Dezembro - NATAL - PRESÉPIO DE
NATAL - PRESÉPIO DE
O significado da palavra presépio - que vem do hebreu, a língua de Israel - é manjedoura ou estábulo, e por isso ela é aplicada costumeiramente a toda representação plástica das primeiras cenas da vida de Jesus Cristo passadas na estrebaria em que ele nasceu, figurações essas que foram amplamente reproduzidas por integrantes das mais diversas escolas de arte cristã. Mas, apesar disso, o entendimento popular aos poucos reduziu a acepção do termo à simples designação dos grupos de figuras modeladas geralmente em barro, e de aparência rústica, representando um conjunto mais ou menos fantasioso do nascimento, adoração, etc.
Os cristãos já celebravam a memória do nascimento de Jesus desde o final do século III, mas a tradição do presépio, na sua forma atual, tem as suas origens no século XVI, pois antes dessa época, o nascimento e a adoração ao Menino Jesus eram representadas de outras maneiras. As primeiras imagens do que hoje conhecemos como presépio de natal foram criadas em mosaicos no interior de igrejas e templos, no século VI, e no século seguinte, a primeira réplica da gruta no Ocidente foi construída em Roma.
O presépio, um dos símbolos mais significativos do Natal para a Igreja e para os cristãos, lembra o ambiente rústico em que Jesus nasceu. Deles, o primeiro de que se tem notícia foi feito por São Francisco de Assis, na cidade de Greccio, Itália, no ano de 1223. Para prepará-lo o religioso valeu-se de uma manjedoura cheia de feno, usada normalmente em qualquer estrebaria comum, colocando também um boi e um burrinho como participantes da encenação. Uma vez montada a representação, o religioso convidou todos os habitantes das proximidades para que comparecessem àquele lugar na noite de Natal, uma vez que ele buscava relembrar da melhor forma possível, o episódio do nascimento do Menino-Deus.
Depois dessa data, os jesuítas, ao levarem a mensagem do cristianismo a outros povos, passaram a divulgar e incorporar o presépio, de forma definitiva, aos hábitos católicos de todo o mundo. O costume espalhou-se sem dificuldade por entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de reis e nobres, já durante o Renascimento. Isso aconteceu pela primeira vez em 1567, quando a duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini, mandou montar em seu castelo de Celano um presépio com 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos Reis Magos e dos pastores, e o cantar dos anjos. Foi já no Século 18 que o costume de montar o presépio nas casas comuns se disseminou pela Europa e depois pelo mundo.
O presépio é, portanto, uma comemoração cristã que relembra os momentos anteriores e posteriores ao nascimento de Jesus Cristo. Conta a Bíblia que José e Maria estavam viajando para atender à exigência do recenseamento popular que estava sendo feito em toda a Galiléia. Ao chegarem a Belém, marido e mulher procuraram um lugar onde pudessem passar a noite, mas como não o encontraram, apesar das idas e vindas feitas com esse objetivo pelas ruas do povoado, só lhes restou o recurso de se abrigarem em uma gruta localizada ali por perto. Segundo a Bíblia, logo após o nascimento Jesus foi colocado em uma manjedoura destinada a animais (no presépio, uma vaca e um burro), e foi reconhecido por pastores da região que ali acorreram depois de avisados por um anjo. Dias depois, três magos (ou reis) vindos do oriente guiados por uma estrela, fizeram a mesma coisa, quando então ofereceram ouro, incenso e mirra ao recém-nascido. De acordo com a história, estes acontecimentos ocorreram no tempo do rei Herodes, que teria mandado matar todas as crianças por medo de perder o seu trono para o futuro rei dos judeus.
Antes da divulgação universal da árvore de Natal, o presépio constituía o elemento material mais característico das festividades natalinas. O costume de modelar aquelas figuras espalhou-se rapidamente pelo mundo cristão, muito embora, na modelagem, o artista afaste-se muitas vezes da tradição religiosa e abandone qualquer preocupação com a fidelidade histórica, apresentando, nas figuras secundárias, gente e costumes de sua própria época. Freqüentemente, artistas consagrados dedicaram-se também à arte do presépio, mas mesmo nesses casos também preponderou o caráter popular do gênero.
Assim, com o passar dos anos, quando é chegada a época de Nata a montagem de um presépio tornou-se prática rotineira em várias culturas, mas eles variam não só em tamanho, com alguns sendo apresentados em miniatura, e outros em tamanho real, como também na montagem, pois podem ser preparados com maior simplicidade, reunindo personagens ou elementos segundo o gosto e possibilidades de cada família, ou, ainda, mostrando pontes, casas, serras, lagos, etc.





