Vermes - MINHOCUÇU
MINHOCUÇU
O minhocuçu (Rhinodrilus alatus)) é um oligoqueto (minhoca), ordem que abrange os vermes que vivem na terra e alguns outros de água doce ou salgada. Todos eles são hermafroditas, têm cabeça pouco distinta e desenvolvimento direto, ou seja, sem metamorfoses.
Com 60 centímetros de comprimento médio e diâmetro em torno de 1,5 cm, ele é endêmico do cerrado da região central de Minas Gerais. Pesquisa feita nessa região e descrita em trabalho apresentado no VIII Congresso de Ecologia do Brasil, realizado em setembro de 2007, em Caxambu (MG), revela que os resultados obtidos ampliam a área de distribuição desses anelídeos. Originalmente restrita às terras de Sete Lagoas e Paraopeba, ela estendeu-se a 15 municípios da bacia do rio São Francisco, embora, segundo os autores, “registros orais indicam uma distribuição ainda maior (26 municípios), que deverá ser comprovada por meio de novas coletas”.
O minhocuçu foi descrito em 1973 por Gilberto Righi (1937-1999), pesquisador e professor da Universidade de São Paulo, embora já fosse conhecido e viesse sendo usado como isca por pescadores amadores desde quase um século atrás. Matéria apresentada pela revista Ciência Hoje, em sua edição de agosto de 2008, revela que em 1995 e 2003 a espécie foi considerada como ameaçada de extinção em conseqüência da procura praticamente sem limites que sofria por parte dos chamados minhoqueiros, cuja atividade era e é facilitada pelo ciclo de vida desses vermes.
Esclarece a matéria aludida que o ciclo anual de vida do minhocuçu e bastante curioso. Há um período de reprodução e alimentação na estação chuvosa, e um de repouso, na estação seca. Nesta, eles ficam inativos durante a maior parte do tempo, anovelados em uma câmara subterrânea (“panela”, na denominação local) construída 25 centímetros abaixo da superfície. Na época mais seca o animal produz um muco e reveste com ele a base da câmara, o que o ajuda a reter água e manter o seu corpo úmido..
Ao final da estação seca os minhocuçus retomam a atividade e, nos adultos, uma estrutura reprodutora situada junto à cabeça (o clitelo, popularmente chamado de barbela) aumenta de volume, projetando-se para o lado e ganha coloração avermelhada. No início da época chuvosa eles deixam as câmaras de repouso para buscar alimentos e parceiros sexuais. Sendo hermafroditas, a cópula caracteriza-se pela transferência mútua de espermatozóides entre dois indivíduos.. Esta ocorre em uma galeria próxima à superfície, e em seguida os animais iniciam a formação de ovos.
Nesse período os minhocuçus, ao serem molestados, perdem segmentos caudais em uma estratégia de sobrevivência denominado “autotomia”: ao deixar partes do corpo para os predadores, eles podem fugir dos mesmos (o corpo se regenera depois). Os ovos, em geral com dois filhotes, são liberados de outubro a janeiro e fixados em câmaras com 4 centímetros de diâmetro, construídas pouco abaixo da superfície do solo (15 centímetros) e vedadas com fezes.
Para se alimentar, os minhocuçus constroem galerias subterrâneas em forma de U, localizadas pelos extratores por meio de vestígios de alimentação, como raízes expostas (chamadas de comedor) e fezes frescas (os bosteiros). Os animais alimentam-se até o final da época chuvosa, quando de novo entram em repouso (quiescência).
Utilizado para a pesca de grandes peixes (é considerado como a melhor isca para o surubim), os minhocuçus quase nunca chegam aos pescadores pelas mãos de quem os tirou da terra. Donos de lojas de artigos de pesca, proprietários de pousadas e hotéis pesqueiros são os atravessadores que se encarregam dessa tarefa, que se torna ainda mais grave graças à atuação de empresas especializadas que remetem as chamadas “iscas vivas” para todo o Brasil e, esporadicamente, também a interessados em países estrangeiros.
A exploração comercial do minhocuçu já de muito tempo é a atividade que garante o sustento de muita gente. Cada um desses “minhoqueiros” coleta diariamente até 20 dúzias do animal, vendendo-os para comerciantes que anunciam essa sua atividade em placas e outdoors colocados à beira de rodovias. Apesar de proibida pela legislação tanto federal como estadual, que consideram ação criminosa a extração, comércio e transporte de espécies da fauna silvestre, ela permanece praticamente impune. Essa extração predatória e clandestina colocou o minhocuçu na lista dos animais “em perigo” de extinção.
Os altos preços praticados no comércio do minhocuçu, (talvez por ser ilícito) conferem rentabilidade superior à das atividades convencionais do meio rural. Só como exemplo, anúncio publicado na internet e atualizado em 12/04/2012, informava aos interessados a disponibilidade de 100 minhocuçus, ao preço de R$ 5,00 a unidade.






Eu pensei que minhocas fossem todas de um tamanho só,mas essas São enormes............DA ATÉ MEDO............