Esopo - RAPOSA E O PÁSSARO-PRETO, A

O pássaro-preto estava pousado em uma arvore, buscando um lugar onde pudesse descer e comer sossegado o queijo que trazia no bico. Nesse momento uma raposa passava ali por perto, e caminhava contrariada, porque naquela manhã de sol quente ainda não conseguira encontrar alimento que pudesse acalmar a grande fome que sentia, embora já estivesse cansada de andar inutilmente, para lá e para cá.

 

Farejando o ar à procura de alguma presa ela sentiu o cheiro do queijo, e percebeu que vinha de algum lugar nas redondezas. Por isso parou, pôs-se a observar os arredores, e então descobriu o pássaro-preto que permanecia no mesmo galho, tentando ainda descobrir no chão um cantinho que não lhe oferecesse perigo.


 

Imediatamente a raposa começou a pensar no que fazer para se apoderar daquela iguaria apetitosa e comê-la antes que a ave que se espantasse e voasse para longe. E logo encontrou a solução. Então, olhando para cima, disse com a voz mais suave que conseguiu emitir:

 

- Meu amigo pássaro-preto, como você é imponente, como você é bonito!  Já de muito tempo eu venho observando com atenção esse seu porte esbelto, essa cor firme e brilhante das suas penas, a elegância majestosa com que se movimenta pela floresta. Mas apesar disso, eu ainda pergunto a mim mesmo: será que a sua voz é tão bela e harmoniosa como o seu corpo? Será que ela consegue nos encantar da mesma forma como acontece com a sua aparência física? Se for assim, meu caro, então você deve ser o rei dos passarinhos. Com toda a certeza!

 

Ouvindo aqueles elogios o pássaro-preto encheu-se de vaidade e por isso abriu o bico para cantar. Mas assim que o fez, o queijo despencou lá de cima e caiu direto nas garras da raposa, que o devorou na mesma hora.

 

Moral da história: Tolos são os que se deixam enganar com facilidade por falsos elogios.

 

Baseado em uma fábula de Esopo.


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