Curiosidades - ARMADILHAS TRAIÇOEIRAS
Caçar uma refeição consome muita energia, não sendo de admirar, portanto, que alguns predadores desenvolvam técnicas mais sutis para capturar as presas que lhes vão servir de alimento. Um deles é o peixe-pescador encontrado em muitos oceanos, e que usa seus filamentos de pele parecidos com ervas como excelente camuflagem. Na nadadeira dorsal, um dos raios das barbatanas lá existentes é separado das demais, formando uma longa haste com tiras coloridas que é usada como se fosse uma vara de pescar. Quando seu dono balança esse apêndice em forma de bandeira, os peixes menores são atraídos por ela, e no momento em que um desses curiosos está na iminência de abocanhá-la o pescador a movimenta para cima, ao mesmo tempo em que suga a presa com sua enorme boca. E essa sucção é tão forte que não há necessidade dele ir ao encontro da vítima a ser transformada em comida, pois é ela que vem, mesmo a contragosto, direto para o seu estômago.
Técnica semelhante é usada pelo sapo-de-chifre da América do Sul, mas a isca é um dedo do seu pé traseiro que se contrai levemente. Fascinada pelo movimento a futura presa – uma pequena rã, por exemplo – aproxima-se curiosa. O sapo mexe o dedo outras vezes, a vítima se distrai, chega cada vez mais perto, até acabar pagando um preço muito alto pela curiosidade, pois é logo engolida pelo caçador. Alguns bagres atraem suas presas com menos esforço, ainda. Esses peixes têm barbilhos sensitivos semelhantes a bigodes em volta da sua boca, usados para localizar comida ao deslizarem pela superfície das águas ou sobre pedras. Em alguns deles esses filamentos se assemelham a minúsculas minhocas, e quando os peixes menores procuram investigar mais de perto, são imediatamente devorados.
Algumas garças do Japão ficaram conhecidas por fazerem iscas para atrair sua refeição. Elas pescam seu alimento com engodos feitos de insetos verdadeiros, chegando algumas delas a fazer convidativos chamarizes com penas e galhos cortados, e os peixes que vão verificar o que é aquilo são simplesmente capturados por um bico voraz e transformados em refeição. Já para algumas trigonocéfalas, cobras venenosas de cabeça triangular encontradas no sul dos Estados Unidos, balançar a cauda é a técnica usada para arranjar comida. Elas se escondem entre os afloramentos rochosos e as folhas mortas, deixando de fora apenas a balançante cauda amarela que se assemelha a uma minhoca. Qualquer animal – como um sapo, por exemplo - que tente pegar aquela isca de aparência apetitosa, acaba invariavelmente na barriga da esperta caçadora â espreita.
Algumas moscas-assassinas – há, no mundo, cerca de 2.500 espécies diferentes - ficam à espreita de insetos escondendo-se sob o solo e os restos de suas vítimas. O biologista Messias Carrera (1907-1994), em artigo publicado no ano de 1939, na revista Chácaras e Quintais, assim referiu-se a elas: “São insetos exclusivamente predadores que apresentam uma voracidade extraordinária. Precipitando-se sobre a vítima em momento oportuno, cravam nela o forte estilete que possuem e depois, pousadas sobre uma ramagem mais elevada, vão pacificamente sugar as substâncias internas do incauto que lhe caiu nas garras. São verdadeiros salteadores de estradas no mundo dos insetos. Moscas assassinas é o nome empregado para designar estes dípteros de hábitos tão ferozes”.
Uma espécie de mosca-assassina da Costa Rica, que se alimenta de cupins, usa o cadáver de um desses insetos para aproximar-se clandestinamente. A mosca mata sua vítima perfura-a com seu afiado estilete e depois suga totalmente o seu líquido corpóreo, até deixá-la seca. Para atrair outra presa, ela pega a carcaça da vítima e a leva para o cupinzeiro: ali, quando um cupim operário tenta levar os restos do seu companheiro para o interior do abrigo, a mosca-assassina mata-o também.
Outra maneira de arranjar uma refeição é fingir ser o que não se é. Um tipo de aranha australiana, por exemplo, que imita com relativa perfeição a aparência de excremento de pássaro, exalando, ao mesmo tempo, um cheiro muito parecido ao feromônio sexual de uma mariposa fêmea, é infinitamente paciente: disfarçada dessa forma ela permanece imóvel numa folha ou galho até que um macho de mariposa procurando por uma parceira, não perceba para onde está indo e voe imprudentemente para os seus braços.
No mundo do cada um por si, não se deve confiar nem mesmo na aparência de uma flor. A flor-do-diabo africana pode ser, na verdade, um inseto carnívoro disfarçado - uma das maiores espécies de louva-a-deus existentes - que costuma ficar pendurado num galho, à espera das moscas domésticas, mariposas, borboletas, besouros, etc., insetos voadores que lhe servem de alimento. A maior parte do corpo desse inseto é parecido com um caule rosa, suas pernas dianteiras são dobradas e vivamente coloridas como pétalas, enquanto a cabeça representa o centro da flor Por sua vez, o louva-a-deus arroxeado encontrado na Malásia, tem pernas longas e achatadas que combinam com a cor e a textura das pétalas de uma orquídea. Os insetos que visitam essas flores à procura de néctar só percebem que foram enganados quando já é tarde demais.
O peixe conhecido como blenídeo, que imita o interessante e pacífico labróide-limpador do Indo-Pacífico, um tipo de peixinho que vive tirando parasitas da pele e brânquias de outros peixes, é um típico açougueiro disfarçado de barbeiro. Ele não só se parece com o animal que lhe serve de modelo para o disfarce, como nada da mesma maneira. E quando chega perto de um peixe desavisado, ele come os parasitas e também a barbatana e a pele do freguês, dando-lhe uma selvagem mordida com seus dentes enormes. Mas os peixes novos que já foram mordidos aprendem rapidamente a distinguir o barbeiro do açougueiro.
Fonte: Segredo do Mundo Animal





