segundo consta, milhares de dólares no mercado negro.

 

De cor azul - um pouco mais claro na cabeça, e mais escuro nas asas - e peso por volta de 350 gramas, ela era vista com facilidade nas regiões de caatinga do nordeste brasileiro, onde encontrava as sementes de pinhas, faveleiras, caraibeiras e baraúnas, base de sua alimentação.

 

Elas só eram encontradas na região do Nordeste brasileiro, especialmente nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão, em áreas úmidas do sertão, onde riachos temporários permitem a existência de árvores mais altas. Apesar de seus hábitos sociais serem pouco conhecidos, sabe-se que cada uma delas tem apenas um parceiro, formando, assim, casais fiéis por toda a vida. Se um deles morre, o outro permanece sozinho, ou apenas se integra a um novo grupo.

 

As ararinhas-azuis costumam, ou costumavam  fazer seus ninhos em ocos de árvores altas e antigas, mas o corte indiscriminado da vegetação de maior porte, deixando ficar somente as mais novas e  pouco desenvolvidas, dificultou a reprodução da espécie e sua adaptação a essas novas condições de sobrevivência. Em cada período de postura as fêmeas da espécie põem de 3 a 4 ovos medindo aproximadamente 35 mm de diâmetro, e os filhotes levam de 4 a 5 anos para atingir sua maturidade sexual (observação feita em aves cativas)

 

O Comitê Permanente para Recuperação da Ararinha-Azul (CPRAA) foi criado em 1990 pelo governo brasileiro, com a finalidade de aumentar o número de ararinhas em cativeiro através da reprodução controlada. Em 1991 esse Projeto iniciou em Curaçá, na Bahia, o estudo dessa ave no campo, abrangendo seus padrões de deslocamento, alimentação e comportamento, buscando preservar as áreas habitadas por ela. Além disso, faz parte do trabalho procurar integrar as pessoas da comunidade a essa causa, participando desse esforço de conservação.

 

A ararinha-azul foi encontrada e coletada pela primeira vez em Juazeiro, Bahia, pelo naturalista alemão Johan Baptist von Spix (1781-1826), que chegou ao Brasil em 1817, chefiando uma missão austro-húngara, e retornou em 1820 com cerca de 9.000 espécies de plantas e animais, incluindo mamíferos, aves e anfíbios que constituíram a base da coleção do Museu de História Natural de Munique. O relato dessa viagem foi publicado em livro com o nome de "Viagem pelo Brasil 1817-1820".

 

Em 14/02/2001 a edição on-line da revista Veja publicou matéria assinada por Leonardo Coutinho, que começava convidando o leitor a olhar bem para a foto que mostrava ao lado, pois ela podia ser um dos derradeiros registros de uma ararinha-azul na caatinga do sertão da Bahia. Dizia o texto que a última dessas aves em liberdade tinha desaparecido já lá se iam quatro meses, e por essa razão os pesquisadores empenhados durante os últimos dez anos na tentativa de evitar a extinção de mais uma espécie brasileira, acreditavam já não haver nenhuma chance de reencontrá-la.

 

Diz o texto que, tecnicamente, o esforço que ainda se faz para encontrar a ararinha parece ser em vão. Nunca ela se afastou por tanto tempo de seu roteiro habitual. Mas os cientistas ainda não desistiram, apesar de saberem que em 1985 havia três ararinhas-azuis na região, quando a espécie – então considerada extinta – foi redescoberta pelo ornitólogo suíço Paul Roth. Mas antes que alguma providência para preservá-las fosse tomada, traficantes de aves sumiram com duas. A que sobrou começou a ser monitorada pelo Ibama cinco anos depois. Sem parceira de sua espécie, o macho vivia um romance inter-racial havia quase oito anos com uma maracanã – um papagaio típico da região. Por serem de espécies diferentes, os ovos da maracanã eram infecundos.

 

Em 1995, esse amor insólito derrotou uma tentativa de introduzir na área uma ararinha fêmea até então criada em cativeiro. Após dois meses, a candidata a noiva encontrou o macho e sua namorada verde. Houve uma aproximação, ele chegou a abandonar a maracanã. Mas o instinto monogâmico do macho reapareceu quando reencontrou por acaso a antiga parceira. Desprezada, a ararinha fêmea se afastou. Poucos dias depois foi encontrada morta, sob os fios de uma rede de alta-tensão.

 

No Brasil, algumas centenas de animais estão em risco de extinção, e deles não há estimativa sobre quantos ainda restam na natureza. Para as aves, o pior inimigo é o homem. A ararinha-azul tinha como predadores os gaviões, gambás e alguns roedores que violavam seus ninhos, mas seu maior vilão foram os caçadores. A venda ilegal de animais silvestres movimenta 10 bilhões de dólares por ano no mundo, enquanto no Brasil ainda impera a lei da selva nesse assunto. Apesar dos esforços dos ambientalistas oficiais e de entidades privadas.

 

Informações não confirmadas, ou já ultrapassadas pelo tempo, sustentam que existem apenas 87 exemplares da ararinha-azul no mundo, todas em cativeiro, o que a torna uma das mais raras espécies vivas. Destes exemplares, apenas oito podem ser encontrados no Brasil, sendo que dois estão no zoológico de São Paulo. Mas apesar de serem um casal, elas nunca tiveram filhotes.

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.