Pré-históricos - DIATRYMA - Pássaro gigante pré-histórico
DIATRYMA
Pássaro gigante pré-histórico
Eoceno é o período geológico compreendido entre 55 e 36 milhões de anos atrás. Foi durante essa faixa de tempo geológico que se formaram algumas das mais importantes cordilheiras de nosso planeta, tais como os Alpes e o Himalaia. No seu início as aves ainda eram as predadoras terrestres dominantes, porém, ao longo dos séculos que se sucediam os mamíferos passaram por uma verdadeira explosão de diversificação de espécies e assumiram de vez o "domínio" do planeta.
Algo que merece destaque no Eoceno é a evolução dos cetáceos (baleias), que iniciaram o período como animais anfíbios (o Ambulocetus natans é um exemplo) e o terminaram como seres totalmente aquáticos e predadores dominantes dos oceanos.
Após um deslizamento de terra ocorrido em 2009 na região oeste do Estado de Washington, extremo noroeste americano, foram localizadas as pegadas fossilizadas supostamente deixadas por um pássaro pré-histórico gigante que passou por aquele lugar entre 55,8 milhões e 48,6 milhões de anos atrás. Sua semelhança com a de outros predadores levou os paleontólogos a acreditar que pertenciam a um animal carnívoro logo batizado com o nome de Diatryma (na ilustração acima, o Diatryma segundo Andrew Tewson - BBC/Reprodução).
Pouco depois, os pesquisadores encontraram naquela mesma região o primeiro esqueleto dessa ave, e junto a ele os ossos de cavalos e outros animais, surgindo daí a convicção de que a nova ave teria sido caçadora. Posteriormente, os paleontólogos que estudaram esses restos fossilizados do Diatryma concordaram com a classificação inicial que lhe fora dada.
Costumava-se dizer que o Diatryma reinava soberano nas planícies da América do Norte. Os que escreviam sobre ele explicavam que “com mais de dois metros de altura, 280 quilos de peso e crânio de tamanho quase equivalente ao de um cavalo atual, essas aves rapineiras gigantes não voavam, mas corriam muito velozmente. Viviam isoladamente ou em pares, e atacavam pequenos herbívoros como o Hyracotherium, um ancestral do atual cavalo. Provavelmente, o Diatryma corria com maior velocidade que sua presa, e assim que a alcançava matava-a com um golpe de seu bico curvo ou com uma patada de suas poderosas pernas. Mas com o aparecimento de predadores mamíferos de grande porte o Diatryma não resistiu à competição e desapareceu”.
Estudos anteriores haviam indicado que esse animal era um predador, mas a ausência de marcas de garras nas pegadas fundamenta a teoria de que o pássaro não era carnívoro, embora seja assim retratado nas publicações científicas. Em apoio a essa nova teoria, texto publicado no jornal especializado Paleontology concluiu que as pegadas fossilizadas descobertas em 2009 seriam as únicas marcas deixadas pelo pássaro gigante. "Elas mostram claramente que o animal não tinha garras longas, mas apenas unhas curtas", esclareceu o cientista David Tucker, que também participou da pesquisa. "Isso vai contra a teoria de que o animal era um caçador e usava suas garras para segurar a presa. Pássaros carnívoros sempre têm garras longas e afiadas", concluiu.
Com suas pernas relativamente curtas o Diatryma não poderia correr rápido o bastante para capturar suas presas, o que "alimenta a hipótese de que ele seguia uma dieta herbívora", ponderou Tucker. Além disso, análises posteriores mostraram que o pássaro não tinha o bico em formato de gancho, o que é algo comum em predadores.
A mesma opinião tem George Mustoe, geólogo da Universidade do Oeste de Washington. Contestando a opinião de que o Diatryma foi um "pássaro que substituiu os dinossauros como o maior predador”, ele alerta: "Vamos ser honestos: animais carnívoros predadores e assustadores atraem muito mais atenção que herbívoros pacíficos". Completando seu pensamento a respeito, sugeriu o geólogo que "Um cenário mais provável seria de um Diatryma pacífico, que usava o bico para se alimentar de folhas, frutas e sementes das florestas subtropicais que habitava".
Os pesquisadores acreditam que a semelhança do Diatryma com o Phorusracids, pássaros gigantes da América do Sul, levou paleontólogos a acreditar que as espécies eram parecidas. Segundo o estudo, "A crença comum de que o Diatryma era como um carnívoro é resultado mais de associações de idéias que de evidências anatômicas”.





