Famílias - CARNÍVOROS
CARNÍVOROS
No processo de evolução da natureza certos grupos de animais especializaram-se em caçar outros animais e comer-lhes a carne para garantir a própria sobrevivência. Por isso são chamados de carnívoros. Entre os mamíferos existem três subordens: Creodontes, já extintos; Fissípedes, cujos dedos são separados; e Pinípedes, com dedos unidos por membranas.
Os Fissípedes possuem duas superfamílias: Canóides e Felóides. A primeira tem quatro famílias: Canídeos (cães, cães selvagens, raposa, lobo, chacal, coiote, feneco); Ursídeos (ursos); Procionídeos (guaxinis, pandas, quatis) e Mustelídeos (vison, marta, lontra, furão, irara, ariranha). A segunda, três famílias: Felídeos (leão, tigre, onça, pantera, leopardo, gato doméstico, gato-do-mato, jaguatirica, lince); Viverrídeos (civeta, “fossa”); e Hienídeos (hiena). Dos Pinípedes fazem parte as famílias: Otarídeos (otária, leão-marinho); Odobenídeos (morsa); Focídeos (foca, elefante-marinho); e Semantorídeos (já extintos).
Os Creodontes existiram em períodos geológicos remotos e eram onívoros (comiam de tudo). Mas desapareceram quando os Fissípedes começaram a surgir. Seus restos foram encontrados na América do Norte, Europa, Ásia e África, e por eles foi possível deduzir que possuíam cauda bem desenvolvida, corpo longo e membros robustos com cinco dedos.
Os Fissípedes alcançaram alto grau de evolução e são encontrados em todo o mundo, a não ser nos arquipélagos oceânicos e Antilhas. Em geral, seus sentidos são bem desenvolvidos - em especial o olfato -, e seu tamanho vai de 15cm a 3m de comprimento. A dentadura desses animais é altamente adequada a cortar e dilacerar a carne com que se alimentam. Com esqueleto facial proeminente, a inserção do maxilar nos Fissípedes permite movimentos verticais, ao contrário dos ruminantes, nos quais há possibilidade de movimentos horizontais.
Os dedos dos Fissípides são fendidos e livres, possuindo unhas aparentes (com exceção dos felinos). A maioria perdeu um dedo em cada pata traseira, e apenas os ursos mantêm a antiga disposição, com predominância oo terceiro e quarto dedos. Sob as patas, derme e epiderme produziram saliências em forma de almofadas, que auxiliam sua locomoção. Estes grandes animais são os maiores carnívoros terrestres. De aspecto manso, quando saciados, mostram grande ferocidade quando feridos ou famintos. Dotados de força incomum, são capazes de quebrar o pescoço de um touro com uma única patada. Seu excelente faro compensa a deficiência auditiva e visual.
Muito parecidos com pequenos ursos, porém com algumas características dos canídeos (dos quais são parentes remotos), os representantes da família dos procionídeos dividem-se em oito gêneros plantígrados ou semiplantígrados (animais que ao pisar apóiam completamente a planta dos pés no chão). Entre eles destaca-se o panda, animal raro que vive nas florestas de bambu de uma pequena zona oriental da Ásia. O guaxinim, ou “mão-pelada” (na ilustração abaixo) é um dos representantes dessa família no Brasil. Curiosamente, prefere alimentar-se de pequenos animais que vivem às margens de rios e lagoas, especialmente caranguejos, e costuma apanhá-los mergulhando o grosso rabo na água; ao sentir a pinçada do crustáceo, puxa-o para fora. Outro procionídeo brasileiro é o quati, que anda sempre em bandos e utiliza o enorme focinho na procura de alimento. Os mais velhos costumam isolar-se, recebendo o nome de quati-mundéu.
Entre os carnívoros mais ferozes encontram-se os mustelídeos, que preferem guiar-se pelo olfato embora tenham os outros sentidos bem desenvolvidos. Têm o corpo longo e flexível, patas curtas e ágeis, além de glândulas anais que produzem odores desagradáveis e são usados como instrumento de defesa, Preferem viver no chão, mas há espécies arborícolas e outras semi-aquáticas. Assim como os ursos, em determinado período entram em sono profundo. No Brasil, os mais conhecidos são a irara, o furão, o cangambá, a lontra e a ariranha. Na Europa e na Ásia vivem a marta, a fuinha, a doninha, o arminho e o texugo.
Os mustelídeos brasileiros, com exceção da ariranha, preferem caçar à noite, atacando geralmente pequenos animais e causando terríveis estragos nos galinheiros. Mas alguns deles gostam muito de frutas e mel (a irara, por exemplo, é chamada de papa-mel), enquanto outros chegam a se tornar úteis, como o cangambá (às vezes confundido com o gambá), que devora bichos mortos recentemente, cobras venenosas e diversos insetos e roedores. Um dos mais ferozes mustelídeos que se conhecem é a marta (85 cm de comprimento), de pêlo marrom avermelhado no dorso e branco no peito.
Entre Felídeos, Viverrídeos e Hienídeos, que compõem a superfamília dos Felóides, os primeiros constituem a família mais evoluída, com hábitos predatórios por excelência. Possuem grande força, sentidos desenvolvidos e elegância de formas. Caracterizam-se pelo focinho curto e cabeça arredondada, patas grandes e unhas retráteis. Os Viverrídeos são carnívoros de tamanho médio, têm crânio baixo e alongado, e vivem quase exclusivamente no continente europeu. O mais conhecido deles é o mangusto que, come cobras venenosas, insetos, escorpiões e ratos. A civeta, encontrada na Índia e no Ceilão, expele um óleo de cheiro insuportável, que lhe serve de defesa e chamariz sexual.
Os hienídeos formam uma pequena família, com indivíduos que chegam a 1 metro e meio de comprimento e 80 quilos de peso. Assemelhados aos canídeos no aspecto geral, possuem as pernas posteriores menores que as anteriores, e alimentam-se de animais mortos, mesmo que já estejam em decomposição, que localizam graças ao excelente olfato. Andam sempre em bandos e atacam também animais velhos ou doentes. São capazes até mesmo de afugentar leões e tigres para comer-lhes a caça. Muito rápidas, alcançam velocidade em torno de 65km por hora. As mais conhecidas são a hiena-pintada, que vive na África, e a hiena listrada;
Os pínipides são carnívoros altamente especializados para a vida aquática. Quase exclusivamente marinhos, apresentam corpo fusiforme (alongado e com as extremidades mais estreitas) e dedos unidos formando nadadeiras. De crânio pequeno e esqueleto facial pouco desenvolvido, têm corpo hidrodinâmico, embora de forma menos acentuada que nos cetáceos Sempre em grupos, os pinípedes preferem as águas geladas, só não sendo encontrados no oceano Índico. O leão-marinho vive nas águas do sul do Atlântico e do Pacífico, e a otária, chamada de leão-marinho da Califórnia, e que substitui a foca em circos e zoológicos, pode ser encontrada no mar do Japão e nas ilhas Galápagos. Entre os pinípides são considerados mais evoluídos os focídeos que apresentam os membros posteriores mais reduzidos. A esta família pertencem a foca e o elefante-marinho. Este pode medir 6 metros e comprimento e pesar mais de 3 toneladas.
Fonte: Enciclopédia Abril





