Serras e montanhas - SERRA DAS CONFUSÕES - Piauí
SERRA DAS CONFUSÕES
Piauí
A Serra das Confusões corre no sentido leste-oeste na região sul do estado do Piauí, atravessando os municípios de Caracol, Guaribas, Santa Luz e Cristiano Castro. Situada entre as bacias hidrográficas dos rios Parnaíba e São Francisco, dentro da maior área de caatinga preservada do planeta, ela guarda em seus paredões rochosos algumas grutas e cavernas que conservam variadas inscrições rupestres de riqueza arqueológica incalculável.
Como, por exemplo, pode ser visto pelos visitantes nas tocas do Capim e do Enoque, as duas mostrando em suas paredes, além de figuras humanas, as de emas, tatus, tartarugas e lagartos, além de círculos semelhantes a uma mandala (palavra de origem sânscrita que significa círculo mágico), e outras figuras geométricas.
Botânicos, biólogos e arqueólogos que têm estudado a Serra das Confusões e seus arredores, afirmam que datam de oito mil anos os vestígios mais antigos de ocupação por humanos das cavidades naturais rochosas ali existentes, sendo de 3,6 anos a idade dos mais recentes. Nesse lugar viveram em épocas muito distantes animais como o tatu gigante, a preguiça, o tigre-dente-de-sabre e o mastodonte, extintos há quase 10 mil anos.
Bem mais adiante, já no século 16 da nossa era, época em que os desbravadores paulistas (bandeirantes) iniciaram a exploração das terras agora incluídas em território piauiense, os índios potiguaras e tabajaras que nelas habitavam acabaram sendo dominados e escravizados pelos invasores que chegavam em número sempre crescente. Segundo consta, até meados de 1950 ainda viviam na região pequenas famílias de índios remanescentes das tribos que antes dominavam o lugar.
A origem do nome da serra – das Confusões – desperta a curiosidade de muitos. Segundo os moradores locais, ele advém do fato de que as rochas brancas e vermelhas nela existentes ficam diferentes conforme a luminosidade do dia, o que deixa a pessoa com a vista confusa. E explicam melhor: “O pessoal mais antigo dizia que esse é um lugar confuso porque conforme o sol bate nas rochas elas vão dando a impressão de que estão mudando de cor e aparência. E quem é que não se confunde com isso, não é mesmo?”...
Para resguardar o ecossistema que circunda o maior maciço montanhoso da caatinga nordestina, foi criado pelo decreto 98.346, de 02 de outubro de 1998, o Parque Nacional da Serra das Confusões, com área de 502 mil hectares, abrangendo 11 municípios (Caracol, Jurema, Canto do Buriti, Cristino Castro, Alvorada do Gurgueia, Tamboril, Bom Jesus, Santa Luz, Redenção do Gurgueia, Curimatá e Guaribas), cuja administração foi entregue ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)..Posteriormente foi a ele incorporado o da Serra Vermelha, com 336 mil hectares, passando essa reserva a ter, assim, o total de 838 mil hectares, o que a coloca como a maior unidade de conservação da caatinga no Brasil.
Embora sua área ainda se encontre em estado primitivo de conservação, seus administradores têm como preocupação principal a preservação de toda a riqueza paisagística nela existente, além da proteção de fauna e flora, para que as futuras gerações também possam admirá-las.
Na descrição desses homens, o cenário exótico do parque é composto por árvores, arbustos de galhos retorcidos, flores, cactos que são espalhados pela paisagem de terra seca, o xique xique e o mandacaru, símbolos da caatinga e fáceis de serem encontrados na região. Que também é o habitat natural de inúmeras espécies de aves e animais, muitos deles ameaçados de extinção, como o tamanduá bandeira, as onças parda e pintada e o tatu canastra.
O acesso mais fácil à unidade é feito pela BR-343, até Floriano. Outra opção é pela PI-140, que leva à cidade de São Raimundo Nonato, e depois pela PI-144, até Caracol, Daí se segue por mais 20 km até chegar ao Parque. A Serra das Confusões está a cerca de 620 km de distância de Teresina, capital estadual.
O chefe do Parque Nacional da Serra das Confusões, engenheiro agrônomo José Wilmington Paes Landim, teve oportunidade de afirmar a alguns jornalistas que a unidade por ele administrada é a única que abriga um só ecossistema, a caatinga. E destacou que se hoje em dia ela chama a atenção do mundo é porque por muito tempo os cientistas acharam que sua diversidade de vida era extremamente pobre. “Mas agora todos sabem que nela existe uma grande variedade de animais e flora





