Autores de Cordel - CORDEL - Apolonio Alves dos Santos - TIRADENTES - O Martir da Independê4ncia
TIRADENTES - O Mártir da Independência
Apolônio Alves dos Santos*
Ao narrar esta historia / Peço a santa providência / Divinas inspirações / Para eu com veemência / Falar sobre Tiradentes / O Mártir da Independência. / Joaquim José da Silva Xavier, / O nome seu que pela conjuração / Mineira, muito sofreu / O qual como grande herói / Por sua pátria morreu.
Tiradentes era filho / Do grande Estado mineiro / Foi alferes e dentista / Muito honrado e verdadeiro / Tornou seu nome imortal / Neste país brasileiro. / No fim do século dezoito / A inconfidência fez / O Brasil pressionado / Por domínio português / E os grandes revoltosos / Se levaram de vez.
Em número de trinta e quatro / Foram os indiciados / Na conjuração mineira / E um dos mais implicados / Foi o nosso Tiradentes / Entre outros condenados. / O movimento econômico / Nativista no Brasil / E a tal inconfidência / Mineira, chegou sutil / Trazendo grande polêmica / Daquele grupo imbecil.
Foi criada em Vila Rica / A conjuração Mineira / Por interesse econômico / Duma raça interesseira / Que deixou uma lacuna / Na historia brasileira. / O governo português
Pretendendo o seu quinhão / Do ouro a fase áurea / Daquela mineração / Queria de uma só vez / Toda contribuição.
E a cobrança dos quintos / Atrasada no “programa” / Como arbitrariedade / Denominaram “derrama” / Foi desta revolução / Que criou-se aquele drama. / Então os participantes / Daquela conjuração / Foram Cláudio Manoel Costa / Poeta de vocação / E José de Alvarenga / Peixoto, tipo vilão.
José Alves Maciel / Um membro da falsidade / Filho do Capitão-Mor / De Vila Rica, a cidade / Um grande vulto chamado / Francisco Freire de Andrade. / Tiveram três delatores / Do domínio português / O primeiro foi um tal / Joaquim Silvério dos Reis / Brasileiro, e um tal Pamplona / Que foi o pior dos três.
O governador de Minas / Visconde de Barbacena / Prendeu os conspiradores / Daquela terrível cena / E denunciou Tiradentes / Que pagou a dura pena. / Foi no dia dez de maio / Do ano mil setecentos, / E oitenta e nove,exato / Com ele outros detentos / Que todos esses tiveram / Os seus destinos cruentos.
A dezenove de abril / Do outro século passado / Nosso Mártir Tiradentes / No tribunal foi julgado / Tendo a cruel sentença / De ser na praça enforcado. / Foi no Rio de Janeiro / Ele aprisionado / Na Rua dos Latoeiros / Naquele tempo passado / Que hoje é Gonçalves Dias / Seu nome, atualizado.
O conduziram algemado / Para as grades da prisão / Onde ficou vários dias / Sem haver apelação / Até quando foi levado / Para a sua execução. / Aquela data sinistra / Marcava no calendário / Quando o mandaram vestir / O seu roupão funerário / E o conduziram para / O lugar do seu calvário.
Uma grande multidão / Para vê-lo se juntou / Quando seguiram com ele / Todo povo acompanhou / Foi essa a cena mais triste / Que o mundo presenciou. / No Campo de São Domingos / Onde a forca estava armada / Foi ali que o nosso mártir / Teve a vida liquidada / Na praça que hoje é / De Tiradentes chamada.
Ali todos assistiram / O Tiradentes subir / Os tristes degraus da forca / Sereno, calmo a sorrir / E em menos de dois minutos / O viram se concluir. / Foi seu corpo esquartejado / Por inimigos brutais / E os pedaços do mesmo / Espalhados nos locais / Onde ele propagou / Todos os seus ideais.
No ano noventa e dois / Do outro século passado / A 21 de abril / Foi Tiradentes enforcado / Data que ainda hoje / Seu dia é comemorado. / E o tal Cláudio da Costa / Também da conjuração / Teve quase a mesma sorte / Dizem que na detenção / Teve morte atribuída / Á suicídio ou traição.
O Brasil estando livre / Dos poderes delinqüentes / Mandaram então construir / Em louvor dos combatentes / As estátuas dos heróis / Inclusive Tiradentes. / Ainda hoje se vê / No lugar de Permanência / A estátua solidária / Do mártir da Independência / Lá na Primeiro de Março / Um símbolo da inconfidência.
O Marechal Deodoro / O primeiro presidente / Da república brasileira / Homem sério e consciente / Que deixou nosso Brasil / Para sempre independente / Logo após ele ter feito / Aqui a proclamação / Da República, do Brasil / Deixando livre a nação / Do domínio português / Findou-se a conspiração.
Portanto o nosso Brasil / Hoje é livre realmente / Embora a custo de sangue / Mas venceu heroicamente / Podemos considerá-lo / Um país independente. / Esse governara junto / Com Marechal Floriano / Que foi vice-presidente / Homem de brio e bom plano Esse era natural / Do Estado Alagoano
Depois desse foi eleito / O Prudente de Moraes / Homem muito corajoso / De boas credenciais / Que sempre pelo Brasil / Lutou em favor da paz. / Seu governo se vencendo / Foi outro, então empossado / Esse fez um bom governo / Bastante considerado / Foi o Doutor Campos Sales / Que ficou muito lembrado.
Depois veio Afonso Pena / Assumir o seu poder / Esse foi um presidente / De muita honra e saber / Quatro vezes foi ministro / Tudo soube resolver. / O Dr. Nilo Peçanha / Vice-presidente seu / Também assumiu um ano / Pelo que aconteceu / Pois antes do vencimento / Afonso Pena morreu.
Veio Hermes da Fonseca / E depois Venceslau Braz / Esse era filho do / Estado de Minas Gerais / Que enfrentou a revolta / Dos fuzileiros navais. / Seu governo se vencendo / Outro vulto foi eleito / O Dr. Rodrigues Alves / Homem de alto conceito / Mas Dr. Delfim Moreira / Foi quem terminou o pleito.
Depois desse, o presidente / Foi Epitácio Pessoa / Homem muito inteligente / De família muito boa / Enfrentou vários problemas / Mas nunca fez nada á toa. / Depois veio Artur Bernardes / Fez um governo decente / E depois Washington Luiz / Governou severamente / Que da primeira República / Foi o último presidente.
Aqui findei de contar / A morte de Tiradentes / Leitores citei algumas / Vidas de alguns Presidentes / E por não ter mais espaço / Sinto ânsias retraentes.
(*) Poeta e bom cordelista paraibano, falecido. Viveu muitos anos no Rio de Janeiro, vendendo folhetos na feira de São Cristovão. Sobreviveu disto durante algum tempo.





