A a D - AVE DE MAU AGOURO
AVE DE MAU AGOURO
Agouro é a predição, o vaticínio, a profecia ou presságio baseado na interpretação de algum fenômeno natural, ou de algum acontecimento particular. Na antiguidade romana, a denominação de agouro se aplicava às respostas dadas por qualquer membro de uma corporação sacerdotal de adivinhos, os quais, por isso mesmo, também tinham os nomes de augures, arúspices e áuspices.
A função principal dos sacerdotes romanos conhecidos como augures, que formavam um colégio respeitado, consistia em perscrutar a vontade dos deuses míticos de Roma, a fim de prever o desfecho de qualquer empreendimento em curso ou, ainda, a ser iniciado.
O arúspice romano costumava basear suas adivinhações em sinais eventuais que se conjugassem com os fenômenos da natureza. Observavam o trovão e o raio; analisavam o vôo, o canto e o grito agudo de pássaros como a coruja, por exemplo; levavam em conta, ainda, as modificações dos hábitos alimentares de aves domésticas como a galinha; meditavam sobre a conduta de quadrúpedes e de répteis, e ainda a respeito de certos acidentes, como o derramamento de sal, o aparecimento de um mendigo, o tropeçar de um cavalo ou a morte de uma criança,
As adivinhações baseadas em observações relacionadas com os pássaros tinham o nome de auspícios, mas as decorrentes de quaisquer outros tipos de acompanhamento e estudo conservavam invariavelmente a denominação de agouros. Que podiam ser tanto bons como maus, dependendo da interpretação que a eles era dada por quem tinha a missão de procurar resposta ou solução para o problema a ele apresentado.
Ao tempo dos conquistadores romanos, nenhuma iniciativa, principalmente de ordem militar, era levada adiante sem a consulta ao agouro. Com o correr do tempo, entretanto, os adivinhos passaram a servir os donos do poder, transformando a própria função em instrumento de ambição e de vingança, razão pela qual a instituição dos agouros acabou desaparecendo em Roma.
Eles se foram, mas homens e mulheres que acreditavam no que os adivinhos diziam, mantiveram viva, daí em diante, a crença de que determinados animais carregam consigo o poder benéfico ou maléfico de levar boa ou má sorte para os humanos. Na Idade Média, por exemplo, quando os marinheiros portugueses começaram a navegar nos mares ao largo da costa africana, depararam-se com grandes aves brancas e negras, de asas pontiagudas, dando a elas o nome de alcatrazes. Que os ingleses depois corromperam para albatrozes. Nesses tempos ela era considerada de mau agouro, a encarnação de homens do mar afogados, e por isso muitos dos que labutavam nas embarcações aceitavam a idéia de que seria azarento matar uma delas.
Mas tal superstição não as protegeu das perseguições, pois não foram poucos os que as capturavam para aliviar a monotonia das refeições nas longas viagens marítimas. A descoberta dos seus locais de nidificação levou a uma pilhagem generalizada de ovos e a uma chacina quase total de certas colônias pelos que buscavam suas penas luxuriantes, que no final do século 19 estiveram na moda para decorar o vestuário feminino.
Mas o tempo passou, e dos adivinhos de ontem restou a poucos, ou talvez muitos, quem sabe, a desagradável e desconcertante expectativa atual de que algo ruim está para acontecer. Esse pressentimento ruim, ou mau sinal, é classificado como mau agouro e alcança qualquer situação relacionada ao dia-a-dia de cada um de nós, como a prevenção de não se sabe quantos em relação à sexta-feira13, também considerada dessa forma por muita gente supersticiosa.
A expressão popular ave, no sentido de quem leva, de quem transmite, e de mau agouro, significando infortúnios de qualquer ordem e natureza, designa a pessoa portadora de notícias relacionadas com desgraças e maus presságios. Daí, que elas fiquem bem distantes de qualquer um de nós.
Fonte da primeira ilustração: desenhossoturnos.blogspot.com.br





