Leonardo da Vinci - FIGUEIRA, A
Certa figueira jamais havia dado frutos, e talvez por isso os que passavam por ela não se preocupavam em olhá-la com um pouco mais de atenção, supondo, talvez, que fosse uma árvore comum, dessas sem maior serventia.
A figueira se lastimava por isso, principalmente porque se esforçava o mais que podia na tentativa de tornar realidade o seu destino de fruteira. Mas tudo em vão, porque quando chegava a época apropriada e as outras árvores se cobriam de frutos, ela permanecia mostrando apenas as folhas e os ramos nus, o que a deixava envergonhada e humilhada. Razão pela qual murmurava desconsolada:
- Eu só queria produzir frutos como qualquer outra da minha família.
Apesar dos pesares ela continuou tentando, tentando, tentando, até que um dia, sabe-se lá como e por que, apareceu carregada de figos que cresceram, tornaram-se bonitos, sem defeitos, tão doces e perfumados que a notícia logo se espalhou pelas redondezas, despertou a atenção dos homens, e estes correram imediatamente à sua procura, subiram em seu tronco, dependuraram-se em seus galhos mais fortes, vergaram os mais fracos, bateram em seus ramos com varas de bambu, cada um deles motivado pelo mesmo desejo ganancioso de recolher a maior quantidade possível de frutos.
Resultado: em pouco tempo a pobre figueira ficou praticamente destruída, lamentando inconsolável a obsessão que terminara levando-a àquele estado.
Moral da história: Os que fazem tudo para atrair a atenção dos outros, podem ter a infelicidade de receber o que não desejam.
Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci





