Curiosidades - FARO DOS ANIMAIS, O
Cães do mundo inteiro, além de lobos, chacais, coiotes, raposas, dingos e cães-selvagens-da-áfrica, têm o olfato altamente desenvolvido. Neles, a visão e a audição também são bastante aguçadas e desempenham um papel importante na vida de cada um, mas seu sentido primordial é o olfato. No interior do seu focinho há uma área sensorial muito maior que a nossa, com cerca de 50 vezes mais células olfativas.
O cachorro sadio tem o nariz molhado e frio. Como o formato do seu focinho facilita a circulação do ar por essa área sensorial, as partículas de odor dissolvem-se em suas secreções nasais, estimulando a produção de mais secreções. Através de experiências descobriu-se que os cães são muitas vezes mais sensíveis aos cheiros que o homem, e por isso são usados para farejar substâncias diversas, desde pessoas e objetos enterrados, até drogas e explosivos escondidos em bagagens.
Quanto aos lobos, quando o vento traz o cheiro de uma presa eles levantam o focinho e seguem seu olfato até a vítima. Alguns estudos mostraram que esses predadores podem farejar a 365m de distância, ou mais, algum outro animal que lhes sirva de refeição, enquanto em outra observação constatou-se que um bando deles conseguiu detectar a presença de um alce americano com seus filhotes, a mais de 2,5km de onde estavam. Por sua vez, o coiote norte-americano combina olfato e visão aguçada à velocidade para conseguir comida, mesmo em terrenos inóspitos. Ele fareja coelhos, roedores e carniça, mas quando esses alimentos não estão disponíveis, come insetos e frutas.
Mas não são apenas os representantes da família Canis que se valem de sua apurada capacidade de sentir e identificar os cheiros para encontrar o que comer. Entre as aves, o kiwi da Nova Zelândia, que tem o tamanho de uma galinha, não pode voar, e para muitos aparenta ser um porco-espinho, é uma delas. Essa ave tem todos os sentidos e constituição física necessários para fuçar as folhas que cobrem o solo e cavar a terra em busca de minhocas, lesmas e outros petiscos suculentos (ela procura comida à noite, fuçando o chão com seu bico longo e sensível). A maioria das aves que fazem a mesma coisa se vale do tato ou da visão para realizar essa tarefa, mas o kiwi usa o olfato. Ele tem narinas na ponta do bico e receptores olfativos na base do ventrículo respiratório, enquanto a membrana olfativa que possui é convoluta (enrolada em forma cilíndrica) como a dos cães, para aumentar a sua área de superfície.
Mesmo que isso possa parecer incomum, ou surpreendente, no mundo das aves o kiwi não é a única com essa aptidão. Na América do Norte, engenheiros que consertavam um gasoduto notaram que os abutres-perus (encontrados do sul do Canadá até o sul da América do Sul, chegando a alcançar 81cm de comprimento) tendiam a reunir-se em volta do local de vazamento. Essa observação não só lhes poupou tempo e dinheiro, como forneceu a evidência de que algumas aves têm o olfato bastante desenvolvido. Os abutres do Velho Mundo usam a visão para localizar uma carcaça, ou para identificar outros abutres que voam em direção a uma planície aberta para se alimentar. Mas os do Novo Mundo, particularmente os que sobrevoam áreas densamente arborizadas onde não se pode enxergar através do topo das árvores, precisam sempre contar com o olfato para detectar carniça, e para isso têm grandes áreas do cérebro destinadas ao sentido do olfato.
Um pequeno pássaro conhecido em Angola, África, pela designação de indicador (ilustração acima) encontra os ninhos das abelhas através do olfato – ele tem, no bico, grandes narinas circundadas por estrias – e é especialmente atraído pela cera dos favos de mel, bem como pelas larvas criadas dentro deles. Na África do século 16, um missionário português descobriu que todas as vezes que acendia, na igreja, velas feitas de cera de abelha, o lugar ficava infestado de ávidos indicadores-de-mel à procura de seu petisco predileto.
Mas a fauna aquática também tem seus representantes dentro dessa categoria de bons cheiradores, e o tambaqui, peixe encontrado na bacia amazônica e do qual se aproveitam a saborosa carne e o óleo, é um deles. Depois que o gelo derrete nos Andes, a água escorre para a bacia do rio Amazonas e inunda grande parte da floresta pluvial. Nesse estranho mundo inundado o tambaqui nada entre as árvores à procura de sementes de seringueira. Ele tem um olfato excelente porque suas narinas em forma de funil são cobertas por uma saliência que, quando suspensa, permite uma maior passagem de água pelas células olfativas. Cada espécie de árvore produz uma combinação única de elementos, como látex, óleos e ácidos, e parece que esse peixe consegue identificar as árvores pelo seu cheiro característico.
Quando estão dando frutos, as árvores passam por mudanças bioquímicas distintas, e é possível que o tambaqui consiga farejar de quais os frutos irão cair. Assim, eles nadam ao seu redor esperando que isso aconteça, e quando são alertados pelo som de uma fruta que caiu na água, eles usam o olfato para chegar até ela. Embora os frutos tenham uma casca externa dura, o tambaqui não encontra dificuldade em mastigá-lo com seus fortes dentes e mandíbulas, para chegar às sementes dentro dele. Mas ao subir à superfície para abocanhar os frutos, o tambaqui corre o risco de ser pego por um pescador que os esteja utilizando como isca.





