Leonardo da Vinci - OSTRA E O CARANGUEJO, A

A ostra morava em um rochedo voltado para o lado em que a Lua nasce todas as noites, e de tanto vê-la surgir e caminhar serena pelo céu, iluminando com seu brilho a escuridão que tudo esconde, acabou se apaixonando por ela. E toda vez que sua amada se mostrava cheia, resplandecendo no firmamento tal qual um Sol noturno, a ostra quedava-se boquiaberta, admirada, extasiada, e assim ficava durante horas, para que seus olhos pudessem acompanhar passo a passo a lenta caminhada da rainha esplendorosa por seus domínios no firmamento.

 

De sua toca um caranguejo percebeu que nas noites de Lua cheia a ostra ficava completamente aberta, desprevenida, o que dava a ele a oportunidade de alcançá-la e comê-la. E ele decidiu não desperdiçar essa chance. Então, na noite seguinte, quando a ostra mais uma vez se abriu e se deixou embalar por seus sonhos de amor impossível, o caranguejo acercou-se dela e colocou um pedregulho dentro da concha.

 

Apanhada de surpresa, a coitada tentou fechar-se novamente. Mas em vão. Porque por maior que fosse o esforço que fazia, o pedregulho a impedia de trancar-se em segurança dentro de sua casa. E foi assim que logo depois chegou ao fim o amor platônico da pequenina e sonhadora criatura marinha.

 

Moral da história: Em boca fechada não entra mosca.

 

Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci

 

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