Vulcões - VULCÕES
VULCÕES
O fenômeno do vulcanismo é uma conseqüência do calor interior da Terra e da existência, abaixo da crosta terrestre, de matérias em fusão que constituem o magma, embora o mecanismo do como e do por quê ele ocorre ainda não seja perfeitamente conhecido. O magma contém grande quantidade de gases, principalmente vapor de água, que submetidos a elevadas pressões e temperaturas exercem, uma enorme pressão sobre tudo o que os rodeia. Quando, por qualquer motivo, o equilíbrio interno se desfaz, eles surgem violentamente no exterior, rompendo as partes mais fracas da crosta terrestre e arrastando consigo o magma.
O vulcanismo atual, ou recente, está restrito a determinadas regiões da Terra, enquanto que em outras, ele não existiu ou já desapareceu há muito tempo. Ao todo, calcula-se que 450 vulcões estiveram em atividade depois da pré-história e até hoje continuam adormecidos ou ativos (os extintos são em número de dois mil, aproximadamente). Conforme a época da erupção, eles são considerados ativos se apresentam algum sinal de vida (como a exalação de gases, por exemplo); dormentes, se a sua atividade está suspensa, mas tiveram alguma erupção no passado antigo; e extintos, se não há sinal de qualquer atividade sua em épocas mais remotas, sendo reconhecidos apenas pelo aspecto. Todavia, essa distinção não é muito rigorosa porquanto é difícil saber se qualquer vulcão está realmente extinto ou pode vir a se ativar, tanto que quando ocorreu a grande erupção do Vesúvio, acreditava-se ele estivesse extinto.
No interior dos vulcões há um conduto denominado chaminé que coloca em contato com exterior a zona magmática situada em profundidade variável: calcula-se, por exemplo, que as lavas do Vesúvio estejam situadas cinco quilômetros abaixo da superfície, mas há vulcões onde elas podem estar a sessenta quilômetros de profundidade. Quando a lava transborda, escorre pelo cone formando grandes rios. Também podem surgir bocas vulcânicas no fundo do mar, ao redor das quais se depositam lavas e cinzas.
A acumulação desse material pode elevar o cone até fazê-lo emergir, formando-se, assim, uma ilha vulcânica, muitas delas, porém, de existência limitada. Outros tipos de atividade vulcânica que não chegam a constituir vulcões são as fumarolas (emanação de gases por fendas da crosta terrestre); solfataras (terrenos em que ocorre a emissão de vapores sulfurosos, podendo dar origem a depósitos de enxofre); gêiseres (fonte terma natural que lança ao ar jatos de água a intervalos regulares), e etc.
Há vulcões, como o Estrômboli, na ilha do mesmo nome, arquipélago de Lipari, Itália, que se encontram em atividade permanente. Em outros, ela é intermitente, como no caso do Vesúvio, que após erupção na pré-história manteve-se em repouso até o ano 79, quando voltou a explodir arrasando inteiramente a cidade de Pompéia. Outro vulcão intermitente é o Krakatoa, no sudeste asiático: inativo durante dois séculos, reacendeu-se em 1883, atirando para o alto 18 mil quilômetros cúbicos de materiais. Essa atividade intermitente deve-se ao aparecimento de uma crosta sólida no interior da cratera, que se rompe quando os gases internos adquirem mais força de pressão.
A erupção tem uma primeira fase explosiva quando a pressão do gás adquire força suficiente para fazer saltar o tampão de lava solidificada. A seguir, eleva-se com violência uma coluna de fumaça composta predominantemente de vapor d’água, ao mesmo tempo em que uma nuvem ardente rola pelo solo em grande velocidade, arrastando fragmentos de material sólido, atingindo, às vezes, tamanha proporção que soterra cidades sob o pó ou a lama quente formada pela condensação do vapor d’água aliada à diluição e suspensão de materiais sólidos. Numa segunda fase são expelidos outros materiais. Das lavas pulverizadas, por exemplo, resultam cinzas levíssimas formando nuvens sobre a cratera, que espalhadas pelo vento podem alcançar pontos longínquos.
Em 1906, as cinzas do Vesúvio foram lançadas além de Paris, e o Krakatoa espalhou cinzas por quase todo o planeta. Expelida em estado líquido, com temperaturas variando de 1.000 a 2.000º C, a lava encaminha-se para as depressões numa velocidade de até um quilômetro por dia, mas se solidifica muito depressa em contato com o ar e o solo. Nesse ponto, é má condutora de calor e não chega a carbonizar as árvores que toca, mas embora o resfriamento exterior seja rápido, no interior a temperatura conserva-se alta durante anos.
As características dos vulcões variam conforme a pressão dos gases e a rapidez da emissão, a temperatura e a composição da lava. Considerando-se o tipo de erupção, eles se classificam como estrombólicos, vulcanianos, peleanos e havaianos, que têm como protótipos, respectivamente, o Estrômboli, na ilha do mesmo nome, no arquipélago das Lipari, junto à costa italiana; o Vulcano, na ilha do mesmo nome, desse mesmo arquipélago; o monte Pelée, na Martinica, e os das ilhas Havaí.
O tipo estromboliano se caracteriza por ter lava de regular fluidez, que é lançada ao espaço com forte estrondo de gases, saindo da cratera em erupções intermitentes, com certo ritmo, e que depois se precipita pelas ladeiras em forma de pequenos grãos e cinzas. No vulcaniano, o magma é mais viscoso e obstrui a passagem dos gases, os quais provocam uma pressão tão forte que faz voar parte do cone, com a conseqüente chuva de materiais sólidos, atirados à grande distância. O vulcão peleano é o mais violento de todos: sua lava se consolida na chaminé e forma uma coluna que passa a atuar como tampão; com isso, os gases só podem escapar pelas fendas que se produzem e originam gigantescas nuvens carregadas de cinzas, que descem ao solo em virtude de sua densidade e arrasam rapidamente uma zona de considerável tamanho, incendiando o que encontra na passagem e asfixiando os seres vivos. Já o tipo havaiano é o menos violento, e nele o magma tem consistência tão fluida que chega à superfície em temperaturas muito elevadas, podendo permanecer muito tempo sem se solidificar, numa espécie de lago de lava em fusão, que permite a expansão dos gases sem grande estrondo.
Na Europa, os vulcões localizam-se principalmente na Itália meridional e na Sicília, sendo a África o único continente que não possui vulcões litorâneos. A maioria dos vulcões ativos (80%) localiza-se no oceano Pacífico e terras por ele banhadas. O chamado “círculo de fogo”, região de maior incidência de vulcanismo no planeta, é constituído por uma linha de cadeias montanhosas do continente americano, a leste do Pacífico, e a fileira de ilhas em torno da Ásia, desde a Austrália até as ilhas Aleutas.
Fonte: Enciclopédia Abril





