Legumes e Hortaliças - JILÓ
JILÓ
Geralmente considerado como legume, o jiló é na verdade o fruto de uma planta (jiloeiro) da família das solanáceas (tal como a berinjela), que pode atingir qtpe 1,5 metro de altura. Suas flores são brancas, dispostas de duas a três em pequenos cachos, com pedúnculo curto.
O fruto pode ser oblongo, alongado ou quase esférico, conforme a variedade, de coloração verde-clara ou escura e peso de 14 a 17 gramas. Sua polpa é macia, porosa e com pequenas sementes brancas,
A origem do jiló é desconhecida, mas por ser abundante na África e Brasil, é provável que seja proveniente dessas duas regiões. Bastante popular pelo seu gosto amargo, o jiló, ou jinjilo, como é conhecido em algumas regiões do país, é uma boa fonte de cálcio, fósforo e ferro.
Com baixo teor calórico, o fruto também possui significativas quantidades de vitaminas A, B e C. Ele deve ser cozido e comido antes de amadurecer, embora, infelizmente, no processo de cozimento a vitamina C seja eliminada. Portanto, quem não come esse fruto por achá-lo muito azedo está perdendo uma boa fonte de carboidratos, proteínas, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas.
Na região sudeste é comum alguns bares e botequins oferecerem o jiló como um tira-gosto de bebidas alcoólicas. Nesses casos, ele é uma boa alternativa porque, ao contrário dos demais acompanhamentos fritos em óleo (torresmos, lingüiças, sardinhas, etc.) oferecidos nesses tipos de estabelecimentos, ele é servido cozido e, portanto, possui muito menos calorias. O jiló pode ainda entrar como ingrediente de cozidos, substituindo alguns outros legumes desse prato.
Terapeuticamente, o jiló é recomendado como um estimulante do metabolismo hepático e um regulador digestivo, sendo muito útil para quem está de dieta em virtude de sua baixa quantidade de calorias. Ingeri-lo em pequenas quantidades ao menos duas vezes por semana, ajuda a diminuir a quantidade de alimentos que compõem as refeições de quem se vale desse processo. Considera-se também que ele possui propriedades antidiarréicas e mineralizantes. Nas áreas rurais do Brasil, o jiló cozido é utilizado como tratamento contra resfriados, gripes e estados febris.
Quem não suporta o gosto do jiló pode transformá-lo em uma espécie de farinha feita com 8 jilós picados, ½ cebola média picada; 1 copo de farinha de milho, a mesma quantidade de farinha de mandioca fina, 2 colheres de óleo, salsinha, cebolinha e pimenta-do-reino a gosto. Para prepará-la, refogue a cebola e o jiló em pouco óleo, em fogo baixo e com a panela tampada, até que o jiló esteja cozido. Acrescente o sal e a pimenta-do-reino. Ainda com o fogo ligado, misture a farinha e mexa bem. Desligue o fogo e acrescente a salsa e cebolinha
Mas não pense você que esse azedinho não tem uma função bem definida. Quando ingerido o jiló estimula a produção de saliva, promovendo higiene na boca e hálito saudável. Ao comprá-lo escolha os frutos mais brilhantes, lisos e firmes. Sua coloração deve ser verde uniforme, sem tons mais fortes ou mais claros em alguns pontos. Fuja dos amarelos porque são os mais azedos. Ao comprá-lo, calcule 1/2 kg de jiló para 4 pessoas. Chegando em casa, ave bem o jiló, coloque-o em saco plástico e guarde na gaveta da geladeira. Assim ele se conserva durante 4 dias.
O jiló tornou-se famoso por seu gosto que muitos consideram amargo em demasia. É bem conhecida a canção "Que nem Jiló", em que o falecido Luiz Gonzaga, seu autor, comparava as dores da saudade à amargura do jiló:
Ai, quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz doer
E amarga que nem jiló





