Esopo - CÃO IMPERTINENTE, O

O dia era mormacento, abafado, razão pela qual o cão buscava um jeito de escapar daquela canícula que lhe tirava o ânimo, deixando-o sonolento e indisposto. Ele procurava um lugar onde pudesse deitar-se e dormir em paz, aguardando a chegada de ares mais suportáveis, e por isso dirigiu-se ao estábulo que avistou pouco adiante, entrou nele e imediatamente se sentiu no paraíso, pois o chão de terra úmida que encontrou no lugar dava ao ambiente coberto e fechado uma sensação de frescura que o fez suspirar de alívio e agradecimento à boa fada que o havia encaminhado para lá. Satisfeito com o acontecido, o cachorro se acomodou em um canto, sobre um monte de palha, e logo pegou no sono.     

 

Pouco tempo depois um boi foi levado para o mesmo local. Naquela manhã, este animal havia trabalhado com o seu dono desde que o sol nascera, e como estava esfomeado, tratou de comer o capim que alguém havia colocado no cocho antes de sua chegada. Mas o barulho dos movimentos que ele fazia acordou o cão, que insatisfeito por ter sido despertado daquela maneira, levantou-se de um pulo, acercou-se do boi e começou a latir furioso, fazendo-o afastar-se para um canto.

 

E assim permaneceram os dois por algum tempo. Toda vez que o boi tentava aproximar-se do cocho, o cão rosnava ameaçador, mostrava-lhe os dentes e latia no tom mais alto e estridente que conseguia arrancar de dentro de si. Na terceira vez em que isso aconteceu, o boi, entendendo que precisava colocar um ponto final naquela situação incômoda e indefinida, ponderou paciente:

 

- Olha, criatura, se você continuar agindo desse jeito, eu não como... mas você também não dorme.      

 

Moral da história:  Tem gente que só sente prazer quando tira o prazer dos outros.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.

 

 

Deixe um comentário:

  

      

  

caracteres restantes.


Comentários:


Nenhum comentário.