Antigas - TEMPLO DE ÁRTEMIS
Os jônios formavam uma grande tribo helênica que povoou a Grécia antiga. Eles se estabeleceram primeiramente no litoral setentrional do Peloponeso, mas depois, como tribos invasoras os forçaram a buscar outras terras, eles foram para a margem oposta do mar Egeu, onde fundaram, nas ilhas e no continente, cidades de navegantes e mercadores. Uma dessas cidades foi Efeso, da qual só restam ruínas, construída na costa oriental da atual Turquia.
Por volta de 800 antes de Cristo, os jônios ergueram ali o primeiro santuário dedicado à Ártemis. Ela não era a mesma deusa grega da caça e da vida selvagem, aquela a que os romanos deram o nome de Diana, mas uma divindade protetora da fertilidade, e por isso sempre representada pelos artistas como uma mulher de múltiplos seios, que era a forma de simbolizar sua condição fértil. Construído em uma faixa pantanosa próxima ao rio da localidade, esse templo foi destruído e reconstruído várias vezes no decorrer dos duzentos anos seguintes, até que em 600 antes de Cristo os moradores da cidade resolveram reerguê-lo sobre os destroços do antigo. Isso foi feito, mas a nova obra durou pouco tempo porque acabou sendo derrubada na batalha que os guerreiros de Creso, último rei da Lídia, ali travaram em 550 antes de Cristo, durante a campanha militar que o soberano lídio realizava para expandir seus domínios até onde fosse possível. Assumindo a posição de novo dono da cidade, Creso percebeu que ali o culto à deusa Ártemis era significativo, e por isso, numa atitude magnânima, ordenou a reconstrução imediata do santuário a ela dedicado. Encarregado dessa empreitada, o talentoso arquiteto Quérsifron projetou um prédio com 300 pés de comprimento e 150 de largura, algo que o tornaria cerca de quatro vezes maior que anterior, circundado por mais de 100 colunas de pedra e decorado em seu interior com estátuas de bronze esculpidas por afamados artistas da época.
Martim Jacob Heemskerk (1498-1574), pintor holandês autor de quadros notáveis, muitos deles guardados em museus de cidades importantes como Bruxelas, Viena, Praga, Colônia, Haia, Leningrado e outras mais, dizia que o templo de Ártemis homenageava a deusa dos bosques, a Diana romana. Os colonizadores gregos encontraram os habitantes da Ásia Menor cultuando uma deusa que identificaram como Ártemis, e por isso construíram um templo que foi reconstruído e aumentado muitas vezes. Somente na quarta expansão o templo, que levou 120 anos para ser terminado, foi incluído na lista das sete maravilhas do mundo antigo. Media 138 metros de comprimento por 71,5 metros de largura, com colunas de 19,5 metros de altura, e era famoso pelas obras de arte que guardava, como a escultura da deusa feita em ébano, ouro, prata e pedra preta. Foi destruído duas vezes: a primeira na noite de 21 de julho de 356 antes de Cristo (data de nascimento de Alexandre Magno), por Erostrato, e a segunda em 262 antes de Cristo, quando os godos, antigo povo germânico que invadiu os impérios romanos do Ocidente e Oriente entre os séculos 3 e 5, saquearam a cidade.
Erostrato colocou fogo no templo de Ártemis, ou Diana, com a intenção de perpetuar-se na memória do seu povo. Em represália, os efesianos proibiram que o nome do incendiário fosse pronunciado, sob ameaça de pena de morte, mas apesar dessa determinação rigorosa e aparentemente implacável, a História o conservou para o futuro porque a destruição do santuário, orgulho não só da cidade de Éfeso, mas também de toda a cultura grega, representou uma perda lastimável. Tanto que as lideranças da população decidiram encomendar no mesmo ano (356 a.C.) o erguimento de novo edifício consagrado ao culto da deusa, entregando essa responsabilidade a Escopas, arquiteto e escultor grego, recomendando-lhe que não fizesse nenhuma economia na nova obra. Nessa época, Éfeso era uma das maiores cidades da Ásia Menor em razão da movimentação comercial da região (especiarias trazidas do Oriente para a Europa).
O projetista previu o levantamento de um prédio com 425 pés de comprimento (130 metros, aproximadamente) e 225 pés de largura (70 metros), sustentado por 127 colunas de 60 pés de altura (18 metros). Quando Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, chegou ao local em 333 antes de Cristo, e encontrou o edifício em obras, ofereceu-se para custear os trabalhos de sua conclusão caso fosse dado a ele o crédito pela construção, mas os vereadores locais recusaram a proposta argumentando que “não está certo um deus fazer templo para outro deus”. Diante disso, o conquistador macedônio perdeu o interesse no assunto e foi tratar da sua vida em outras paragens.
Anos depois os godos chegaram à região e mais uma vez derrubaram tudo aquilo que os seguidores da deusa haviam feito. Do santuário famoso, que em seu período áureo atraía visitantes de vários lugares trazendo oferendas, resta, no local, apenas uma solitária coluna; além dela, algumas esculturas e objetos diversos encontram-se expostos no Museu Britânico, em Londres. (Na ilustração acima, ruínas do templo de Ártemis).





