Extintos - BAIJI - Golfinho branco

As agências de notícias informaram no início do mês de agosto de 2007, que Baigi, o golfinho de água doce chinês, pode estar extinto. Cientistas da China, do Japão, do Reino Unido e dos Estados Unidos, não conseguiram encontrar nenhum exemplar desse mamífero aquático durante uma busca de seis semanas realizada em seu habitat, o rio Yang-tsé, na China, no ano de 2006. O resultado dessa pesquisa foi divulgado pelos especialistas da Sociedade Zoológica de Londres, em relatório publicado na revista Royal Society Biologe Letters, do qual consta a afirmativa de que “este golfinho é o primeiro cetáceo a desaparecer da Terra como resultado direto da influência do homem, devido à pesca desregulada”.

 

Segundo Wang Ding, membro da Academia Chinesa de Ciências, que coordenou a busca e é considerado um dos maiores especialistas desta espécie, o golfinho foi vítima da poluição devastadora, da pesca ilegal e do pesado tráfego de embarcações que ocorre no rio. Além disso, a construção da represa de Três Gargantas em seu habitat, também pode ser incluída entre as causas de sua extinção. Apesar da absoluta falta de sinais sobre a presença de baijis, registrada durante a missão, Wang ressalvou que ainda não perdeu as esperanças em relação ao destino do golfinho, afirmando que “Não estamos dizendo que ele desapareceu por completo”, embora reconhecendo que “seriam necessários pelo menos 20 indivíduos para dar à espécie uma chance de recuperação”.

 

Outro integrante da Sociedade Zoológica de Londres, o cientista Sam Turvey, classificou a extinção como trágica. Para ele, o golfinho do rio Yang-Tsé era um mamífero incrível que se separou de outros dessa família há mais de vinte milhões de anos, e por isso sua “extinção representa o desaparecimento de um galho completo da árvore da evolução da vida, sendo necessário ressaltar que precisamos assumir nossa responsabilidade como guardiões do planeta”. A espécie, conhecida cientificamente como Lipotes vexillifer, era a única da família Lipotidae, que aparentemente se separou de outros mamíferos marinhos, como baleias, golfinhos e botos, entre 20 e 40 milhões de anos atrás.

 

Durante quase dois meses a equipe de 30 cientistas vasculhou um trecho de mil e setecentos quilômetros do rio habitado pelo golfinho. Os dois barcos da expedição, equipados com binóculos e microfones subaquáticos, percorriam o Yang-Tsé com intervalo de uma hora entre cada busca, e sem contato por rádio, para que as opiniões de um grupo não influenciassem as do outro. Ao final desse trabalho, August Pfulger, um dos líderes da expedição, declarou: “Temos que aceitar o fato de que o baiji está tecnicamente extinto. Perdemos a raça. É uma tragédia, uma perda não só para a China, mas para todo o mundo. Estamos muito tristes”.

 

A descoberta feita pelos pesquisadores da Sociedade Zoológica de Londres significa que o baiji, primo do golfinho nariz-de-garrafa, espécie que também está na lista de risco de desaparecimento, é o primeiro mamífero a ser considerado extinto em mais de cinqüenta anos. A última vez em que ele foi visto no Yang-tsé, aconteceu há dois anos. Por outro lado, a última contagem oficial realizada por uma equipe de pesquisa, remonta a 1997, quando então foram contabilizados 13 golfinhos.

 

Segundo o site www.baiji.org, há cem anos cerca de 5.000 mamíferos dessa espécie viviam no rio chinês. Apesar da divulgação de todos esses dados, o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF, na sigla em inglês), considera que a análise não é definitiva, tendo declarado, através de um porta-voz, que: “O WWF não acredita que o golfinho baigi possa ser declarado extinto ou ‘extinto de fato’, porque a pesquisa foi realizada em um curto período de tempo, em uma área limitada do rio”.

 

O baiji, também conhecido em português como golfinho branco, era considerado um autêntico fóssil vivo que habitava ás águas do rio mais longo da China há 25 mil anos. De olhos pequenos, e praticamente cego, tinha o corpo de cor clara, em um tom azulado pendendo para cinza, com barriga branca acinzentada. Suas barbatanas eram baixas e de forma triangular, e as nadadeiras arredondadas e curtas. Seu tamanho médio, quando adulto (dois anos), alcançava os 2,4 metros, e seu peso, também nessa faixa etária, variava entre 100 e 160 quilos. Vivendo até os 30 anos, o baigi tinha sua alimentação baseada em pequenos peixes e camarões, que capturava com a boca guarnecida de 65 dentes em cada fila de ambas as mandíbulas.

 

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