Mamíferos - BALEIA-DE-BICO-DE-GARRAFA

As baleias-de-bico-de-garrafa pertencem ao gênero Hyperoodon, e delas existem duas espécies, Hyperoodon planifrons e Hyperoodon ampullatus, também conhecidas pelos nomes de botinhoso, baleia-de-nariz-de-garrafa e baleia-bicuda-de-cabeça-plana.

 

Ambas fazem parte de uma família de cetáceos pouco estudada, sabendo-se apenas que são encontradas em águas profundas do Atlântico Norte, preferentemente na altura da Noruega, onde por diversas vezes registrou-se a presença de grupos formados por até dez indivíduos da espécie. Mas como elas também já foram avistadas bem mais ao sul de seu habitat conhecido, surgiu a suposição de que ao invés de estarem simplesmente de passagem por aquela região oceânica, essas baleias também viveriam ao redor das ilhas dos Açores, localizadas ao largo da costa de Portugal.

 

A baleia-de-bico-de-garrafa possui dentes e tem os cefalópodes - moluscos marinhos a que pertencem os polvos, as lulas e os chocos - como base de sua alimentação. O que não a impede de comer peixes ocasionalmente. O comprimento dos machos da espécie pode chegar aos dez metros, e seu peso a até oito toneladas, ao passo que as fêmeas, por serem pouco menores (8,5 metros), também pesam menos (em torno de 5 toneladas). Seu tempo de vida é estimado em quarenta anos, enquanto a maturidade sexual acontece após os sete anos, para as fêmeas, e mais dois ou três anos para os machos. O tempo de gestação nesta espécie é de um ano, ao fim do qual nasce sempre uma cria. Por serem boas mergulhadoras, conseguem permanecer debaixo d’água durante períodos de até duas horas.

 

Durante anos as baleias-de-bico-de-garrafa foram caçadas por baleeiros que se aproveitavam do fato delas serem aparentemente atraídas pelos ruídos que os geradores dos barcos de pesca produziam, e por isso quase foram extintas. Mas a partir de 1977, quando legislação específica as protegeu dessa matança indiscriminada, aos poucos seu número voltou a crescer. Até meados da década de 1990 a espécie foi considerada vulnerável, mas atualmente sua situação já não preocupa tanto diante da constatação de que a quantidade desses animais vem aumentando de forma lenta, mas segura.

 

Essas baleias arredias parecem preferir viver a maior parte do tempo longe dos olhares humanos, razão pela qual pouco se conhece sobre seus hábitos. Mas, ao que tudo indica, entidades como a International Fund for Animal Wellfare (FAW) vem desenvolvendo trabalhos que procuram enriquecer as poucas informações disponíveis sobre a espécie.

 

Ao tratar desse assunto o jornal português Diário de Notícias, editado em Lisboa e datado de 23 de agosto de 2008, publicou que biólogos embarcados no veleiro Song of the Wale, “equipado com um sistema que isola acusticamente a sala das máquinas, os geradores e todos os sistemas barulhentos de que precisa para navegar e sustentar a tripulação a bordo”, pretendiam estudar as baleias-de-bico-de-garrafa. E explicou que o objetivo da missão, assim como os cuidados tomados, visavam “não perturbar os cetáceos no seu habitat natural, já que todos os ruídos antropogênicos são potencialmente perturbadores para os animais desta espécie”.

 

Complementando a informação esclareceu o jornal que “O propósito das navegações deste verão é o estudo de dois tipos de baleias-de-bico que existem naquelas águas, mas sobre as quais se sabe muito pouco. São elas a baleia-de-bico-de-garrafa do Norte (Hyperoodon ampullatus) e a baleia-de-bico de Baird (Berardius Bairdii). ‘Sabe-se muito pouco sobre estas espécies’, confirma a jovem bióloga Claire Lacey, que integra a tripulação. ‘São muito tímidas, vivem grande parte do tempo junto ao fundo e a sua fala, à base de clicks, é para nós inaudível’, sublinha. Tudo razões para que raramente seja avistada e nunca ouvida. Ninguém sabe, por exemplo, se estas baleias, à semelhança de outras espécies mais emblemáticas, como a baleia-de-bossa e os cachalotes, que também podem ser avistados nos Açores, fazem rotas migratórias. Tentar perceber isso, colecionar falas que cheguem para conhecer o seu léxico e caracterizar os seus hábitos são propósitos desta missão”.

 

Em 2006 os jornais noticiaram que duas ou três baleias-de-bico-de-garrafa haviam entrado no Rio Tamisa, Inglaterra. Enquanto as outras voltavam para o mar, uma delas, com seis metros de comprimento, seguiu curso acima ultrapassando acidentes naturais, a pouca profundidade e outros obstáculos, até encalhar em um banco de areia perto de Londres, distante da foz algumas dezenas de quilômetros. Segundo foi divulgado, a presença do animal, naquele lugar despertou a atenção do público, por curiosidade, mas também das autoridades, que através de bombeiros mergulhadores, especialistas no estudo de cetáceos, e técnicos de toda ordem, tentaram retirar o animal de onde ele se encontrava aprisionado. 

 

Decorridos dois dias essa equipe, com muito esforço, conseguiu içar o animal com a ajuda de um guindaste, levá-lo para uma plataforma e, em seguida colocá-lo na embarcação que deveria levá-lo ao estuário do rio. No entanto, a baleia não resistiu e morreu durante o trajeto para o mar. As informações fornecidas pelos encarregados do salvamento esclareciam que o mamífero mostrava sinais de estresse e esgotamento muscular, e isso indicava que o mesmo estava em sérias dificuldades.

 

Os trabalhos de resgate da baleia foram acompanhados por cerca de três mil curiosos que se aglomeraram perto da ponte de Battersea, a oeste do centro da cidade londrina. Segundo a mesma fonte, 23 milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam pela TV o resgate do animal - o primeiro do tipo a ser visto no rio Tâmisa desde o ano de 1913.

 

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Comentários:

  1.   Guilherme  ([email protected]) diz:

    Muito explicativo, vou usar (com todas as referências) para um trabalho escolar.