Esopo - GALOS E A PERDIZ, OS
No quintal de sua casa o homem criava dois galos que disputavam acirradamente, várias vezes ao dia, o posto de rei do terreiro. Mas como nessas brigas eles não conseguiam definir quem era quem naquela busca desesperada pelo título tão desejado, as manhãs, tardes e noites então se sucediam com as duas aves briguentas fortalecendo cada vez mais, à custa do sangue que uma tirava da outra, a rivalidade que as separava de forma irreconciliável.
Certo dia o dono da propriedade comprou uma perdiz doméstica e a deixou no galinheiro, junto com os dois galos rixentos. Mas tão logo estes viram a nova companheira em seus domínios, passaram imediatamente a maltratá-la com bicadas violentas, e a pobre perdiz, imaginando que eles faziam aquilo por considerá-la uma intrusa de espécie diferente daquela a que pertenciam, sentia-se tremendamente humilhada pelos companheiros empenados, sem saber o que fazer para livrar-se da situação constrangedora em que havia sido colocada.
Mas não foi preciso muito tempo para a coitada perceber que a rotina no galinheiro era os dois galos brigando entre si, bastando um se aproximar do outro para que a luta deles recomeçasse. E quando finalmente se separavam, estavam feridos e cobertos de sangue. Foi aí que a perdiz entendeu que o problema não era com ela, pois os dois inimigos que por instinto e índole se engalfinhavam a todo o instante, simplesmente não permitiam, por vontade própria ou ignorância, que a paz pudesse existir entre eles.
Moral da história: Se no lugar onde você mora os vizinhos não conseguem conviver em paz, o mais certo é que eles também não o deixarão sossegado.
Baseado em uma fábula de Esopo.





