Brasileiras - FLORESTA DA TIJUCA - Rio de Janeiro

Localizada no coração da cidade do Rio de Janeiro, a Floresta da Tijuca separa a zona norte da zona sul carioca. Considerada a maior floresta artificial do mundo e também a maior em área urbana, é composta por três grandes conjuntos de matas limitadas pelos bairros da Tijuca, Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico, Gávea, São Conrado, Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Grajaú, Vila Isabel, Rio Comprido e Laranjeiras. O acesso a ela é feito por sete portões principais de entrada - Sumaré (estrada do Sumaré); dos Caboclos (rua Almirante Alexandrino); Macacos (estrada Dona Castorina; Passo das Pedras (estrada da Vista Chinesa); Sapucaias (estrada do Redendor); Solidão (estrada do Açude da Solidão); e Cascatinha, além de dois acessos secundários - estrada das Canoas, que leva ao conjunto da Pedra da Gávea e Pedra Bonita, e estrada Grajaú/Jacarepaguá, para o conjunto da floresta de Três Rios.

 

São muitos os seus pontos pitorescos e históricos, os mirantes e matas, todos eles oferecendo opções inigualáveis de lazer aos habitantes da cidade que a circunda e aos milhares de turistas que a visitam anualmente. Transformada em parque (Parque Nacional do Rio de Janeiro) em 1961, a área da floresta teve seus limites alterados em 1967 (decreto federal nº 60.813), passando a denominar-se Parque Nacional da Tijuca. Com uma área física superior a 3.972 hectares (39,72km2), ele é administrado atualmente pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, tendo sido elevado pela Unesco, em 1991, à condição de Reserva da Biosfera.

 

Toda a sua área esteve coberta no passado por exuberante floresta que aos poucos foi sendo devastada pelos colonizadores portugueses que chegaram ao Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século 16. No início, suas árvores mais valiosas eram derrubadas para fornecer a madeira empregada na construção das casas de morada dos novos habitantes. Porém, o avanço paulatino da cultura da cana-de-açúcar, com a conseqüente instalação ao seu redor de numerosos engenhos processadores da planta, fez surgir a necessidade crescente de grandes quantidades de lenha e carvão, o que aumentou ainda mais o desmatamento indiscriminado de seus vales e encostas. Em 1590, esses engenhos eram seis (06), número que aumentou para 32, em 1728, e 120 em 1797. E todos usando a madeira extraída da floresta e queimada nas caldeiras dos produtores de açúcar. Da origem dessa atividade febril de desmatamento que caracterizou o ciclo da cana no Rio de Janeiro, restaram apenas alguns nomes de bairros da cidade, como Engenho Novo, Engenho de Dentro, Usina da Tijuca, Engenho da Rainha, etc...

 

Apesar disso, a destruição da vegetação florestal só veio a atingir seu ponto maior quando em 1762 o café chegou ao Rio de Janeiro trazido de Belém (Pará), iniciando um novo e desenfreado ciclo de atividade agrícola descrita, na época, da seguinte forma: “As mais preciosas madeiras de lei incineraram-se em queimadas formidáveis que tudo consumiam. Jamais o mundo vira um desperdício tão completo de uma flora tão valiosa, devorada em turbilhões de fumo e chamas. Numa destruição total, o homem a dissipava no delírio de estender seus cafezais. As filas de negros de machado em punho iam recuando a floresta para as grimpas inacessíveis, para as cristas pedegrosas e inaproveitáveis”.

 

Pouca coisa restou. Apesar das vozes que se levantavam contra “os intrusos e moradores que desmatavam e aravam as terras, tornando impuras as águas das nascentes”, somente anos depois, em 1817 e 1818, o governo colonial baixou disposições visando proteger os mananciais ameaçados. De nada valeram, da mesma forma como não foram levadas em conta as sugestões de desapropriações e reflorestamento da área, feitas em 1844 pelo senador José Carlos Pereira de Almeida Torres, providências consideradas pelo autor como inadiáveis para resguardar as fontes que forneciam à cidade a água de que ela precisava. O resultado desse descaso foi que em 1861, afora pequenas extensões esparsas de mata, as encostas dos morros achavam-se inteiramente descobertas.

 

Foi nesse mesmo ano que o imperador Pedro II decidiu consertar os estragos entregando ao major engenheiro Manoel Gomes Archer, a incumbência de recuperação da área degradada. O militar – depois considerado o pai da silvicultura no Brasil – contou inicialmente com a ajuda de 6 escravos, aos quais se juntaram posteriormente 22 trabalhadores assalariados. Juntos eles plantaram ao longo dos 13 anos seguintes, em torno de 100 mil mudas de várias espécies, a maioria nativa do ecossistema da Mata Atlântica, possibilitando, assim, a formação de uma flora rica e diversificada.

 

Em 1874 o Barão Gastão Luis Henrique Roberto d!Escragnolle assumiu a direção dos trabalhos de replantio, função que exerceu até 1888. Durante esse período a área recebeu mais 30 mil mudas que incluíam espécies vegetais nativas e exóticas, entre estas as dracenas, bambus, jaqueiras, mangueiras, fruta-pão, cafeeiros, jambeiros e outras mais. Ao mesmo tempo em que procurou transformar a floresta em área de lazer através da introdução de diversos melhoramentos, como um parque para uso público e construção de pontes e lagos, o barão também projetou novos traçados de trilhas e caminhos na floresta, que lhe deve muito de seu embelezamento e projeção. Em reconhecimento a essa contribuição existe em sua honra um monumento no Caminho da Floresta, perto do restaurante dos Esquilos, a 4 quilômetros da Cascatinha.

 

Após a proclamação da República a floresta ficou esquecida durante vários anos. Mas em 1943, quando Raymundo Ottoni de Castro Maia assumiu sua administração, os trabalhos de recuperação então iniciados incluíram obras de arte, edificações e recantos, implantação de serviços e sanitários, abertura de restaurantes e outras medidas, que transformaram a Floresta da Tijuca em um espaço privilegiado, no qual a natureza e a mão do homem se entrelaçam e se complementam. Sendo área de proteção ambiental, nela não são permitidos atos que possam perturbar o sossego dos animais que ali tenham o seu habitat, assim como também causar prejuízo ao meio-ambiente, o que inclui a proibição de jogar detritos nas matas, usar objetos sonoros que perturbem o ambiente, coletar espécimes de qualquer natureza (animal, vegetal ou mineral), caçar ou pescar, perseguir animais, fazer fogueiras, lavar automóveis, etc...


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