Modernas - COLISEU ROMANO (Itália)
O Coliseu romano foi escolhido como uma das sete maravilhas do mundo moderno através de votação popular realizada pela internet e finalizada em 07/07/2007 Também conhecida como Anfiteatro Flaviano, a grande arena localizada no centro da cidade de Roma, Itália foi construída entre os anos 70 e 85 de nossa era pelos imperadores da dinastia Flávio (Tito Flávio Sabino Vespasiano, que reinou de 69 até sua morte em 24/06/79; e seus filhos Tito Flávio Sabino Vespasiano, de 26/06/79 a 13/09/81; e Tito Flávio Domiciano, de 13/09/81 a 18/09/96). Seu nome, segundo se acredita, tem relação com uma gigantesca estátua (40 metros de altura) do imperador Nero (que reinou de 54 a 68), então existente naquelas imediações, mas retirada pelos sucessores do soberano nela representado e substituída pela de Apolo, o deus do Sol romano.
Medindo, originalmente, 48 metros de altura, 188 metros de comprimento e 156 metros de largura, o Coliseu tinha forma elíptica (semelhante à de um ovo), possuía três andares e podia receber até 50.000 espectadores. Posteriormente, Marco Aurélio Alexandre Severo, imperador romano de 222 a 235, e Marco Antonio Gordiano, ou Gordiano III (238 a 244), acrescentaram mais um andar à construção, aumentando sua altura para 57 metros, e quase dobrando sua capacidade de lotação, que passou a ser de 90.000 pessoas. Cada um dos três primeiros níveis do anfiteatro apresentava em sua fachada cerca de 80 arcos abobadados, colocados simetricamente um sobre o outro, todos decorados com colunas que, dependendo do pavimento em que se encontravam, podiam ser do estilo dórico (mais pesadas e robustas, possuíam caráter masculino e austero, além de acabamento simples e geométrico), jônico (femininas e delicadas em seu coroamento, acentuavam não só a beleza suave da coluna, mas também suas proporções), e corintio (sofisticadas e de desenho requintado, apresentavam no topo folhas de acanto, um tipo de ervas espinhentas).
Quanto a este último, conta-se que uma bela jovem coríntia (natural de Corinto, na Grécia) foi enterrada em campo aberto. Desconsolada, sua ama juntou os objetos de adorno que a desaparecida mais gostava e guardou-os em um cesto, que colocou sobre a sepultura, cobrindo-o com algumas telhas. Pouco tempo depois alguns pés de acanto brotaram no lugar, mas por causa das telhas suas folhas dobraram-se em voltas incompletas. Diz a lenda que ao vê-las, Calímaco, um arquiteto grego, inspirou-se nelas para criar o novo estilo decorativo.
Planejado meticulosamente para ser um símbolo do poder e força do império romano, o Coliseu se transformou em uma obra de tal grandiosidade que até hoje continua influenciando projetos de estádios modernos, muitos dos quais contendo detalhes que nele foram experimentados pela primeira vez. Para assistir os espetáculos apresentados em sua arena, o público se acomodava em setores distintos. Assim, no primeiro nível, ou podium, ficava a tribuna do imperador, e à sua direita e esquerda os assentos destinados aos senadores romanos e seus acompanhantes e convidados.
O segundo nível era reservado aos aristocratas; enquanto o terceiro dividia-se em três áreas distintas: um setor na parte mais baixa recebia os cidadãos de melhor condição financeira; um outro, mais ao alto, os menos abastados; enquanto uma galeria de madeira na parte superior do estádio destinava-se ao populacho em geral, assistentes que ficavam de pé, disputando com as mulheres os lugares de melhor visibilidade. Os imperadores tinham acesso ao Coliseu por uma passagem subterrânea que o ligava ao monte Palatino, uma das sete colinas de Roma, em cujas encostas localizavam-se o Fórum Romano, de um lado, e o Circo Máximo, de outro, além de alguns dos palácios imperiais.
Construído em pedras de diferentes tipos, ladrilhos e argamassa romana, o Coliseu tinha a finalidade de atender ao ócio e diversão dos cidadãos por meio de uma série de espetáculos apresentados ao longo de 500 anos. Serviu como arena até 217 d.C., quando foi atingido por raios que provocaram um incêndio de grandes proporções em suas instalações. Posteriormente, em 442 e 1349, quatro terremotos danificaram ainda mais severamente a imponente construção. Os jogos com mortes humanas tornaram-se proibidos a partir de 404, continuando a ser praticado, porém, o massacre de animais. A última abertura ao público ocorreu no século 6 da nossa era, muitos anos depois da queda de Roma, ocorrida em 476, a partir de quando o anfiteatro passou a ser aproveitado de diversas formas. Em meados do século 13 foi transformado em fortaleza, mas ao longo dos séculos 15 e 16 saqueadores retiraram de lá grande parte dos materiais nobres que possuía. Sua restauração parcial e consolidação são atribuídas, em grande parte, aos papas Gregório XVI e Pio IX, no século 19.
Hoje, dois terços da estrutura original permanece de pé, podendo-se ver entre as ruínas as paredes de sustentação, os corredores de acesso, bem como as galerias construídas para drenagem da água que se acumulava em seu interior proporcionando a encenação de batalhas navais simuladas, denominadas naumaquias (ilustração acima). Segundo documentário produzido pelo canal televisivo fechado, History Channel, a arena era inundada por dutos subterrâneos alimentados por aquedutos que traziam a água de longe. Outro tipo de espetáculo era o das caçadas a animais como os grandes felídeos (leões, leopardos e panteras), além de rinocerontes, elefantes, hipopótamos e outros mais, efetuadas em cenários que procuravam reproduzir o ambiente em que os mesmos viviam. Essas feras podiam ser colocadas na arena a qualquer momento, através de um sistema de elevadores.
Mas o que mais atraía a atenção do público eram os gladiadores, homens altos e fortes que entravam enfileirados na arena, postavam-se diante do imperador e os saudavam em voz alta, de forma a que todos no estádio pudessem ouvi-los: “Ave César! Os que vão morrer te saúdam!”. Depois, lutavam entre si formando duplas armadas de diferentes maneiras, e quando um deles derrubava o adversário, aguardava o sinal do imperador indicando que deveria matá-lo (polegar apontando para baixo), ou poupá-lo (polegar apontando para cima).





