La Fontaine - RAPOSA E O TAMBOR
Conta-se, na floresta, a história da raposa esfomeada que andava sem rumo à procura do que comer. Ninguém sabe dizer se isso aconteceu porque a idade havia lhe tirado um pouco da agilidade corporal e esperteza no pensamento; ou se aquele período que ela vivia era mesmo de escassez de alimento em virtude dos bichos, por um motivo ou por outro, terem se afastado para outras áreas da mataria. O fato é que a raposa estava em jejum já fazia quase três dias, e a coitada, desesperada, prosseguia em sua caçada infrutífera.
Nisso ela chegou a um lugar de mato mais fechado, onde um tambor que ali fora esquecido fazia soar ruidosamente o seu tum, tum, tum, toda vez que o sopro do vento agitava os ramos das árvores copadas que o cercavam, levando-os a bater no instrumento. Ao ouvir o barulho a raposa se aproximou sorrateira, pé ante pé, e ao avistar aquela coisa estranha e barulhenta, pensou consigo mesma:
- Não sei o que é isso, mas pelo tamanho, deve ter muita carne e gordura.
E saltou sobre o tambor mordendo-o gulosamente, mas só depois de algum tempo foi que conseguiu rompê-lo. Para descobrir, desalentada, que ele era oco, e por isso de nada lhe servia. Frustrada, lá se foi a raposa em outra direção, mastigando a fome que castigava suas entranhas.
Moral da história: Quase sempre as coisas mais desprezíveis são justamente aquelas de maior tamanho e voz mais forte.
Baseado em uma fábula de La Fontaine.





