Mamíferos - GIRAFA
Sábia como é, a natureza concedeu a cada animal a capacidade de resolver seu próprio problema de como saciar a sede. Os elefantes, por exemplo, precisam ingerir diariamente entre 85 e 110 litros de água, mas como o formato de sua boca não lhes permite executar satisfatoriamente essa tarefa de importância vital, eles utilizam a tromba para levar até ela cerca de 4,5 litros de cada vez, espirrando em seu interior o líquido que sugaram. Entretanto, até conseguirem dominar com a perfeição necessária essa técnica de transporte, os elefantes jovens se vêm obrigados a lamber pacientemente a água de que precisam, para não acabar morrendo de sede.
Já entre os pássaros a história é um pouquinho diferente. De forma geral as aves vão enchendo o bico de água e inclinando a cabeça para trás, a fim de que o líquido lhes escorra naturalmente pela garganta. Enquanto isso, todas elas vigiam os arredores com a maior atenção, de olho nos predadores que porventura estejam por perto e em busca de alimento.
As girafas, mamíferos ruminantes, são animais com características especiais, pois sua grande estatura e o pescoço comprido que possuem, limitam os territórios onde vivem às campinas cobertas de arvoredo. Elas vivem em toda a África do Sul, formando bandos geralmente pouco numerosos, freqüentemente ao lado de zebras, antílopes e outros animais herbívoros, alimentando-se de folhas e ramos novos que buscam com a boca nos ramos mais altos de diversas acácias. Na hora de beber água, porém, é que as coisas se complicam, porque toda vez que fazem isso elas são obrigadas a movimentar a cabeça de baixo para cima num percurso de 5 metros e meio, ou seja, de 2,1m abaixo do coração a 3,4 acima dele, o que poderia matá-las em decorrência da súbita falta de sangue no cérebro.
Por causa dessa dificuldade fisiológica a natureza tratou de dar um jeito: além da pulsação desses animais ser de 150 vezes por minuto, os vasos sangüíneos que irrigam seu cérebro têm paredes elásticas capazes de suportar repentinos aumentos na quantidade de sangue circulante, e as válvulas da artéria do pescoço impedem que ele circule para fora ou para dentro do cérebro, toda vez que a girafa levanta ou abaixo a cabeça. Livres desse problema, as girafas, no entanto, têm que conviver com um outro problema tão ou mais perigoso: é que para se abastecerem de água em quantidade suficiente, elas primeiramente precisam abrir bastante as pernas dianteiras, e em seguida abaixar penosamente o pescoço, de forma tal que sua boca possa alcançar a superfície do reservatório. Essa posição, além de incômoda e instável, a deixa completamente indefesa contra o leão, e é por isso que a organização do grupo resolve o assunto decidindo quais indivíduos ficarão de guarda enquanto os outros saciam a sede.
A girafa mãe, cuja altura é de 4,6 metros, dá à luz de pé, e por isso seu filho, que ao nascer tem o tamanho de um homem adulto, leva um tombo que poderia causar algum problema a qualquer outro animal recém-nascido. Mas aí a natureza intervém novamente. Os animais predadores, como os grandes felinos, cachorros selvagens e hienas, são caçadores exímios, e por isso capazes de localizar animais indefesos no meio de um bando. Em conseqüência, os filhotes de diversas espécies de herbívoros têm um desenvolvimento prolongado no útero materno, o que lhes possibilita adquirir as habilidades físicas com que poderão escapar do perigo desde o momento em que nascem.
No caso da girafa, sua cria nasce totalmente desenvolvida após um período de gestação que dura de 400 a 450 dias, e embora nos primeiros instantes de vida ela já fique de pé, mas ainda insegura e até com dificuldade de controlar seu longo pescoço, após vinte minutos já é capaz de acompanhar o rebanho naturalmente, e após uma hora começa a mamar.
As girafas vivem 26 anos, em média, e seu peso varia de 950 a 1.300 quilos. Quando galopam, as pernas traseiras cruzam com as dianteiras, mas no seu passo normal, ela se desloca movendo ambas as pernas de um lado do corpo, e depois as do outro lado; utilizando o pescoço para manter o equilíbrio. Dormindo de pé, elas só deitam quando se sentem muito insegura. Dos órgãos de sentido, o mais bem desenvolvido é o da visão, e embora tenha condições de emitir sons perfeitos, é raro ouvir-se qualquer barulho emitido por ela.
Infelizmente, esse animal exótico, mas bonito, é mais um dos que atualmente estão correndo risco de extinção.





