Antigas - FAROL DE ALEXANDRIA
Desde o início da navegação marítima parece ter surgido a necessidade de orientar os navios por meio de fogos acesos em partes elevadas, tal como aconteceu com os navegantes da Odisséia, de Homero (obra que relata as aventuras vividas por Ulisses quando voltava para a sua terra, após a guerra de Tróia), de cujo texto consta a informação de que os marinheiros gregos guiavam seus barcos à noite, por meio de fogos acesos nos promontórios.
Um dos fogos mais antigos de que se tem notícia foi o instalado, em 280 antes de Cristo, no alto de uma torre de mármore branco com altura entre 135 e 150 metros, segundo relatos antigos, na ilha de Faros, em Alexandria, Egito (posteriormente, o nome da ilha daria origem à palavra farol), uma obra de tal magnitude que foi considerada, na antiguidade, como uma das sete maravilhas do mundo. Mas sua história começa antes disso, quando Alexandre, o Grande, conquistador macedônico, fundou a cidade de Alexandria em 332 antes de Cristo, instalando-a 20 milhas à oeste do delta do Nilo a fim de evitar que o lodo e a lama carregados pelo rio pudessem bloquear seu porto. Alexandre morreu alguns anos depois, em 323 antes de Cristo, mas Ptolomeu II, que assumira o trono do Egito em 285 antes de Cristo, por indicação de seu pai, Ptolomeu I, fundador da dinastia grega dos Lágidas no Egito, deu continuidade às obras que haviam permitido à cidade tornar-se rica e próspera, e por isso transformar-se na capital do Egito.
Ele encorajou o comércio, a literatura, as ciências e as artes; deu enorme importância ao museu e biblioteca que seu pai havia criado, fazendo de Alexandria um centro de cultura helênica; desenvolveu o comércio marítimo no mar Vermelho graças à construção de um canal que o ligava ao rio Nilo, e por isso o porto alexandrino transformou-se em um dos mais movimentados de sua época. Em virtude desse entra-e-sai de embarcações foram aceleradas as obras de edificação do farol destinado a guiar os navios comerciais que navegavam por aquelas águas, entregues no reinado anterior ao arquiteto grego Sóstrato de Cnido, e quando esses trabalhos finalmente chegaram ao seu final, erguia-se na ilha a mais alta construção então existente, com exceção da Grande Pirâmide.
Existe a versão de que Sóstrato, orgulhoso do trabalho que fizera, pretendia ter seu nome gravado na fundação, mas diante da recusa de Ptolomeu II (que desejava fosse seu nome o único inscrito na construção), ele, inteligente como era, mandou talhar na pedra a frase "Sostrates filho de Dexifanes de Cnido em nome de todos os marinheiros para os deuses salvadores", e a cobriu com gesso, escrevendo por cima o nome de Ptolomeu. Com o tempo a capa de gesso envelheceu e acabou caindo, revelando assim a declaração do arquiteto.
Duas descrições do farol, datadas do século 10, mostram-no com 300 cúbitos de altura (medida correspondente à distância entre o cotovelo e a ponta do dedo máximo, no braço de um homem), mas como ela variava (52,5cm entre os antigos egípcios; 44,36cm entre os antigos romanos; 46,29cm entre os antigos gregos; 44,65cm entre os antigos hebreus), pode-se dizer que o farol ficava entre 450 e 600 pés de altura (cada pé equivalente a 33 cm). Sua estrutura, parecida com a dos arranha-céus modernos, possuía três estágios, um sobre o outro, com o de nível mais baixo tendo provavelmente 200 pés de altura e 100 pés quadrados. Durante séculos o farol foi usado para advertir os navegantes em busca do porto, sobre a presença dos recifes, usando fogo a noite e refletindo os raios solares durante o dia, através de um espelho côncavo (diz a lenda que o espelho, provavelmente metálico, também era usado para queimar navios inimigos antes deles alcançarem a costa). Além disso, ele também dispunha de engenhos que marcavam a passagem do sol, as horas e a direção do vento, e ainda alarmes acionados a vapor, que tocavam durante o mau tempo.
Na Idade Média, quando os árabes conquistaram o Egito, eles admiraram Alexandria e sua riqueza, mas mesmo assim transferiram a capital para o Cairo porque não tinham interesses no mar Mediterrâneo. Em conseqüência, transformaram o prédio numa pequena mesquita, e quando o espelho quebrou, não foi substituído. Em 956, um terremoto atingiu Alexandria, causando alguns danos sérios no farol; em 1303 e em 1323, dois terremotos mais fortes causaram estragos significantes na sua estrutura. O golpe definitivo veio em 1480, quando os mamelucos (milícia turco-egípcia, primitivamente formada de escravos) que dominavam o Egito na época, decidiram fortificar a defesa da cidade e para isso construíram um forte medieval no mesmo local onde ficava o farol, usando as rochas e o mármore retirados da edificação.
Apesar da fama, o farol de Alexandria só passou a integrar a relação das Sete Maravilhas do Mundo no século 6 da era cristã, já que nas relações anteriores as muralhas da Babilônia ocupavam o seu lugar. Das seis Maravilhas que se perderam ao longo dos séculos, o Farol foi o último a desaparecer, e é por isso que temos conhecimento exato de sua localização e aparência. Avaliações antigas, tais como as de Estrabão e Plinio, o Velho, nos dão uma breve descrição da torre e do revestimento de mármore branco nela utilizado.





