La Fontaine - GATO E O MACACO, O
GATO E O MACACO, O
O gato Ratão e o macaco Beltrão pertenciam a um mesmo dono, na casa do qual viviam em paz e sossego apesar de serem manhosos e travessos. E como nada lhes acontecia, apesar das tropelias que aprontavam, os dois companheiros de artes se achavam cada vez mais a salvo de possíveis castigos que lhes pudessem ser aplicados.
Um dia os dois se encontravam acomodados próximos à lareira, na qual algumas castanhas tinham sido colocadas para assar. E pensavam como poderiam furtar aqueles belos petiscos, não só para saboreá-los, o que já seria um prazer, mas também pela bela peça que pregariam em quem certamente viria buscá-las não iria demorar muito.
Pensamento vai, pensamento vem, Beltrão,- que se encontrava com a boca cheia d’água - pespegou no companheiro bichano uma palmada e lhe disse a sorrir:
- Bem que eu gostaria de comprovar se és realmente hábil. Tu dizes ser esperto, que tens agilidade, mas não creio que possas tirar de lá aquelas castanhas. Não, não és capaz de fazer isso. Mas... Ah! se eu tivesse mãos de gato... A essa hora as castanhas já tinham saltado cá para fora..
Ratão, ao ouvir isso, foi dominado pela vaidade de mostrar que era capaz de fazer o que Beltrão sugeria, e por isso, com muita ligeireza, meteu a mão na lareira, queimou-se ligeiramente, sacudiu os dedos, e em seguida, com delicadeza, rolou para fora a primeira castanha, a segunda, a terceira...
“- Que ligeireza!.. ” comentava Beltrão entre risadas, ao mesmo tempo em que comia as castanhas retiradas da lareira por seu parceiro. Foi nesse momento que a criada da casa chegou ao cômodo, e ao ver o que Ratão executava com cuidado. deu-lhe uma sova, fazendo-o sair bem mal da empreitada em que se metera. .
Moral da história: Nesse mundo, sempre tem um bobo pra tudo.
Baseado em uma fábula de La Fontaine
Observação: O verso final desta fábula de La Fontaine termina com o seguinte verso: “Uma observação aqui registro / Seria muito fácil quanto a mim / Mudar esse macaco num ministro / E transformar o gato em galopim”.
Galopim, palavra de origem espanhola, tem, entre outros significados, o de gaiato e moleque. Já o “galopim eleitoral” é o que anda angariando votos para eleição. . .





