Leonardo da Vinci - CLEMATITE, A

A clematite fora plantada sob um caramanchão armado à direita do caminho de acesso à casa da fazenda e crescia vigorosamente, agradecendo à terra fértil e ao bom trato. Seu ramo principal, firmemente agarrado a uma estaca, avançava com a pressa possível, sempre para cima, em direção à luz do sol que brilhava nas alturas. E assim lá ia ela subindo cada vez mais, resoluta, sem descanso, até que chegou ao alto. Então, feliz da vida, a clematite se pôs a observar os arredores com curiosidade dos que ainda não conhecem nada, e percebeu que bem à sua direita, do lado de lá do caminho, um outro caramanchão fora preparado, mas se encontrava vazio de plantas. 

 

- Oh, como eu gostaria de ir até lá - pensou a trepadeira. - Aquele caramanchão é maior que do este onde estou. Além disso, também é mais bonito. Quem sabe se eu não conseguirei me ajeitar nos dois?

 

E passando do pensamento à ação a clematite pouco a pouco foi estendendo seu braço em busca da outra armação, fazendo força para não deixá-lo dobrar-se em direção ao solo, até que finalmente a alcançou. Vitoriosa, ela ergueu a ponta de sua guia o mais alto que pôde, para que todos nas redondezas pudessem tomar conhecimento de sua conquista, e depois passou a prender-se alegremente aos arames e ripas que formavam a teia daquele anexo de sua morada.

 

Porém, não demorou muito para que um dos moradores tomasse o caminho em direção à casa, e quando ele percebeu que o ramo da clematite estava impedindo a sua passagem, porque lhe ficava à altura dos olhos, pegou o galho, cortou-o, arrancou-o do caramanchão e o jogou na vala que ficava do outro lado do jardim, acabando com o sonho de expansão da planta cuja avidez não lhe permitiu perceber a situação perigosa em que estava se colocando.

 

Moral da história: Quem tudo quer, tudo perde.

 

Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci

 

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