Répteis - COBRA DE VIDRO
COBRA-DE-VIDRO
Apesar do corpo longo e cilíndrico que possui, além do nome popular que lhe foi dado, a cobra-de-vidro é de fato um lagarto sem patas (não possui as anteriores, e as posteriores não passam de pequenos cotos).
Nativa da Europa, África e Ásia, seu nome deriva da extraordinária capacidade que tem de despedaçar o próprio corpo. Tem hábitos subterrâneos, vivendo entre troncos, raízes, cupinzeiros, sob pedras ou folhas caídas de árvores, em paisagens abertas das regiões montanhosas. A ninhada é composta por apenas 2 ovos. Os poucos indivíduos conhecidos foram coletados entre 900 e 1.300 m de altitude, de cerrado aberto.
Conhecida por vários nomes (licranço, alicanço, licanço, fura-mato e quebra-quebra), ela pertence à família dos Anguídeos, que ocorre no leste e sul do Brasil. De comprimento que pode atingir até cinqüenta centímetros e cor marrom-escura (com algumas linhas longitudinais de tom mais carregado sobre o dorso), esse réptil tem uma singularidade: assim como acontece com muitos lagartos, quando alguém tenta segurá-lo sua cauda se separa do corpo, mas continua se contorcendo, enquanto ela escapa às vezes reduzida a dois terços de seu comprimento original. Por isso é muito difícil capturar um exemplar inteiro (nova cauda cresce posteriormente, embora raramente atinja o tamanho da anterior).
Além dessa, algumas outras características diferenciam as cobras-de-vidro das cobras verdadeiras:
- os lagartos possuem pálpebras móveis, ao contrário das cobras, cujas pálpebras unidas formam uma membrana transparente à frente do olho..
- sua língua é dividida em vez de bifurcada, como acontece nas cobras;
- a troca de pele desses lagartos ocorre em pequenos pedaços, ao invés da pele inteira, como acontece nas cobras.
As cobras-de-vidro são animais que vivem em lugares sexos e gostam de se aquecer à luz do sol. Carnívoras, têm as lagartas, minhocas, larvas e lesmas como base de sua alimentação, razão pela qual são encontradas frequentemente junto a campos com erva. Quanto à reprodução, suas fêmeas são ovovivíparas, ou seja, dão à luz crias desenvolvidas.
Nos dias que antecedem ao parto, as que estão prontas para parir podem ser encontradas em locais com pouca ou nenhuma sombra, tomando banhos de sol.
Animais diurnos e com pele composta de escamas não sobrepostas, as cobras-de-vidro são comuns em jardins, onde ajudam a controlar pragas prejudiciais de insetos e lesmas. Sua permanência nesses locais pode ser estimulada com a colocação, no chão, de chapas de zinco ou plásticos pretos, já que esses répteis gostam especialmente de se colocarem debaixo desses objetos que funcionam como coletores de calor.
Existe o mito popular que a mordida dum licranço pode matar e as pessoas mal avistam um apressam-se a matá-lo, este animal até teve direito a um provérbio: "Picada de licranço, três horas de descanso".
A espécie faz parte da lista de animais ameaçados de extinção, sendo o desmatamento um dos principais fatores que contribuem para essa situação. Porém, o risco maior está associado às queimadas, que além de destruir o habitat natural de grande variedade de animais silvestres, também mata todos aqueles que não conseguem se proteger ou escapar do fogo.





