Leonardo da Vinci - FORMIGA E O GRÃO DE TRIGO,, A

A colheita havia terminado e um grão de trigo ficou esquecido no campo. Sem poder fazer outra coisa senão permanecer onde estava, aguardando pela chuva que poderia escondê-lo sob a terra, ele ficou ali, resignado, até que uma formiga o descobriu, segurou-o em suas pinças, e partiu com ele em direção ao formigueiro onde morava, caminhando penosamente pelas irregularidades do terreno. A certa altura do caminho, sentindo-se cansada, a formiga parou e soltou o grão de trigo, que ao se ver novamente no chão perguntou ao inseto:

 

- Por que você não me deixa aqui mesmo. Eu sei que lhe está sendo cada vez mais difícil me carregar para sua casa.

 

- Não posso fazer isso - respondeu a formiga. - Nem eu, nem formiga nenhuma, porque nossa tarefa é levar para o formigueiro tudo o que nos possa servir de alimento. Do contrário, nós, que somos muitas, ficaremos sem provisões suficientes para nos alimentarmos durante o inverno.

 

- Mas eu sou uma semente - retornou o grão de trigo. - e o meu destino é gerar uma nova planta, e não ser comida por quem quer que seja. Por isso, vou lhe fazer uma proposta: se você me deixar aqui, dentro de um ano poderei lhe dar em troca cem grãos de trigo iguais a mim, cem grãos que irão abastecer o depósito do seu formigueiro e servirão para alimentar todas vocês por algum tempo. Pense nisso.

 

- Cem grãos? Iguais a você?

 

- Isso mesmo.

 

- Mas como isso será possível?

 

- Esse é o grande mistério da vida, formiga, o do crescei e multiplicai-vos. Não tenho como lhe explicar isso agora, mas basta você cavar um buraco pequeno, me enterrar dentro dele e voltar daqui a um ano para buscar o que estou lhe prometendo agora. Confie em mim e não se arrependerá.

 

E a formiga confiou, tanto que fez tudo o que lhe foi recomendado. No ano seguinte, ao retornar àquele mesmo lugar, encontrou o grão de trigo transformado numa planta carregada de sementes, e aí, então, ela pode receber, grão por grão, tudo o que lhe havia sido prometido meses antes.

 

Moral da história: Quem planta, colhe.

 

Baseado numa fábula de Leonardo da Vinci.

 

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