Esopo - CÃO DORMINHOCO E O LOBO, O

Era meio-dia. O sol brilhava como nunca nas alturas, sem que uma única nuvem se dispusesse a empanar sua luminosidade. Por isso o dia estava quente, e também por essa razão o pequeno cão se ajeitara sob a copa de uma árvore e dormia despreocupado à sua sombra, certo que de que, com um calor daqueles, não só os homens, mas também outros animais estariam fazendo o mesmo que ele.

 

Enganava-se, porém, porque um lobo grande, com o dobro do seu tamanho, o despertou sem a menor delicadeza, pronto para transformá-lo em refeição. Mas o cão era esperto, pensava rápido, e assim, vendo-se naquela situação perigosa, ele ponderou à fera que o ameaçava:

 

- Não me sacrifique agora, seu lobo. Veja que eu estou magro, raquítico, e isso porque ainda não me livrei de uma doença que quase acabou comigo. Desse jeito, não serei hoje uma refeição apetitosa para o senhor, que merece do bom e do melhor. Espere mais um pouco, porque logo estarei gordinho novamente, e aí, sim, me transformarei no prato delicioso que seu estômago deseja receber.

 

O lobo examinou o cão, percebeu que estava muito magro, realmente, e então lhe virou as costas e retornou ao mato de onde saíra. Meses depois ele retornou àquele lugar. Estava cansado, com fome, e por esse motivo procurou pelo cão que poupara algum tempo atrás. Ao vê-lo dormindo na varanda do andar de cima, ele chamou:

 

- Oi, cãozinho, você não me esqueceu, certo? E garanto que também está lembrado do que combinamos ainda outro dia, não é mesmo?

 

E o cão respondeu lá do alto:

 

- Claro que não, seu lobo. Por isso lhe digo: da próxima vez que encontrar alguma presa dormindo, pegue-a depressa e trate de saciar a sua fome ali mesmo, na hora. Porque do contrário, certamente o senhor não terá outra oportunidade para fazê-lo.

 

Moral da história: Ao se salvar de um grande perigo, o homem sensato se previne para sempre contra ele.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.

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