Artrópodes - ÁCAROS - Doenças alérgicas
Os aracnóides pertencem a uma família extremamente rica dos artrópodes e seus representantes mais conhecidos são as aranhas, os escorpiões e os carrapatos, animais popularmente classificados como insetos, embora eles possam ser facilmente reconhecidos mesmo com um rápido olhar: os insetos têm três pares de patas e os artrópodes quatro, além de não possuírem cabeça diferenciada do tronco, nem antenas, como aqueles. Entre os aracnóides também estão catalogados os acarinos, ou ácaros, com milhares de espécies na maioria terrestres, algumas destas sendo predadoras livres e muitas parasitando vegetais, vertebrados e até insetos.
Aranhas, ácaros e pequenos insetos já foram encontrados a 5 mil metros de altitude (embora muitos desses animais nem ao menos saibam voar), levados que foram pelos ventos altos e pelas correntes aéreas, valendo-se de um meio de propagação que lhes permite vencer grandes distâncias e superar obstáculos como mares, montanhas e desertos. Mas a disseminação dos ácaros também é feita por meio de outros artifícios interessantes: os que vivem de flores, por exemplo, costumam subir pelo bico dos beija-flores, ou então nas mamangabas (um tipo de abelha de corpo grosso e peludo) quando elas buscam néctar dentro da flor. Esses ácaros não prejudicam seus hospedeiros, usando-os apenas como meio de transporte para a próxima planta.
Alguns tipos de ácaros vivem em insetos e aranhas, existindo espécies de tamanho tão diminuto que uma colônia inteira desses animais consegue sobreviver dentro de uma única orelha da mariposa-tigre, que é encontrada nos Estados Unidos. O interessante nesse caso é que os ácaros limitam sua presença a uma orelha apenas, pois se ocuparem as duas isso poderá perturbar o equilíbrio da mariposa, que depende fundamentalmente do bom funcionamento do seu aparelho auditivo para conseguir escapar do morcego marrom. Enquanto esses morcegos só conseguem localizar as mariposas a uma distância de cinco metros, estas são capazes de captar os guinchos agudos com que seus predadores se orientam para voar quando eles estão a uma distância de até quarenta metros, o que lhes concede tempo suficiente para fugir e evitar que também os ácaros façam parte da refeição procurada pelo caçador noturno. Outra espécie de ácaro vive nas formigas do prado, logo abaixo de sua cabeça, presos a elas com suas seis pernas tipo gancho. As outras duas pernas, muito mais longas que as demais, são usadas para bater na antena de sua hospedeira com o código usado para elas falarem entre si, o que as persuade a regurgitar comida, propiciando ao ácaro uma refeição grátis.
O Instituto Biológico de São Paulo, Campinas-SP, em texto publicado a respeito dos ácaros, esclarece que eles constituem um grupo de pequenos invertebrados que podem ser encontrados praticamente em todo o planeta, colonizando com sucesso os ambientes terrestre e aquático. O total de suas espécies conhecidas é hoje estimado em aproximadamente 30.000, e como acontece em diversos grupos de organismos, entre elas também são encontradas diversas formas de vida. Quanto à sua alimentação, podem ser fitófagos (que se alimentam de vegetais), saprófagos (que se alimentam de coisas putrefatas), coprófagos (que se alimentam de excrementos), necrófagos (que se alimentam de animais mortos), parasitos e predadores. Muitos dos predadores alimentam-se de ácaros que danificam as plantas, desempenhando importante função no equilíbrio ecológico. Por outro lado, vários ácaros são pragas responsáveis por muitos danos às plantas cultivadas em todo o mundo (na ilustração acima, colônia de ácaros).
Para a medicina, o ácaro é o principal agente de substâncias causadoras de alergias numa casa. Ácaros, fungos e bactérias causam conjuntivite, eczema, sensação de peito fechado à noite, espirros, coceira nas mãos ou face, corrimento ou bloqueio e até mesmo asma. Camas, colchões e travesseiros mantêm microclimas cujo grau de calor e umidade são favoráveis ao surgimento de ácaros, e segundo estudos realizados a esse respeito, ficou demonstrado que após 6 anos de uso, um travesseiro pode ter 10% de seu peso em ácaros, seus detritos e fragmentos de pele humana. Existem mais de 30 mil espécies de ácaros (e o carrapato é um deles), mas os que mais causam doenças alérgicas vivem dentro de nossas residências: são os dermatofagóides, ou comedores de pele (dérmato quer dizer pele e fagóide significa que come), sempre presentes e prolíferos onde habitualmente houver descamação de pele.
Por isso, embora os carpetes, estofados e armários de nossa casa possam abrigar muitos ácaros, o colchão é o lugar ideal para eles, uma vez que o calor e a umidade de nosso corpo, a descamação natural da pele, além dos lençóis e colchas que mantêm o escurinho e a umidade mesmo durante o dia, propiciam as condições de que eles necessitam para se desenvolverem. Além do mais, o clima brasileiro é favorável à procriação dessa espécie, já que os ácaros precisam de temperaturas acima de 20°C e umidade relativa do ar entre 60 e 70%.
Em geral, o ácaro fica retido entre as fibras do colchão, não em sua superfície. O que provoca alergia é o animal morto que se solta das fibras e elimina bolotas fecais extremamente alergizantes. Quando a pessoa se senta ou se deita na cama, é como se pulverizasse essas substâncias para o ar, que voltam a cair e são inaladas. Esses pequenos animais ficam presos nas fibras dos tecidos e os aparelhos não têm como removê-los dali. Os que produzem vapor quente conseguem matar os ácaros porque eles morrem a 60º. O problema, porém, é que umedecem o tecido e, como não se consegue secar completamente o colchão, o carpete ou o estofado, depois de algum tempo a população de ácaros aumenta muito. O ácaro vive mais ou menos cem dias e a fêmea coloca cerca de dois ovos por dia, portanto 200 durante a vida.





