Aves - MUTUM DO NORDESTE

MUTUM-DO-NORDESTE

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MUTUM DO NORDESTE 1.jpgMutum, nome genérico de aves galiformes da família dos cracídeos, é uma palavra da língua tupi-guarani, onomatopéia  criada pelos indígenas e inspirada nos sons emitidos por variedades de pássaros pertencentes a uma família ameaçada de extinção. Entre eles o mutum-do-nordeste, o mutum-do-sudeste, o mutum-de-penacho, o mutum-cavalo, o mutum-de-fava e outros mais. .

 

Especialistas afirmaram em 2001 que o primeiro deles – mutum-do-nordeste – tinha desaparecido na natureza.  Mas apesar dessa declaração, existem ainda pouco mais de cem exemplares vivos dessa espécie, mantidos em cativeiro por criadores preocupados em reproduzi-los a fim de  evitar seu extermínio, e posteriormente reintroduzi-los em áreas protegidas, nas regiões que antes constituíam o habitat desses pássaros. O que certamente não é projeto de fácil realização devido ao problema da consangüinidade. (grau de parentesco entre indivíduos com ascendência comum); à existência de poucos trechos remanescentes da mata original; e a caçada ilegal que lhes movem os moradores das mesmas áreas, desejosos de transformá-los em alimento.     

 

Também conhecido como mutum-de-alagoas, mitu e mutu, o mutum-do-nordeste era encontrado originalmente na Mata Atlântica de Pernambuco e Alagoas, em altitudes de até 300 metros, formando pequenos grupos. Ele foi descrito pela primeira vez por Georg Markgraf (1584/1636), um cientista e naturalista alemão que durante os primeiros anos da dominação holandesa no nordeste brasileiro (1630/1654) pesquisou a flora e a fauna daquela região.

 

http://fernandod.com.br/images/textos/MUTUM DO NORDESTE 2.jpgOs mutuns-do-nordeste são aves grandes, tendo em média de 80 a 85 centímetros de comprimento, medidos da cabeça à ponta do rabo, e peso que pode chegar aos 3 quilos; esqueleto muito semelhante ao dos galináceos, penas pretas e bico quase quadrangular de comprimento pouco menor que o da cabeça, começando quase no meio da testa; ouvidos destampados (os dos pássaros são geralmente tampados com penas); dedos muito compridos; asas curtas e arredondadas; e cauda comprida e larga. Não existe grande diferença entre o macho e a fêmea dessa espécie, pois ambos têm cor predominantemente preta e ventre marrom. .

 

Quanto à reprodução, na época do acasalamento os machos executam uma espécie de dança para seduzir a fêmea com a qual pretende acasalar. Esta inicia a postura a partir dos dois anos de idade, ponde em cada uma dessas ocasiões apenas dois ovos brancos e grandes como os da pata, sendo alimentada pelo respectivo parceiro durante o período de choco. Por ser uma ave que passa mais tempo no chão, apesar de sua capacidade, de voar durante pouco tempo, em trechos curtos e baixa altura, ela se torna presa fácil dos caçadores e predadores.

 

Estando em liberdade na natureza essas aves alimentam-se de frutas que encontram caídas no chão, sementes, folhas e pequenos animais (pererecas, gafanhotos, aranhas), mas segundo os informativos, quando mantidas em cativeiro essas aves recebem alimentação variada, que inclui ração farelada, milho, pedaços de carne e outros componentes.  

 

O risco de extinção do mutum-do-nordeste foi constatado pela primeira vez em 1978. Além da caça desregrada, outra causa é atribuída ao desmatamento acelerado ocorrido nas áreas habitadas por essas aves (e destinadas ao plantio de cana-de-açúcar) o que tirou delas a condição de sobrevivência.   

 

Segundo consta, um mutum-do-nordeste foi visto pela última vez, livre na natureza, no ano de 1987. Porém, e.de acordo com as informações disponíveis, os esforços que são feitos para a preservação da espécie em cativeiro foram iniciados bem antes disso, a partir de 1976, com a captura de um macho e duas fêmeas. Atualmente, todas as aves vivas da espécie têm essa mesma descendência;      

 

 

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