Esopo - CAMINHANTE E A ESPADA, O

O caminhante seguia sozinho pela estrada em busca do seu destino, quando avistou uma espada perdida em meio à vegetação rasteira que cobria a beira do caminho. Ele foi até onde ela se encontrava e a pegou com certo cuidado, observando atentamente a bainha bem trabalhada, a pureza do aço da lâmina que brilhava ao sol, a beleza do seu punho e guardas. Uma vez terminado o exame visual o caminhante perguntou-lhe quem a tinha perdido, ou então a deixara esquecida ali, naquele pedaço de chão. A espada a princípio permaneceu calada, mas ao ser inquirida pela segunda vez, decidiu responder:

 

- Embora estejas me vendo desse jeito, jogada ao solo como se não tivesse valor algum, a verdade é que ninguém me perdeu ou quis se livrar de mim. Muito pelo contrário! Os que me querem são tantos, que não consigo contá-los. Apesar disso, eu já provoquei a perdição de muita gente, porque dando oportunidade a que acontecessem brigas, matei muitos homens, e o resultado foi que os matadores perderam o rumo de suas vidas, enquanto os mortos mais perdidos ainda ficaram, pois se não estavam com a alma limpa, certamente caminharam diretamente para o inferno.

 

Moral da história: A arma, quando serve ao seu dono, ou o manda para a cadeia ou o faz descansar para sempre no cemitério.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.

 

 

 

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